Toré dos Índios Xokó abre exposição “O Homem e o Rio”

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Ocorreu na noite de terça, 18, no Centro de Arte e Cultura J. Inácio, a abertura exposição “O Homem e o Rio”. O evento contou com a participação dos índios Xokó de Sergipe que, na ocasião, apresentaram o Toré, uma dança circular tradicional dos povos indígenas do Brasil. A exposição permanecerá aberta ao público até o dia 12 de novembro.

A exposição traz 18 imagens do rio São Francisco e, em especial, de duas comunidades ribeirinhas: a Comunidade Indígena Xokó, habitante primeiro das terras da Caiçara, situada às margens do rio São Francisco no município de Porto da Folha/SE; e a Comunidade Quilombola da Resina, localizada no delta do rio São Francisco no município de Brejo Grande/SE. Além disso, a exposição conta com textos de pensadores e depoimentos de membros das comunidades em tela, que analisam as relações históricas e atuais existentes entres as comunidades e o ambiente em que vivem.



De acordo com os organizadores, a iniciativa integra os resultados do projeto de pesquisa “Ética socioambiental nas comunidades tradicionais do Baixo São Francisco em Sergipe”, coordenado pelo Prof. Dr. Evaldo Becker, da Universidade Federal de Sergipe, e financiado pelo CNPq. As imagens são de autoria de Michele Amorim e Evaldo Becker. As esculturas em pedra do artista Ará. Já as molduras foram embelezadas por dois artesãos Xokó, Yatan e Inajar, que lhes imprimiram um visual peculiar a partir dos traços tradicionais de sua cultura.

Retratar as particularidades do povo sergipano foi o que motivou a confecção dos objetos artísticos apresentados na exposição. “O sentido foi de fazer uma arte além do decorativo, trazer um debate para os nossos dias sobre o povo indígena, ainda mais, a tribo Xokó com que tive um contato muito intenso e feliz. Embora, seja Alagoano de naturalidade, foi em contato com a tribo que me senti em casa”, explica o artista plástico.  

O efeito deste tipo de representação no pensamento filosófico fica evidente ao conversar com aqueles que apreciaram o evento. “Não acredito em uma mudança de perspectiva sem se colocar no lugar do outro, sem pisar onde o outro pisa, entrar em contato com a cultura do lugar. É este tipo de contato que permite a geração da reflexão” relata a doutoranda em filosofia Lara Sayão.   

Cacique guerreiro, Pajé curandeiro

Outro ponto alto do evento ficou por conta do cacique Bá e seus guerreiros que apresentaram sua dança sagrada: o Toré. Durante a dança, os 14 representantes da tribo soavam como uma nação inteira, tamanha a intensidade e concentração dos movimentos que eles executavam. Entre os cânticos, alguns imitavam os sons dos pássaros e outros animais do Baixo São Francisco.

Além do aspecto cultural, o Toré também possui uma importância política, por representar a resistência da tribo em frente aos seus algozes da modernidade. "Fomos perseguidos e maltratados, mas hoje possuímos terra, que podemos plantar e colher, e também ter liberdade. O que nos resta agora é fortalecer a nossa cultura”, desabafa o Cacique.  

O mestrando Rocélio Alves, que está participando pela primeira vez da Anpof, se diz maravilhado com as apresentações dos grupos culturais. "Aqui não é só uma expressão artística, mas também uma forma de resistência. São grupos que fazem parte daqui e que lutaram para ter isso reconhecido, em poder expressar sua identidade", explica Rocélio.

Parafusos

O grupo folclórico Parafusos, da cidade de Lagarto, que fecho a atividade cultural de ontem, tem no seu contexto histórico a resistência dos negros a escravidão. Com as freqüentes tentativas de fuga, perceberam nas saias de renda irlandesa das Sinhazinhas um modo de escaparem das mãos dos escravocratas. Através do disfarce, com várias rendas cobrindo o corpo todo e o rosto pintado de barro tabatinga, os escravos assustavam os senhores do local em que viviam, em época de lua cheia, possibilitando assim a sua fuga.

A forte crença em espíritos fazia com que os caçadores do mato e os senhores de engenho desistissem de procurá-los. O padre José Saraiva, ao ver uma das apresentações, depois de libertos, em gozação aos senhores de engenho, resolveu denominá-los de Parafuso, começando assim a tradição. "O grupo existe há mais de cem anos e estamos resgatando os nossos valores culturais quando nos apresentamos para que outras pessoas conheçam a nossa história", afirma o mestre do grupo, Eder Santana.

Por: Alisson Castro e Ellen Moreira (Monitores de Comunicação)
Profa. Michele amorim Becker (Coordenadora da Monitoria de Comunicação da ANPOF)

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