A articulação entre o sentido do ser e o sentido das coisas em O ser e o nada Show all records where Título is equal to A articulação entre o sentido do ser e o sentido das coisas em O ser e o nada
Gabriel Gurae Guedes Paes Show all records where Autor is equal to Gabriel Gurae Guedes Paes
UFSCAR Show all records where Instituição is equal to UFSCAR

No Tratactus, Wittgenstein desenvolve o conceito de sentido proposicional: “o que é o caso se a proposição é verdadeira”. A proposição com sentido pode ser verdadeira ou falsa. E para ser verdadeira ou falsa a proposição deve se referir a um estado de coisas que pode ou não ocorrer. Já em Sartre, se pudermos estabelecer uma comparação entre o Tratactus e O ser e o nada, o sentido não se origina na linguagem, mas é vivido em uma “situação”. Em O ser e o nada o sentido não diz respeito apenas a um “estado de coisas” percebidas que compõe, por exemplo, o bar presente em que espero Pedro, pois o bar presente aparece como bar em que Pedro não chega. O que ocorre ganha sentido em função do que ainda não ocorreu em um “estado de coisas” e que pode ou não vir a ocorrer. O que é aparece para consciência em relação ao que não é, ou seja, o ser se dá em relação ao nada. Mas se o bar é uma coisa ou um “estado de coisas” em relação ao qual Pedro não está, a consciência não é uma coisa, mas a própria espera, o próprio nada de encontrar Pedro. O nada é uma falta que a consciência busca “preencher” em um futuro que ainda não é e pode não ser: falta encontrar Pedro. A consciência, como para-si, é o que (ainda) não é. O nada, portanto, não se reduz a um mero quantificador lógico que, referindo-se a não ocorrência ou não existência de um fato, diz respeito apenas à forma lógica da linguagem. O nada é estrutura do para-si que como projeto se constitui de modo temporalizante como lançar-se para o futuro. Temos nesse exemplo dois tipos distintos de sentido que se articulam: o sentido ôntico das coisas (bar, Pedro), e o sentido ontológico do para-si como projeto. Wittgenstein defende que a metafísica viola as normas da linguagem e formula proposições sem sentido ao considerar como objeto que possui predicados essenciais aquilo que não é objeto, aquilo que se mostra na linguagem quando nos referimos a um estado de coisas, ou seja, a “forma” da linguagem. Como a forma não é um objeto que compõe um estado de coisas, não é possível construir discursos verdadeiros ou falsos sobre a forma. Porém Sartre, seguindo os passos de Heidegger e fazendo ao seu modo uma “ontologia fenomenológica”, analisa o que precede a linguagem e não pode ser descrito como um objeto entre outros: o ser. O modo de determinação do ser não é o mesmo das coisas, o ser não pode ser definido, não pertence a um gênero, não é algo para se atribuir propriedades que possam ser verdadeiras ou falsas. Não obstante, há uma articulação entre o sentido do ser e o sentido das coisas. Elucidar essa articulação é o objetivo desta comunicação.

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Dia 23 | Terça | Sala 4|15:45-16:15
ED
23/10/2018
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