A auto supressão da verdade enquanto movimento constitutivo da epistemologia nietzschiana Show all records where Título is equal to A auto supressão da verdade enquanto movimento constitutivo da epistemologia nietzschiana
Wilson Luciano Onofri Show all records where Autor is equal to Wilson Luciano Onofri
UFES Show all records where Instituição is equal to UFES

O presente trabalho tem como objetivo analisar o movimento de auto supressão da verdade pela noção de honestidade como fundamento da epistemologia nietzschiana aos quais os programas filosóficos do pensador estão ancorados. A hipótese fundamental que guia esta investigação é que não podendo lançar mão de qualquer ponto de vista transcendental de análise-crítica, sob a penalidade de recair na própria acusação de pensador metafísico, Nietzsche se posiciona estrategicamente de forma parasitária aos valores declarados e reconhecidos pela cultura como ponto de partida de sua argumentação, atuando assim de maneira imanente. Nesse sentido, a tarefa do filósofo não se tratou de buscar uma justificação fundacionista alternativa e ao mesmo tempo imune a sua própria crítica para a inovação de pontos de vista, ao qual caberia ao exegeta a difícil missão de identificar entre as linhas retóricas da filosofia nietzschiana, mas de se situar junto aos valores já sedimentados da comunidade e levar sua lógica até as últimas consequências a fim de revelar suas incongruências enquanto reais condições de seu ultrapassamento. No caso específico da epistemologia nietzschiana, o filósofo se reporta ao otimismo teórico de cunho socrático-platônico cuja dinâmica se constitui na noção de vontade de verdade. Tal vontade se faz enquanto impulso pela busca de fundamento que durante muito tempo estimulou o desenvolvimento da filosofia, mas que acabou por solapar as próprias condições de possibilidade do conhecimento, ao revelar a vacuidade última dos procedimentos racionais de argumentação. Assim, a partir desse movimento de auto supressão da verdade pelo dever de honestidade, ambos valores presentes na tradição socrático-platônica, advogaremos que Nietzsche pode se valer deste movimento como base de uma epistemologia falsicacionista baseadas não num fundamento racional, mas em práticas comunicativas reconhecidas pela comunidade, onde pôde ancorar seu empreendimento filosófico, em especial para conciliar perspectivas antinômicas como fenomenologia de primeira pessoa e descrições empírico-naturalistas de terceira pessoa no pluralismo da vida gregária. Nesse caso, as presenças de teses realistas na filosofia nietzschiana são explicadas, não por constituírem um fundamento último, mas por se acomodar àquilo que uma comunidade trata como realidade a partir de seus próprios valores.

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