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A aplicação do pensamento leviniano na linguagem, literatura, arte e interpretação ética foi o destaque na manhã desta sexta-feira durante o III Seminário Internacional Emmanuel Lévinas ‘Amor e Justiça’, realizado pela Dom Helder Escola de Direito e pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE). As sessões temáticas foram realizadas no Espaço Cultural Dom Helder, no Santa Efigênia, em Belo Horizonte (MG).

Entre os conferencistas convidados, o prof.dr. Hanoch Ben-Pazi, da Bar-Ilan University (Israel) apresentou artigo sobre a interpretação ética de obras literárias através dos escritos sobre ética do filósofo francês Emmanuel Levinas (1902-1995). Ben-Pazi aplicou o pensamento leviniano na análise de livros e da arte.

Segundo o pesquisador, a interpretação ética depende do próprio intérprete, de forma que não é possível aferir juízo somente pelo texto, dando como exemplo o uso em sala de aula do romance Lolita (1955), de Vladimir Nabokov ou da Bíblia Sagrada. “O intérprete tem que assumir a responsabilidade de sua interpretação e da significação ética do próprio ato”, comentou.

Já o doutor em Filosofia Thomas Newman, do Institut Catholique de Paris, apresentou trabalho sobre análise da imanência e transcendência de Lévinas nas obras do russo Fiódor Dostoïesvski (1821-1881). O pesquisador interpreta as relações do outro do russo sob o ponto de vista do pensamento leviniano.

Subjetividade e linguagem

Doutorando em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Frederico da Cruz Vieira de Souza aplica o conceito de ‘alteridade’ de Lévinas em seu trabalho. Vieira utiliza o pensamento do filósofo na análise de imagens e sua interpretação.

Durante palestra, o doutorando apresentou uma obra do fotógrafo Thiago Fogolin, que desenvolve o trabalho ‘Corpos e Rostos’, retratando moradores de rua em São Paulo. A foto de um homem apontando para uma lesão no olho foi o desfecho de uma explanação sobre o pensamento de Lévinas na linguagem visual.

“Apostamos que a ambivalência da fotografia, na fricção da visitação da face de outrem na transcendência da representação produz tendas comunicativas, pelas quais, a transcendência da significação escapa do regime da representação”, afirma Vieira.

Por sua vez, o doutor e mestre em Filosofia André Brayner de Farias da Universidade de Caxias do Sul (UCS) proferiu palestra baseada na síntese de seu trabalho ‘Poética da substituição’. O pesquisador utiliza os conceitos de Lévinas para estrangulamento e substituição numa comparação ao pensamento de Franz Kafka (1883-1924) e Vilém Flusser (1920-1991).

“A filosofia de Lévinas, como a literatura de Kafka, é o resultado de um processo de estrangulamento ou de impossibilidade. A análise da substituição como uma poética justifica-se por ser tal discurso, ausente de condições, um processo criador. Lévinas fala como um autêntico estrangeiro na terra da filosofia: o outro que se apropria da língua nativa de Platão e Aristóteles para comunicar uma filosofia nova”, afirma Brayner.

III Seminário

O objetivo do evento é fortalecer as atividades de pesquisas dos membros  do Centro Brasileiro de estudos sobre Emmanuel Lévinas (CEBEL) e do GT  Lévinas (ANPOF), além das atividades de vários Grupos de Pesquisa  (CNPq), discentes e docentes espalhados pelo Brasil.

O seminário busca também divulgar o pensamento de Emmanuel Levinas para a  comunidade científica de outros países, promovendo um espaço de debate  em torno da filosofia levinasiana, a partir das múltiplas leituras  possíveis da obra do autor.

Aconteceu nos dia 8, 9 e 10 de outubro de 2019 o IV Seminário Internacional Emmanuel Levinas, em Belo Horizonte, no Campus da Dom Helder Escola de Direito. Com o tema: "O sentido do humano: ética, política e direito em tempo de mutações", o evento propôs um debate em torno de temas como ontologia, política, ecologia, linguagem e outras questões candentes no momento atual a partir do pensamento do filósofo franco-lituano Emmanuel Levinas. Com a participação de cerca de 350 pessoas, o evento teve conferências com dois grandes nomes da  filosofia francesa contemporânea: Didier Franck (Université Paris Nanterre) e Rodolphe Calin (Université Montpelier). 

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