Em entrevista, Fernando Costa Mota (UFABC), fala sobre a opressão política refletida na violência policial e a necessidade de desmilitarização

Na manhã desta quarta-feira, 19, no auditório 1, localizado na didática 6, da Universidade Federal de Sergipe (UFS) aconteceu a conferência sobre perfil e avaliação da produção de livros na área de Filosofia. Na oportunidade, o professor e pró-reitor de Assuntos Comunitários e Políticas Afirmativas da Universidade Federal do ABC (UFABC), Fernando Costa Mota, um dos convidados da conferência, concedeu uma entrevista sobre violência contra os estudantes, repressão política e desmilitarização da polícia.

Para o pró-reitor, a atual conjuntura política influencia nas ações violentas da polícia militar (PM), principalmente nas ações contra os estudantes. Ele relembra o caso de Deborah Fabri que, ao participar de um protesto político em São Paulo, foi atingida por policiais militares e perdeu a visão do olho esquerdo. “Por relatos de pessoas que estiveram em todas as manifestações, a repressão da polícia na segunda e na terça foi menos pesada e violenta do que na quarta (31 de agosto) no dia em que ocorreu o impeachment. Uma hipótese para isso seria que no momento em que ocorre o impeachment, as tropas da PM se sentiram empodeiradas e foram mais enérgicas contra os estudantes”, afirma o pró-reitor.

Fernando Costa diz ainda que uma desmilitarização da polícia seria uma medida eficiente para que essa violência diminua. “A polícia sendo militar, o tipo de treinamento que ela recebe, a cultura que os policiais são formados são forças que se preparam para situações de guerra. Então, você tendo esse tipo de força para combate de proporções maiores contra a população civil é um problema sério. Essa é uma bandeira que alguns grupos têm levantado que acho que vale a pena: a bandeira da desmilitarização”, aponta Fernando.

O Presidente da ANPOF, Marcelo Carvalho, através de nota publicada no site, repudiou em nome da associação e dos pesquisadores de Filosofia, o atual quadro de violência. Ele ainda alertou para o dever frente a esta situação: “É um dever de todos nós e de todas as instituições comprometidas com a tradição da democracia e da pluralidade construída nas últimas décadas, condenar a postura que tem sido adotada pelo Governo e pela Polícia de São Paulo”, afirmou o presidente.

Por Nathália Gomes (Monitora de Comunicação)
Profa. Michele Amorim Becker (Coordenadora da Monitoria de Comunicação da ANPOF)
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