Lançamento do livro: "POLITIQUE ET MORALE CHEZ FOUCAULT" de Monica Loyola Stival

9782343130170r

Dans la sphère anthropologique ou dans la sphère politique, la manière dont Foucault élabore sa critique reste attachée à la procédure critique qui l'empêche d'échapper à la dimension transcendantale de la synthèse. Cette exigence est contraire au « nominalisme en histoire » qu'il mettrait révolutionnairement en scène, selon Paul Veyne. Ce livre analyse, à partir de cet arrière-plan, la façon dont se définit, chez Foucault, le sujet du néolibéralisme, le sujet dans l'histoire et, finalement, le sujet moral.


Monica Loyola Stival est professeur au Département de Philosophie et Méthodologie des Sciences à l'Universidade Federal de Sao Paulo (UFScar), Brésil.

http://www.editions-harmattan.fr/index.asp?navig=catalogue&obj=livre&no=58441

Nota de falecimento do Prof. Etienne Tassin

É com imensa tristeza que anunciamos o falecimento do Prof. Etienne Tassin. Tragicamente, sua partida foi provocada por um atropelamento no centro de Paris quando o professor saia do Teatro no último sábado, dia 06/01. Embora tenha sido hospitalizado, faleceu domingo, dia 7/01. Pesquisador de grande prestígio e um dos maiores especialistas da atualidade na obra de Hannah Arendt, Etienne Tassin era sobretudo um intelectual generoso e engajado, um militante que mantinha com a política o laço estreito típico daqueles que prezam pela vida na companhia da diversidade. Em seu útimo texto, "Les justes de Calais", escrito e publicado em parceria com Camille Louis, a crise migratória européia é abordada sob a ótica da exceção que corrói o estado de direito ao utilizar o terrorismo como mecanismo cínico de legitimação da violência contra minorias.

Eram notáveis seus diálogos com pesquisadores da África e America latina, especialmente Colômbia, Argentina e Haiti. Além de receber pesquisadores brasileiros no grupo de que liderava em Paris, divulgava seu trabalho no Brasil desde 2013 com publicações e participação em eventos. Em junho daquele ano, publicou o artigo "Da dominação total à dominação global: perspectivas arendtianas sobre a mundialização de um ponto de vista cosmopolítico" na Revista Argumentos n°9 e esteve no Brasil por ocasião das Jornadas Internacionais Hannah Arendt, realizadas na Unicamp em novembro, quando proferiu a conferência de abertura "La triple aporie révolutionnaire: Comment continuer ce qui commmence?", publicada posteriormente no Dossiê Arendt dos Cadernos de Filosofia Alemã em 2016. Tassin também esteve presente na I Jornada Internacional de Filosofia da Educação, realizada na Faculdade de Educação da USP em 2014, tendo proferido uma palestra mais tarde publicada no e-book organizado a partir do evento. Sob o título "Educar o cidadão: que êxito esperar de um ofício impossível", o texto pode ser encontrado online no sistema integrado de bibliotecas da USP: http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/por.../catalog/book/157

Doutor em filosofia pela Universidade Paris VIII ("La phénoménologie de l'action et la question du monde: essai sur la philosophie de Hannah Arendt" - 1996), Etienne Tassin era professor da Université Paris VII - Denis Diderot desde 2003. Dentre suas publicações mais reconhecidas, destacam-se "Le Trésor perdu. Hannah Arendt : l’intelligence de l’action politique (Payot, 1999 ; rééd. Klincksieck, 2017)", "Un monde commun. Pour une cosmo-politique des conflits (Seuil, 2003)" e "Maléfice de la vie à plusieurs. La politique est-elle vouée à l’échec ? (Bayard, 2012)". Ainda há para este ano a previsão de publicação da obra: "Pour quoi agissons-nous ? Questionner la politique en compagnie de Hannah Arendt (PUF, 2018)".

Aos familiares, sua companheira Anne-Claude e seus filhos Louise, Jean, Marie, Iris e Lys, nossa solidariedade nesse momento de perda irreparável e nossa homenagem ao intelectual que contribui apesar de sua partida precoce.

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Lançamento de livro: "Marx, Espinosa e Darwin: pensadores da imanência" de Maurício Vieira Martins

 
 
Livro Imanência capa 1

 

Marx, Espinosa e Darwin: pensadores da imanência discute como cada um destes pensadores buscou, certamente com diferenças substantivas entre si, instaurar um campo de investigação que não recorre a premissas transcendentes na abordagem dos fenômenos sob exame. Com efeito, Espinosa em sua crítica vigorosa ao imaginário teológico-político, Marx no rastro dos desdobramentos mundanos da Entfremdung (alienação) e Darwin em sua divergência com um pensamento criacionista milenar, podem ser vistos como instauradores de um novo campo de investigação. Não por acaso, cada um deles enfrentou resistências enormes das ontologias religiosas então predominantes. Em nosso século 21, que assiste a um surpreendente crescimento dos adeptos da teoria da Terra Plana, revisitar o pensamento destes clássicos nos fornece preciosos subsídios para o debate laico atual. 

 

SOBRE O AUTOR:
MAURÍCIO VIEIRA MARTINS é sociólogo, doutor em Filosofia, professor do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF) da Universidade Federal Fluminense, membro do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Marx e o Marxismo (NIEP-Marx) desta universidade. Pesquisa intencionalmente na interseção da Filosofia com as Ciências Sociais - e tem vários artigos publicados em revistas das duas áreas - por entender que a atual partilha dos objetos de investigação findou por produzir mais danos do que benefícios ao saber. Interessa-se em particular pela possibilidade de atualização e renovação do marxismo no mundo contemporâneo, daí o esforço por fazê-lo dialogar com outros saberes.

Pedidos : http://consequenciaeditora.com.br/loja/index.php?route=product/product&product_id=107

Lançamento de livro: A Teoria da Justiça de Immanuel Kant: Esfera Pública e Reconstrução Social da Normatividade

A Teoria Da Justiça De Immanuel Kant

"A Teoria da Justiça de Immanuel Kant: Esfera Pública e Reconstrução Social da Normatividade", Prof. Dr. Francisco Jozivan Guedes de Lima.

Neste livro o autor estabelece uma interlocução com filósofos de relevância no âmbito das teorias contemporâneas da justiça tanto no seu viés procedimental e deontológico como é o caso de Rawls, quanto no seu viés reconstrutivo da Teoria Crítica como será feito em relação a Habermas e a Honneth. As suas investigações pretendem reatualizar a concepção de justiça e publicidade em Kant a partir de uma reconstrução socionormativa; elas tencionam ir além dos limites metafísicos apontando, sobretudo, para a necessidade de uma moral social mitigada, de uma epistemologia social e de uma opinião pública entendida como um ponto de equilíbrio entre o formal e o empírico.

 

 

NOTA EM SOLIDARIEDADE À UFMG E EM DEFESA DO ESTADO DE DIREITO

A Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF) se solidariza com os dirigentes e ex-dirigentes da UFMG que foram conduzidos coercitivamente na última quinta-feira, em uma ação espetacularizada, abusiva, desproporcional e injustificada, uma vez que os representantes da universidade sequer foram previamente intimados ou mesmo foram informados durante a condução sobre que acusação pairava sobre eles.

A mobilização de 84 policiais federais, 15 auditores da CGU e dois do TCU para cumprir oito mandados de condução coercitiva e onze de busca e apreensão é tão ultrajante quanto nomear a operação como “Esperança equilibrista”, em clara pretensão de aviltar uma canção simbólica da resistência a ações como esta no período da ditadura. Não podemos admitir que agentes públicos utilizem expedientes autoritários para promover a corrupção das garantias constitucionais em nome de um suposto combate à corrupção – a qual, cabe mencionar, parece nunca ter circulado tão sem peias às vistas dos mesmos agentes.

Difícil compreender como uma universidade cada vez mais abrangente regionalmente, mais acessível às camadas da população economicamente mais frágeis e socialmente excluídas e que, além disto, produz 90% do conhecimento em nosso país esteja sob um ataque cerrado e arbitrário de forças que deveriam zelar pelos direitos fundamentais e o cumprimento da lei, como a Polícia Federal, com a cumplicidade dos que silenciam enquanto deveriam salvaguardar o estado de direito – mas talvez tenhamos de lamentavelmente admitir que é precisamente por isto que ela se tornou alvo privilegiado de achaques como os que ocorreram UFRGS, na UFPR, na UFSC e na UFMG.

Em seus ataques à universidade pública até agora a Polícia Federal não conseguiu justificar suas ações espetaculares e arbitrárias, que têm causado danos irreparáveis a pessoas e instituições fundamentais da nossa sociedade sem que se prove qualquer conduta ilícita além daquela da própria Polícia Federal. As universidades públicas já têm de lidar há um bom tempo com limitações de toda ordem para seguir cumprindo seu papel fundamental em benefício da sociedade brasileira, mas continuamos sabendo a serviço de quem e de que está a universidade pública. A questão é: a serviço de quem ou de quê está a Polícia Federal?

Solidarizamo-nos com os colegas destas universidades e nos juntamos a várias pessoas, movimentos e instituições que estão se mobilizando para que esta lista não aumente e para que a universidade pública, um dos nossos maiores patrimônios, não seja vilipendiada devido a interesses obscuros a operar à margem da lei. Por maior que seja o ressentimento dos que compreendem que o acesso à universidade deveria continuar a ser privilégio de casta, a universidade pública continuará a ter cada vez mais o tamanho e as cores do Brasil.

 

NOTICE IN SUPPORT OF THE FEDERAL UNIVERSITY OF MINAS GERAIS AND IN DEFENSE OF THE RULE OF LAW

The Brazilian National Association of Graduate Studies in Philosophy (Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia, ANPOF) wishes to express its support towards current and former administrative directors of UFMG that were forcibly removed from the university’s campus last Thursday, during an abusive and disproportionate spectacle carried out by the Federal Police – given that the university’s leaders were not previously notified by the police and didn't even know, while being taken to the police headquarters, the charges made against them.

Mobilizing 84 policemen and 17 federal auditors in order to forcibly remove 8 administratorsfrom their offices and to execute 11 search and seizure warrants is as appalling as naming this operation “Esperança Equilibrista” – a clear attempt to highjack the meaning of a symbolicsong belonging to the resistance against actions, identical to this very one, carried out during the time of the dictatorship. We will not stand by while public powers enforce authoritarian mandates while undermining constitutional rights in the name of a pretend fight against corruption – which, it is worth mentioning, often seems to be ignored by them. It is hard to understand why the Brazilian public university system, which has widened its regional outreach, increased the inclusion of the most economically vulnerable and socially excluded sectors of the population, and produces 90% of the scientific knowledge in Brazil, is under a fierce and arbitrary attack by those very same forces – such as the Federal Police alongside the complicit silence of members of the society – that should be maintaining the rule of law and watching over fundamental rights. Perhaps it is time for us to acknowledge that, unfortunately, such achievements are precisely the reason why the public university system in Brazil is being tarnished. Despite its recent targeting of public universities – such as UFRGS, UFPR, UFSC and UFMG – the Federal Police has not yet managed to justify the necessity of its arbitrary displays of force which have, nonetheless, caused lasting damage to both the institutions and the individuals accused. No illicit conduct – apart from that of the Federal Police – has been proven so far.

For a while now the public university system has been struggling to keep performing its fundamental role for the benefit of Brazilian society given the severe limitation of resources that has been imposed upon it. Nonetheless, we know whom the public university serves. The question that remains is: who or what does the Federal Police serve?

We stand in solidarity with our colleagues from the aforementioned universities, and stand together with numerous individuals, movements, and institutions who have been mobilizing to put an end to such abuse so that the public, free and inclusive university system in Brazil, one our greatest heritages, is not vilified in the name of dark interests that operate outside the rule of law. Though great might be the resentment of those that believe that the access to universities should remain a caste privilege, the public university system will continue, increasingly, to cultivate the greatness and the colors of Brazil.

 

ANPOF 2017/2018

NOTA SOBRE A EDIÇÃO DA “COLEÇÃO ANPOF XVII ENCONTRO”

Durante o ano de 2017 foram editados junto aos coordenadores de GTs os 22 volumes resultantes do XVII Encontro Nacional da ANPOF realizado em Aracaju. A previsão inicial era de lançar os livros ainda em 2017, mas por problemas no processo de edição dos mais de 600 textos e também na consecução dos respectivos ISBNs em dezembro, os volumes serão todos lançados em janeiro de 2018 com data de 2017. Agradecemos a compreensão e em breve compartilharemos os volumes com a comunidade.

Diretoria ANPOF

Lançamento de livro: "Filosofia hermenêutica" de Leandro Sousa Costa e Leonardo Nunes Camargo

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A hermenêutica é a área do conhecimento filosófico que tem o objetivo de proporcionar um rigor metodológico necessário às investigações desenvolvidas por pesquisadores de variados campos do saber. Nesta obra, você poderá explorar o universo hermenêutico e observar as principais discussões realizadas nessa esfera. Além disso, conhecerá argumentos e métodos propostos por diversos teóricos da hermenêutica.

Acesse: https://www.livrariaintersaberes.com.br/produtos/filosofia-hermeneutica

Lançamento de livro: A Odisseia de Platão: as aventuras e desventuras da dialética (2017)

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A Odisseia de Platão: as aventuras e desventuras da dialética, de Hector Benoit
Formato: 15x22,5 cm, 564 páginas
ISBN: 978-85-391-0872-5

 

Hector Benoit, fundador da Sociedade Brasileira de Platonistas, do GT Platão e Platonismo da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia e do Centro de Pensamento Antigo da UNICAMP, apresenta aqui o resultado de sua metodologia original de leitura da obra de Platão, primeiramente publicada no livro Platão e as temporalidades: a questão metodológica (Annablume, 2015). Em um estudo de fôlego literalmente homérico, Hector Benoit se propõe a reorganizar as folhas espalhadas pelos ventos de séculos de interpretação da obra platônica, recontando o percurso dos diálogos platônicos na ordem em que foram postos fenomenologicamente em um determinado tempo pelo próprio autor, revelando de maneira elegantíssima o projeto conceitual que está plasticamente escondido por trás da obra de Platão.

Gabriele Cornelli
Presidente da International
Plato Society (2013-2016)
Universidade de Brasília

 

SITES PARA VENDA: http://www.annablume.com.br/loja/product_info.php?products_id=2216&osCsid=ih6nkjj8p3h (EDITORA ANNABLUME)
                            
                                https://www.ciadoslivros.com.br/

CARTA ABERTA AOS CONSELHEIROS E ÀS CONSELHEIRAS DO CNE

Caros conselheiros, caras conselheiras,

Gostaria de me posicionar, na qualidade de alguém que participou como parecerista da primeira versão da Base Nacional Curricular Comum (BNC), quanto à presença do Ensino Religioso na mesma, no intuito de contribuir para a análise deste aspecto polêmico da proposta. O que se segue prescinde do debate sobre a legitimidade ou não da presença do ER no texto da BNC e na Educação Básica. (1)

O primeiro ponto sensível e problemático do ER na BNC é a ampliação da presença do ER no sistema de ensino que o texto acaba por pressupor ou induzir. Trata-se do problema da definição da carga horária, questão com relação a qual o CNE já se pronunciou por diversas vezes, atribuindo sua responsabilidade a Estados e Municípios, como no Parecer CNE/CEB nº 16, aprovado em 1º de junho de 1998. Através da BNC, o ER ganha, com uma canetada, aquilo que seus defensores jamais teriam sonhado conseguir pelas vias políticas usuais: a projeção de sua ampliação para os nove anos do Ensino Fundamental em todo o território nacional.

O segundo ponto diz respeito às exigências legais para a determinação do conteúdo curricular do ER. Constata-se, de imediato, a presença exclusiva de pareceristas ligados ao FONAPER (Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso), na equipe responsável pela elaboração do componente curricular do ER. (2)  Qual a justificativa para esta formação de equipe tão limitada e coesa? Não há nenhuma. A BNC não segue a legislação neste caso, uma vez que a reformulação do artigo 33, da LDB, pela lei nº 9.475/97 (22 de julho de 1997) afirma que “os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso” (grifo nosso). Como pode o MEC convidar apenas membros do FONAPER, uma entidade católica, para representar na BNC as diferentes denominações religiosas de todo o país? Seguindo a LDB, o mencionado Parecer CNE/CEB nº 16 ratifica que a carga horária do ER só pode ser determinada em cada sistema de ensino, consultadas as mais diferentes denominações religiosas, e outros pareceres do CNE reforçam a restrição da definição de conteúdo do ER às redes locais de ensino. (3)

Pelos motivos acima, constata-se que suprimir o ER da BNC é uma exigência legal, para além do debate sobre o mérito da existência ou não do ER no currículo da Educação Básica. Não fosse, contudo, a retirada do componente curricular ER da BNC uma exigência legal, seria necessário, no mínimo, reformulá-lo integralmente, se tomamos como base a última versão do texto apresentada. Vejamos.
Em primeiro lugar, explicito minha premissa de que todos os conteúdos e objetivos eventualmente razoáveis e importantes do ER que possamos encontrar no texto apresentado na BNC (e eles são poucos) deveriam ser antes trabalhados nos componentes curriculares de filosofia, história e ciências sociais. Se o objetivo do ER, tal como defende o texto da BNC, não é proselitista, não há nada que o ER possa acrescentar às diversas abordagens antropológicas, sociológicas e filosóficas acerca do fenômeno religioso, enquanto proposta de reflexão, discussão, sensibilização, etc, visando a compreensão desse fenômeno e o respeito à diversidade. Mas a brevissíma apresentação que faço, a seguir, dos conteúdos e objetivos do ER não entra no mérito dessa questão. Destaco somente, através de alguns exemplos, o enorme grau de generalidade e vagueza dos conteúdos e objetivos oferecidos como componente curricular ER. Logo nos primeiros objetivos, lemos:

« CHER1FOA001  Perceber-se como pessoa dependente de outras pessoas e das relações que se estabelecem no coletivo familiar, escolar, na instância religiosa, comunitária e no meio ambiente. »

« CHER1FOA002  Reconhecer que o ‘eu’ estabelece relações com a natureza e com a sociedade mediadas pelo corpo, pelas linguagens e pelas especificidades histórico-sociais. »

« CHER1FOA003  Reconhecer-se como membro de um núcleo de convivência familiar e de organizações sociais, onde coexistem diferentes corporeidades, identidades, crenças, práticas, costumes, etc. etc. etc. »

Note-se que os objetivos acima são direcionados ao primeiro ano do Ensino Fundamental. Essa proposta é evidemente inaceitável para um Estado laico que tenha o mínimo de cuidado com a formação básica de suas crianças. Sua manutenção significa deixar espaço para todo o tipo de proselitismo. E esses objetivos vagos e generalistas não se restringem às crianças pequenas, eles reaparecem até no nono ano:

« CHER9FOA004 Organizar e projetar a própria vida na coletividade, considerando princípios éticos, estéticos, econômicos, políticos e socioculturais. »
Não é necessário continuar. Há, na quase totalidade do componente curricular ER, um alto  grau de generalidade e arbitrariedade que fala por si mesmo. Ainda quando aborda o conteúdo stricto sensu religioso, encontramos formulações como: 

« CHER7FOA006  Reconhecer que doutrinas religiosas embasam a manutenção de cosmovisões religiosas e a transmissão de seus conteúdos. » (!)
Pelo exposto, somos de parecer que a proposta do ER da BNC é teórica e pedagogicamente descabida, além de não obedecer aos dispositivos legais, incluindo aqueles emanados do próprio CNE. Manter o ER na BNC, ao menos tal como formulado até aqui, é um desrespeito à inteligência e à boa fé de todos os brasileiros e todas as brasileiras; é atentar contra a responsabilidade do Estado no que toca à oferta de um ensino público de qualidade, laico e gratuito, tal como determinado pela nossa Constituição.

Atenciosamente,

Filipe Ceppas (parecerista da BNC, 1ª versão)
Professor adjunto da UFRJ (FE / PPGF)
Professor colaborador no PPFEN-CEFET 
Coordenador do NuFFC e do LEFGB http://lattes.cnpq.br/9172119452015896
cel (21) 99466 2669   

Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2017
 
*

[1] Quanto à esta questão, entendo ser discutível a tese de que, prevista em lei a oferta obrigatória (com matrícula opcional) do ER na Educação Básica, seja forçoso inserir também tal conteúdo curricular no texto da BNC. A inserção do Ensino Religioso no currículo foi vitória de lobby, pressão política e estratégias oportunistas de um grupo pouco representativo dos grupos religiosos nacionais e da sociedade brasileira em geral, e entendo que devemos pressionar de todas as formas possíveis para retirar totalmente esta “disciplina” do currículo da escola pública, laica e gratuita. Para uma exposição sintética dos argumentos que subsidiam essa posição, ver o manifesto “Laicidade e Educação Pública: em Defesa da Aplicação Integral dos Limites Constitucionais ao Ensino Religioso nas Escolas Públicas Brasileiras”, disponível em http://cedes.preface.com.br/dl/1IAKWzTA0_MDA_8ca2d_ Ver, ainda, Luiz Antônio Cunha (2014), Hegemonia e confronto na produção da segunda LDB: o ensino religioso nas escolas públicas. Pro-Posições, 25(1), 141-159, disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-73072014000100008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

[2] Ver Luiz Antônio Cunha, “A Entronização do Ensino Religioso na BNCC”, disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v37n134/1678-4626-es-37-134-00266.pdf

[3] O parecer CES 1.105/99, por exemplo, menciona "a conseqüente impossibilidade de definir diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores para o ensino religioso e critérios de avaliação dos cursos que não discriminem, direta ou indiretamente, orientações religiosas de diferentes segmentos da população e contemplem igualmente a diversidade de conteúdos propostos pelos diferentes sistemas de ensino." Aqui, é preciso levar em conta não haver diferença prática significativa entre fornecer conteúdos para a formação dos professores do ER e oferecer conteúdos e objetivos curriculares para toda a Educação Básica.

 
 

NOTA DE REPÚDIO DO CTC-ES da CAPES sobre ação da PF na UFMG

O Conselho Técnico Científico da Educação Superior manifesta indignação e repúdio às ações da chamada operação “Esperança equilibrista”, da Polícia Federal, que na manhã desta quarta-feira levou em condução coercitiva o reitor da UFMG, professor Jayme Ramirez, a vice-reitora, professora Sandra Goulart, o ex-reitor, Clélio Campolina, a ex-vice reitora, Heloisa Starling, além de outros professores.

A pretexto de investigar supostos desvios de recursos públicos para a construção e implantação do Memorial da Anistia Política no Brasil, coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais, as ações da Polícia Federal nesta manhã representam, mais uma vez, clara violação do Estado democrático de direito e um ataque às Universidades Públicas. A condução coercitiva é medida extremada e excepcional e só deve ser utilizada em último caso e na hipótese de haver obstrução às investigações.

A operação “Esperança equilibrista” repete equívocos cometidos pela operação “Ouvidos moucos” e nos traz à lembrança a desastrosa operação da PF na Universidade Federal de Santa Catarina, em setembro deste ano. Até o momento tal medida se mostrou injustificada e o resultado foi uma campanha difamatória contra a Universidade e a perda irreparável do professor Luiz Carlos Cancellier, reitor à época.

O CTC-ES manifesta solidariedade à comunidade acadêmica da UFMG e reitera o compromisso intransigente com a defesa da universidade pública. Repudia as ações abusivas da PF contra as universidades federais e seus gestores e propugna o respeito às garantias constitucionais e ao devido processo legal.

Os membros do Conselho Técnico Científico da Educação Superior da Capes.

Brasília, 6 de dezembro de 2017.

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