Programa de Pós-graduação em Filosofia da PUC do Paraná
PUCPR
PUC do Paraná

O Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, vinculado à Escola de Educação e Humanidades e à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, teve sua criação aprovada pelo Conselho Universitário da PUCPR por meio da Resolução 44/2003 de 23 de Junho de 2003 e foi recomendado pelo Conselho Técnico e Científico da CAPES (MEC) em reunião nos dias 15 e 16 de setembro de 2003.
A história do PPGF, contudo, está ligada ao Curso de Graduação em Filosofia da PUCPR, que desenvolve suas atividades desde os primeiros anos da segunda metade do século XX. Deve-se, portanto, considerar o intervalo de 50 anos entre o início da Graduação (1953) e o reconhecimento pela CAPES do Mestrado. Um intervalo cuja história pode ser revisitada, considerando-se três momentos distintos.
O primeiro, do início das atividades do curso em 1953 até a criação do Departamento de Filosofia, em 1974, foi caracterizado principalmente pela formação em filosofia como uma preparação para a teologia. Nessa época, o corpo discente era composto em sua maioria por alunos oriundos de congregações religiosas e o corpo docente por membros do clero. O curso tinha uma conotação escolástica e as aulas se apoiavam principalmente em manuais de filosofia e em livros tradicionais de História da Filosofia.
O momento seguinte, que compreende a segunda metade da década de 70 e a década de 80, caracterizou-se pela presença de professores não-religiosos no curso e por uma maior participação de um público leigo nas aulas. Nesse período, especialmente na década de 80, a formação seminarística, predominante ainda no curso, teve uma nova orientação, acompanhando as tendências da Igreja especialmente aquelas ligadas à corrente intitulada Teologia da Libertação. É também dessa época o início de uma preocupação mais acentuada com a titulação dos professores, que passaram a realizar cursos de pós-graduação na PUCPR (lato sensu) e em outros centros urbanos (stricto sensu), principalmente em São Paulo, ampliando assim o horizonte dos temas abordados e conferindo novos contornos à idéia de estudo e ensino de filosofia. Este duplo movimento, de acompanhar as tendências da Igreja, por um lado, e de ampliar o diálogo com outros centros de formação em filosofia, por outro, teve reflexo nos conteúdos trabalhados no curso, que passaram a contemplar, ao lado dos temas clássicos, questões próprias à filosofia contemporânea, tais como o problema da existência, do poder, do sujeito e da linguagem.

O terceiro período, do início da década de 90 até os primeiros anos do novo milênio, foi marcado por uma presença ainda mais acentuada no trabalho com temas de filosofia contemporânea no Curso de Filosofia. É deste período também a consolidação progressiva do papel da pesquisa ao lado do ensino, bem como da inserção cada vez maior do corpo docente e discente do Curso no cenário nacional, por meio da apresentação de trabalhos em congressos e da participação em grupos de pesquisa sediados, em sua maioria, fora do Estado do Paraná. Estes traços são decorrentes tanto da manutenção da política de titulação do corpo docente quanto da contratação de novos professores, propositadamente dentro do perfil que se desenvolvia no curso. Em relação ao corpo discente, as mudanças se fazem sentir pelo surgimento do hábito de se apresentar trabalhos de pesquisa em eventos na PUC e fora dela. Deve-se notar que tais trabalhos decorrem do funcionamento de grupos de estudos, de PIBIC além de outras iniciativas que enfatizam a pesquisa em filosofia na PUCPR. Neste terceiro momento, marcadamente a partir de 1998, a tendência de reestruturação do Curso associando ensino e pesquisa, ganha corpo na reformulação do Projeto Pedagógico, realizada a partir das mudanças na legislação federal para os cursos de graduação (Nova LDB). O Curso que se apresenta a partir de então, tem como eixo central a História da Filosofia e se desdobra basicamente em duas linhas de pesquisas: Ética e Epistemologia. Nele, sem perder de vista a dimensão do ensino, especialmente de temas básicos da filosofia, o estudante é levado à pesquisa por meio de um rol de matérias que visam fornecer subsídios para a realização de investigações em filosofia, enfocando, de modo especial, a leitura e a produção de textos filosóficos. Como resultado deste esforço inicial, já no final do primeiro ano de graduação o aluno apresenta um projeto de pesquisa, que o acompanha durante todo o curso.
Como decorrência do trabalho realizado no curso de graduação e dos projetos de pesquisas que ali se desenvolveram, tem-se, a partir da virada do milênio, o funcionamento regular de cursos de especialização em filosofia com concentração em Ética e Epistemologia. Ocorre também nesse período o início da oferta das disciplinas de Ética e Epistemologia para outros mestrados da PUCPR, o que se apresenta como uma oportunidade para o aprofundamento dos estudos nessas linhas, bem como para o diálogo com outras áreas do conhecimento daqueles temas que vinham sendo amadurecidos na área de Filosofia.
A proposta de um mestrado em filosofia pela PUCPR, com duas linhas de pesquisa - Ética e Epistemologia - significou um desdobramento desse processo histórico e a continuidade das atividades ligadas à graduação, aos grupos de pesquisa, à pós-graduação lato sensu e ao diálogo com outras pós-graduações stricto sensu. Traduz, portanto, a tendência ao aprofundamento das pesquisas iniciadas na graduação, sustentadas pelos grupos de pesquisa e desenvolvidas nas atividades da pós-graduação (lato e stricto sensu).

Em seu primeiro triênio, 2004-06, o PPGF atuou no sentido de consolidar as linhas de pesquisa especialmente por meio do desenvolvimento de projetos de pesquisa. Ligados à linha de Ética foram trabalhados os seguintes projetos: Vontade e impulso, O liberalismo político e seus críticos, A concepção de virtude na Idade Média. Compuseram a linha de Epistemologia os projetos: Verdade e método; O pragmatismo e suas repercussões na epistemologia contemporânea. O PPGF, desde o seu primeiro triênio, optou por uma estrutura de projetos nucleares que oportunizasse o trabalho integrado de pesquisa e orientação entre os docentes do Programa. Cada projeto nuclear, estruturado pelas intersecções temáticas das pesquisas individuais dos professores, é coordenado por um docente e acolhe os trabalhos desenvolvidos no âmbito do PPGF: pesquisas individuais, orientações, realizações de eventos, organizações de dossiês em periódicos científicos etc. No decorrer desse primeiro triênio o PPGF estabeleceu uma sólida parceria com o Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUC-SP, o que tem resultado no intercâmbio de docentes, na organização de atividades em conjunto (por exemplo, o VII Congresso Sul Americano de Filosofia, em 2005) e na editoração em parceria da Revista de Filosofia Aurora. Destaca-se nessa relação com a PUC-SP, além de trabalhos conjuntos nas áreas de Lógica e Filosofia da Ciência, a publicação de livros e atividades de docência e pesquisa. Outra parceria produtiva que remonta ao momento inicial do PPGF, permanecendo ativa até hoje, foi selada com o Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UNICAMP, sobretudo em função da ligação dos docentes do PPGF da PUCPR com os professores desta IES. Dessa ligação – especialmente em função das pesquisas sobre Antropologia, Ética e Psicanálise – decorreram publicações de artigos, traduções, reedições de obras, editoração de revistas (Kant e.Prints), participação efetiva em grupos de estudos e pesquisas e organizações conjuntas de eventos e congressos.
Essa tendência de diálogo e trabalho integrado com outros Programas de Pós-Graduação, no Brasil e no exterior, foi intensificada no segundo triênio, 2007-09. Somente durante esse período, cinco professores do PPGF realizaram estágios de pós-doutoramento com duração de até um (01) ano em Universidades brasileiras e estrangeiras, marcadamente nos EUA e na Alemanha. Além disso, o PPGF passou a acolher professores visitantes para colaborar nas atividades de pesquisa e orientação. De setembro de 2008 a agosto de 2010, o professor Valério Rohden trabalhou como Pesquisador Visitante no PPGF da PUCPR.
No final do segundo triênio, com o objetivo de estruturar o Programa para atender as novas demandas de pesquisas e orientações do triênio vindouro, o PPGF promoveu uma reestruturação das suas linhas pesquisas com a criação da linha de Filosofia da Psicanálise e as mudanças das linhas de Ética e Epistemologia para, respectivamente, Ética e Filosofia Política, Ontologia e Epistemologia. Essa reestruturação, ao mesmo tempo em que fortaleceu o vínculo do PPGF na área de Filosofia Contemporânea, permitiu localizar com mais precisão filosófica os projetos de pesquisas na Área e, principalmente, fortalecer a integração dos trabalhos e pesquisas individuais dos professores do PPGF. Essas mudanças ocorreram, também, para responder às novas proposições de pesquisas desenvolvidas no âmbito do PPGF. Primeiro, em função da inserção de novos professores. No final do primeiro triênio (2006) integravam o corpo docente do PPGF 9 professores. Em 2009, o PPGF passou a contar com 13 professores, atualmente são 14 pesquisadores que compõem o quadro permanente de docentes. Além disso, essa reestruturação representa continuidade, pois nasceu como resultado do aprofundamento dos primeiros projetos pesquisas do PPGF. A linha de Ética - como já indicamos acima - acolhia projetos de Política e de Psicanálise desde a sua criação. Como, do mesmo modo, a Linha de Epistemologia também comportava pesquisas com as temáticas de Ontologia e Psicanálise. Em função da densidade e do impacto desses projetos pioneiros se estruturaram, como decorrência direta das pesquisas e orientações, a linha de Filosofia da Psicanálise e as Linhas de Ética e Filosofia Política, Ontologia e Epistemologia.
 Os 14 professores permanentes do PPGF atuam em 8 projetos (todos disponíveis na página do PPGF) distribuídos nas três linhas de pesquisa. Os projetos norteiam os trabalhos voltados para a pesquisa em filosofia e para a formação dos alunos matriculados no Programa, bem como de outras pessoas da comunidade interessadas em participar das atividades desenvolvidas pelo PPGF. Do ponto de vista da formação de recursos humanos o PPGF - considerando os seus dois primeiros anos de existência - titulou 69 Mestres em filosofia, cujas dissertações encontram-se disponíveis na página do programa. Aliada a essa vocação para orientar e formar Mestres, os professores do PPGF apresentaram durante os dois primeiros triênios uma consistente e relevante produção de pesquisas na Área de Filosofia, reconhecidas em traduções de textos e obras clássicas para o português, na publicação de livros, capítulos de livros e artigos nos periódicos ranqueados pela CAPES. O segundo triênio, portanto, foi marcado pela consolidação do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUCPR por meio de sua abertura e inserção no cenário filosófico nacional e internacional.
Durante o triênio 2010-12 e até a vigência do atual, o PPGF teve como foco a internacionalização, o intercâmbio com outros PPGFs do país e o início do doutorado.
A internacionalização foi realizada a partir de várias estratégias: a primeira pelo incentivo do PPGF para a realização de pós-doutoramento no exterior. Quatro professores permanentes realizaram estágio pós-doutoral na Alemanha, na Espanha e na Holanda, sendo que um deles ministrou disciplina regular na Alemanha. Outra estratégia está associada à acolhida de professores estrangeiros. No período houve a presença de quatro professores visitantes, dos Estados Unidos (2011), da Alemanha (2010), da Itália (2010) e da França (2013). O Programa contou ainda, durante estes últimos três anos, com a presença de vários pesquisadores internacionais, em conferências, mini-cursos e nas edições do Congresso Nacional de Filosofia da PUCPR. A terceira estratégia de internacionalização está associada à publicação em revistas internacionais especializadas, como a Aut Aut – Rivista de filosofia e cultura, a Nietzsche-Studien, e a edição de livros, como Kant in Brazil, publicado nos Estados Unidos. Nesta mesma estratégia, podemos citar as iniciativas dos editores das revistas de filosofia do Programa, Revista de Filosofia Aurora e Estudos Nietzsche, na atração de vários especialistas internacionais para a composição dos dossiês de artigos. Há que ser ressaltada, ainda, a participação de professores do PPGF em universidades estrangeiras, tais como conferências na França, na Alemanha, na Holanda e na China, além de diversas intervenções e mini-cursos em universidades latinoamericanas.
Quanto ao intercâmbio com outras universidades nacionais, o PPGF da PUCPR, juntamente com os PPGFs da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) e da UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), realizou diversas atividades de pesquisa, por conta da aprovação de um PROCADE. Dessas parcerias, resultaram a permanência de nossos alunos nas universidades parceiras e vice-versa, missões de pesquisa por parte dos professores nas diferentes IES e a qualificação da produção bibliográfica. Além do PROCADE, outras atividades de intercâmbio com pesquisadores nacionais são frequentes, muitas delas financiadas por Projetos vinculados a Grupos de Pesquisa do PPGF ou de instituições parceiras.
Os dois enfoques do triênio 2010-12, do PPGF da PUCPR, até aqui sumarizados, estão diretamente associados à qualificação e ampliação do Programa com a abertura do Doutorado em Filosofia pela CAPES, em 2011. Em 2012 iniciaram as atividades oficiais do Doutorado, com a primeira turma. A partir desse momento a PUCPR passou a oferecer à comunidade formação completa na área de Filosofia: Licenciatura, Especialização, Mestrado e Doutorado. Nos últimos três anos, em razão dessa possibilidade de formação integral, o Programa ampliou consideravelmente sua atratividade, acolhendo também muitos mestrandos e doutorandos de IES de outras regiões do país. O Programa tem incentivado a ida dos doutorandos ao exterior pela modalidade de bolsa sanduíche, assim como sua participação em congressos no exterior. Além disso, desde a abertura do doutorado, o PPGF da PUCPR tem acolhido três professores pesquisadores para supervisão de estágio pós-doutoral. Atualmente, nosso Programa conta com 39 doutorandos e 54 mestrandos.
O PPGF da PUCPR tem participado assiduamente das Associações da área da filosofia, como na coordenação e sustentação de GTs da ANPOF, nas comissões encarregadas da elaboração do ENADE, na avaliação do Prêmio Melhor Tese da CAPES, na consultoria da Fundação Araucária (órgão de fomento à pesquisa do Estado do Paraná). Há vários anos, também interage com a comunidade interna e externa. Internamente, os professores oferecem a outros PPGs da Universidade a disciplina Ética e Filosofia da Ciência e uma disciplina interdisciplinar com o mestrado em Bioética, intitulada Temas de Ética na ciência. A interação com a comunidade externa é realizada por meio da organização do Café Filosófico, em parceria com a Aliança Francesa, e dos Grupos de Estudos oferecidos pelo PPGF, que proporcionam o acesso informal e gratuito à pesquisa a qualquer pessoa interessada da comunidade.

Em 2013, no intuito de um diálogo mais intenso entre as Linhas de Pesquisa, o PPGF subdividiu cada uma delas em Núcleos de Pesquisa, os quais têm abrigado os projetos específicos de cada professor.
1 - Ética e Filosofia Política
Investigação de temas relativos ao agir humano, tendo em vista em especial a ética e a filosofia política, nos seus pré-requisitos até Kant e em seus desdobramentos nos séculos XIX, XX e XXI. Núcleos de pesquisa: Crítica à cultura: séculos XIX e XX, Liberdade e  Política, Filosofia da técnica.
Palavras-chave: ética, filosofia política, indivíduo, cultura, liberdade, governabilidade.
Grupo de sustentação: Prof. Dr. César Augusto Ramos, Prof. Dr. Cesar Candiotto, Prof. Dr. Jelson Roberto de Oliveira (coordenador), Horacio Lújan Martinéz.

2 - Ontologia e Epistemologia
Nesta linha desenvolvem-se estudos a respeito do ser e do conhecer de modo geral e de sua expressão na linguagem de modo particular.
Núcleos de Pesquisa: Verdade e método, Intencionalidade e representação mental, ontologia e subjetividade.
Palavras-chave: ontologia, epistemologia, subjetividade, representação e conteúdo mental, consciência, verdade e método.
Grupo de sustentação: Prof. Dr. Bortolo Valle (coordenador), Prof. Dr. Cleverson Leite Bastos, Prof. Dr. Ericson Falabretti, Prof. Dr. Kleber Bez Birolo Candiotto.  

3 - Filosofia da Psicanálise
Diálogo entre filosofia e psicanálise em três de suas acepções: a psicanálise considerada pela filosofia como objeto de reflexão e crítica, na perspectiva analítica ou epistemológica; a convergência entre filosofia e psicanálise a partir de um campo de problemas que constitua objeto de interesse comum, como arte, política, religião, sociedade, etc.; a psicanálise como um campo de indução e renovação da problemática própria da filosofia, como inconsciente, vontade, representação, consciência, desejo etc.
Núcleos de Pesquisa: a Psicanálise e seus pressupostos, a psicanálise e seus desdobramentos.
Palavras-chave: filosofia, psicanálise, representação, inconsciente, vontade, desejo.
Grupo de sustentação: Prof. Dr. Daniel Omar Perez, Prof. Dr. Eládio Constantino Pablo Craia, Prof. Dr. Francisco Verardi Bocca (coordenador), Prof. Dr. Rogério Miranda de Almeida, Prof. Dr. Zeljko Loparic.

Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia Stricto Sensu
Prof. Dr. Ericson Falabretti

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