Documento apresenta diretrizes para prevenir e combater assédio moral e sexual nos programas de Pós-graduação em Filosofia

No último dia 12 de dezembro estiveram reunidos em Brasília os coordenadores de área de Filosofia junto à CAPES, os coordenadores e coordenadoras dos Programas de Pós-Graduação em Filosofia e o Presidente da ANPOF. Na ocasião aprovaram, por unanimidade, apoio ao documento Diretrizes para prevenir e combater o assédio moral e sexual nos programas de Pós-Graduação em Filosofia das universidades brasileiras. O documento foi elaborado pelo GT de Filosofia e Gênero da ANPOF e deve ser amplamente divulgado junto à comunidade filosófica brasileira.

No documento constam diretrizes que os PPG em Filosofia adotem, além de medidas efetivas de combate ao assédio, medidas preventivas, por meio de ações informativas como cursos, encontros, seminários, palestras e outros eventos (para alunos e alunas recém-chegados, por exemplo), propiciando, assim, o aprofundamento do debate sobre diversidade, igualdade e cidadania nesses ambientes.

O documento explicita o que são assédios moral e sexual e solicita que o assunto seja incluído como um dos itens de avaliação dos PPG, a constar nos relatórios internos dos programas em Filosofia submetidos à avaliação da Capes, para que sejam expostas as ações realizadas e os avanços conquistados na prevenção e no combate ao problema do assédio.

Diretrizes para prevenir e combater o assédio moral e sexual nos programas de Pós-Graduação em Filosofia das universidades brasileiras

Capes aprova dois novos cursos de mestrado e um de doutorado em Filosofia

No último dia 7/12, a Capes divulgou resultado da avaliação de propostas de novos cursos de pós-graduação. Foram aprovados dois novos cursos de mestrado e um de doutorado em Filosofia no Brasil. Os novos cursos de mestrado são da Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais e Universidade Estadual do Vale Acaraú, no Ceará. O novo curso de doutorado é da Universidade Federal do ABC, em São Paulo.

Nota de solidariedade e apoio aos professores e alunos do curso de filosofia da UECE

A Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF) manifesta sua irrestrita solidariedade aos professores e estudantes do curso de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará. Eles são alvo de denúncia apresentada ao Ministério Público Federal na qual há uma acusação de haver “organização de polícia ideológica” e “ação antifascista” na Universidade, especialmente no curso de Filosofia.

A Anpof repudia veementemente a denúncia que se apresenta como uma tentativa de cercear o amplo debate, o diálogo e a pluralidade de opiniões na Universidade. Em especial, trata-se de uma ameaça à nossa área e ao que ela tem de mais fundamental: o desenvolvimento de pensamento autônomo e de opiniões por meio do livre debate.

Infelizmente, o curso de Filosofia da UECE está sofrendo da mesma perseguição que se alastra pelas nossas universidades aos professores e estudantes que atuam em defesa de nosso Estado Democrático de Direito, do caráter público e gratuito de nossas universidades e desses espaços como locais de livre discussão de ideias. A Anpof repudia essa perseguição e se coloca em irrestrita defesa da democracia, da universidade como espaço de livre debate que cultiva a existência da pluralidade de ideias e opiniões.

Canguilhem e a gênese do possível. Estudo sobre a historicização das ciências

canguilhem e a genese do possivel capa

Este livro é o testemunho da feliz redescoberta de Georges Canguilhem pelos historiadores. Ele não pretende comodamente encontrar um "lugar" para a obra de Georges Canguilhem nas "correntes historiográficas" do século XX. Ao contrário, ele busca questionar os lugares comuns historiográficos e a própria ideia de história da historiografia como distribuição e atribuição de obras e autores a lugares. Para Tiago Santos Almeida, a extensão do espaço historiográfico não se restringe a ou coincide com certa identidade assegurada pela inscrição institucional de um ofício. É precisamente essa identidade o que está em jogo neste livro, na medida em que ele busca interrogar o pensamento historiográfico do século XX a partir de sua exterioridade, a partir de uma análise rigorosa e minuciosa da obra – inédita e publicada – dessa figura intelectual que os historiadores sempre localizaram no exterior de sua disciplina. Uma história da exterioridade historiográfica. Uma história do pensamento do fora da história. E a história da concepção ou da teoria da história de Georges Canguilhem nos permite não apenas pensar de outro modo a história da historiografia e da historiografia das ciências daquele período, mas também repensar de maneira mais complexa sua própria definição e seu estatuto na paisagem cultural contemporânea.

Marlon Salomon (Faculdade de História - UFG)
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No “frescor” que traz à literatura sobre a chamada epistemologia histórica (ou história epistemológica) francesa e um de seus maiores expoentes, este estudo permite ver com mais clareza o sentido ético da obra de Canguilhem. Esse sentido ético e suas implicações práticas e políticas têm, até aqui, permanecido relativamente invisíveis, à sombra dos importantes construtos histórico-epistemológicos e da cuidadosa fundamentação teórico-metodológica da obra mais conhecida de Canguilhem. Porém, e tomando de empréstimo uma consagrada imagem de Paul Ricœur (a propósito de outros temas e personagens), podemos dizer que Canguilhem toma essa “via longa” da rigorosa pesquisa histórico-epistemológica para levá-lo do seu ofício de professor e pesquisador das ciências da vida e da medicina até uma tomada de posição (política) que revela o ethos emancipatório, no sentido kantiano, que segundo Foucault, é uma marca da obra de Canguilhem.

José Ricardo de C. M. Ayres (Departamento de Medicina Preventiva - USP)

Link para o livro:
https://www.liberars.com.br/canguilhem-e-a-genese-do-possivel-estudo-sobre-a-historicizacao-das-ciencias

Marx e o Fetiche da Mercadoria: Contribuição à Crítica da Metafísica

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Marx e o Fetiche da Mercadoria: contribuição à crítica da Metafísica mostra como o fetiche da mercadoria é uma continuidade do fetiche da religião e da metafísica criticado por Marx em sua juventude. O livro mostra como o mundo moderno da mercadoria continua a história das duplicações e das fantasmagorias da religião cristã e da metafísica, tais como aquém e além, relativo e absoluto, essencial e não essencial, humano e divino, mundano e sagrado, ao produzir o dinheiro como o Deus do mundo da mercadoria e uma cultura alienada, fetichizada e reificada correspondente à devoção mística e religiosa deste novo Deus. (Jadir Antunes).

  • Capa comum: 408 páginas
  • Editora: Paco Editorial; Edição: 1 (2018)
  • ISBN-10: 8546212929
  • ISBN-13: 978-8546212927
  • Peso de envio: 499 g

Adquira em: https://www.amazon.com.br/Marx-Fetiche-Mercadoria-Contribui%C3%A7%C3%A3o-Metaf%C3%ADsica/dp/8546212929/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1542623108&sr=1-1&keywords=jadir+antunes

Comunidade científica e tecnológica se reúne com o futuro ministro Marcos Pontes

Parte I

Em encontro solicitado pela SBPC e outras entidades cientificas, ocorreu uma primeira reunião de representantes da comunidade de CT&I, em Brasília, na última quinta-feira, 6 de dezembro, com Marcos Pontes e sua equipe. Foram apresentados e debatidos os problemas mais urgentes e os desafios para o próximo governo para CT&I. Nesta matéria, o encontro é discutido e avaliado por alguns dos participantes. Na segunda parte dela, que deverá sair nos próximos dias, outros participantes se manifestarão. A SBPC está criando uma seção no seu portal para colocar as apresentações e relatos sobre a reunião.

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Prêmio Anpof - 2016

Durante o XVII Encontro, também foi concluído o processo de premiação da ANPOF de melhor dissertação e melhor tese defendidas no último biênio:

Dissertação de Mestrado:
Cassiana Lopes Stephan - UFPR
Título: “Michel Foucault e Pierre Hadot sobre a concepção estoica do si mesmo”
Orientador: André de Macedo Duarte coorientadora: Inara Zanuzzi

Tese de Doutorado:
Anderson Luis Nakano - UFSCAR
Título: A matemática das Philosophische Bemerkungen: Wittgenstein no contexto da Grundlagenkrise
Orientador: Bento Prado de Almeida Ferraz Neto

Menções Honrosas 


Dissertação de Mestrado:
Rafael Bittencourt dos Santos - UFRGS
Título: O ceticismo no Tratado da natureza humana: uma abordagem a partir da discussão sobre a distinção entre qualidades primárias e secundárias
Orientador: André Nilo Klaudat

Tese de Doutorado:
Fábio Mascarenhas Nolasco – UNICAMP
Título: A suspensão qualitativa da quantidade: A crítica de Hegel ao paradigma matemático da ciência moderna.
Orientador: Marcos Lutz Müller

Nota de esclarecimento à comunidade filosófica

Paulo Margutti

Graças à indicação de Ricardo Vélez-Rodríguez para ocupar o cargo de Ministro de Educação no governo de Jair Bolsonaro, foi ressuscitado um antigo texto dele de 2009, intitulado Quem tem medo da filosofia brasileira? Nesse texto, ele defende uma teoria conspiratória segundo a qual os antigos ativistas da Ação Popular Marxista-Leninista, sob a proteção do Pe. Vaz, teriam recebido das mãos do general Rubem Ludwig a diretoria dos conselhos da Capes e do CNPq na área de filosofia em troca do abandono da luta armada. Com isso, a direita teria sido excluída dos favores oficiais desde o período militar até os dias de hoje, principalmente em virtude do patrulhamento ideológico exercido pelos ativistas de esquerda, que passaram a dominar a Capes e o CNPq. Isso tudo teria contribuído para um estranho fenômeno de colonialismo cultural, em que todo interesse pelo estudo do pensamento brasileiro ou pela consolidação de uma filosofia nacional teria sido progressivamente extinto.

Mas, segundo Vélez-Rodríguez, a retaliação dos burocratas de esquerda contra os estudiosos da filosofia brasileira não teria conseguido desestimular as novas gerações, que continuaram firmes em seu propósito. Para ilustrar essa afirmação, ele cita cinco iniciativas que teriam sobrevivido a essa retaliação. Entre elas, consta o que ele denominou “Núcleo de Estudos de Filosofia Brasileira da UFMG”, também ligado à Faculdade Jesuíta de Filosofia. Na verdade, trata-se do Grupo de Estudos de Filosofia do Brasil (Grupo Fibra), que começou a atuar na UFMG sob minha coordenação em 2001 e, depois de minha aposentadoria nessa instituição, passou a atuar na FAJE, também sob minha coordenação até os dias de hoje.

Ora, no contexto da exposição de Vélez-Rodríguez, pode ficar parecendo não apenas que eu concordo com a teoria conspiratória por ele apresentada, mas também que organizei o Grupo Fibra em resposta à tentativa de retaliação dos burocratas de esquerda contra os estudiosos da filosofia brasileira. Isso definitivamente não é verdade, em virtude dos motivos que seguem abaixo.

Primeiramente, não encontro em lugar algum evidência que possa comprovar a teoria proposta. Não consigo sequer imaginar que o general Rubem Ludwig, ocupando o cargo de Ministro da Educação entre 1980 e 1982, num regime militar autoritário todo poderoso, estivesse tão temeroso do poder de resistência de um suposto perigoso grupo de discípulos do Pe. Vaz a ponto de oferecer-lhes a Capes e o CNPq em troca do abandono da luta armada, principalmente porque a guerrilha já tinha sido derrotada no país desde 1975. Não consigo também imaginar que o Pe. Vaz, de quem fui aluno e de quem guardo saudosa e respeitosa memória, pudesse prestar-se a patrocinar uma manobra política desse naipe. Além disso, ele foi apenas o mentor da Ação Popular, nunca o líder da facção Marxista Leninista, surgida posteriormente em virtude de divergências ideológicas internas. Parece-me que a teoria conspiratória acima é obra de um pensamento desejoso, que procura explicar ideologicamente um fenômeno que tem causa bem mais simples: o comando da Capes e do CNPq na área de filosofia foi conquistado com base em excelência acadêmica e não em acordos políticos escusos.

Em segundo lugar, o Grupo Fibra e eu mesmo constituímos um contraexemplo à teoria conspiratória de Vélez-Rodríguez. Afinal de contas, durante muitos anos o meu projeto de pesquisa sobre filosofia brasileira foi apoiado pelo CNPq, sem qualquer restrição quanto ao assunto tratado. Esse apoio só terminou quando eu mesmo decidi não reapresentar meu projeto de pesquisa, abrindo vaga para algum pesquisador mais jovem e merecedor do mesmo tipo de estímulo que recebi por tantos anos. Se a filosofia brasileira estivesse sob a mira dos esquerdistas, como afirma Vélez-Rodríguez, isso não teria acontecido. Tal não é a situação nos dias de hoje, em que o futuro da CAPES e do CNPq se afigura sombrio, com os critérios de excelência acadêmica agora de fato ameaçados de substituição por uma visada ideológica.

Espero ter deixado claro que não compactuo nem com a teoria conspiratória de Vélez- Rodríguez nem com a ideia de que minha pesquisa em filosofia brasileira seja uma reação contra a retaliação dos militantes de esquerda às pesquisas nessa área. A única coisa que provavelmente temos em comum é o interesse pela filosofia brasileira e talvez esse seja o motivo por que fui incluído em sua lista. Mas a aproximação termina exatamente aí, pois sem dúvida nossos caminhos avançam em direções opostas. Como um dos 45 milhões de brasileiros que votaram contra o retrocesso que ameaça o país, sinto-me na obrigação de oferecer essa nota de esclarecimento à comunidade filosófica brasileira, para evitar qualquer mal entendido em relação a como vejo essa questão.

Lições de Filosofia da Religião (Grupo de Pesquisa em Filosofia da Religião UnB)

Lições de filosofia da religião

Marcio Gimenes de Paula; Marcos Aurélio Fernandes (Orgs.)

O presente livro é fruto do esforço didático de quatro professores do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília que, na condição de participantes do Grupo de Pesquisa em Filosofia da Religião da UnB dessa universidade, apresentam aqui lições, dentro de suas respectivas especialidades, no intuito de colaborar com a pesquisa em Filosofia da Religião. Com efeito, o presente livro é fruto de alguns anos de pesquisa do Grupo de Filosofia da Religião da UnB e também revela, de modo significativo, a pluralidade de nossas abordagens e investigações ocorridas ao longo de mais de quatorze anos de pesquisa e organização. 

A publicação coletiva reúne trabalhos dos professores Agnaldo Cuoco Portugal, Marcio Gimenes de Paula, Marcos Aurélio Fernandes e Scott Randall Paine. O livro pode ser baixado em PDF gratuito no site da Editora Fi e, para os que assim desejarem, pode ser comprado em versão impressa: https://www.editorafi.org/468religiao

 

Anpof subscreve Manual de Defesa Contra a Censura nas Escolas

Embora o Projeto de Lei Escola Sem Partido ainda não tenha sido aprovado sequer em comissão na Câmara dos Deputados, perseguições e ameaças aos professores em sala de aula já são realidade. Em reposta, sobretudo aos ataques dos partidários do Escola Sem Partido, foi publicado nesta terça-feira (27/11) o Manual de Defesa Contra a Censura nas Escolas. Mais de 60 entidades e organizações assinaram o material construído coletivamente e a Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia é uma delas. O documento reúne estratégias político-pedagógicas e jurídicas para orientar os educadores em sala de aula. O material privilegia o enfrentamento político-pedagógico dos problemas em vez de soluções judiciais individualizadas.

Paralelamente a essa iniciativa, o grupo composto por essas entidades e organizações preparou um apelo ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que haja o julgamento sobre uma lei estadual de Alagoas inspirada no movimento Escola sem Partido e batizada por lá de Escola Livre. Assim, a ideia é que o STF se antecipe à votação na Câmara dos deputados, mas o julgamento, previsto para quarta-feira (28/11) foi adiado. O presidente da corte, ministro Dias Toffoli, incluiu outro processo na frente deste.

Em Alagoas esta lei foi supensa por decisão liminar do ministro Luís Roberto Barroso, ao ser considerada inconstitucional. Esse entendimento também é respaldado por parecer do Ministério Público Federal. A expectativa, assim, é de que o STF impeça este projeto de lei que tenta limitar o que o professor pode falar dentro da sala de aula.

Segundo levantamento do Movimento Educação Democrática, já houve ao menos 181 projetos de lei em Câmaras Municipais e Assembleias em todo o país com teor semelhante. Mas o objetivo do manual criado pelo grupo de entidades é apoiar professores que, mesmo sem legislações em vigor, já têm sido atacados ou constrangidos. Ele foi criado em torno de 11 casos reais de professores que foram perseguidos, intimidados ou assediados.

Acesse o material aqui:

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Crédito: Agência Câmara

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