Professores falam sobre possível retirada da Filosofia no ensino médio

A possibilidade de retirada da Filosofia, assim como de outras disciplinas da grade obrigatória do ensino médio, tem levantado questionamentos, principalmente por professores e graduandos da área. Essa possibilidade faz parte de uma Medida Provisória (MP) criada no governo Temer e desagrada quem se dedica ao campo da Filosofia. O tema está sendo trabalhado na ANPOF Ensino Médio.

Para o professor Antônio Carlos dos Santos, da Universidade Federal de Sergipe (UFS), essa medida prejudica a quem dedica sua carreira à Filosofia. “Esse assunto é bastante complicado e prejudica a nós, que já estamos no mercado de trabalho e a quem está cursando uma graduação no ramo da Filosofia”, conta.

Nelson Santana é estudante do 7º período de Filosofia da UFS e sente na pele esse anseio. “Quando eu sair daqui, se a Filosofia perder mesmo a obrigatoriedade, não haverá mercado de trabalho para mim, ou então será bastante reduzido”, comenta. O estudante vê essa MP como uma traição do governo, que em 2003 tornou o ensino da Filosofia obrigatório e em 2016 pretende tirá-lo. “Nós, estudantes de graduação em Filosofia, estamos nos organizando para analisar a medida e nos manifestar nas ruas”, enfatiza Nelson.

Segundo Marcelo Carvalho, presidente da ANPOF e professor da UNIFESP, “há um equívoco instaurar o ensino da Filosofia com obrigatório e agora querer tirá-lo, isso é uma péssima política pública”. Para ele, a Filosofia foi introduzida na grade do ensino médio com o intuito de trazer uma identidade que antes não existia; transformar o ensino, que até então era técnico, em um ensino para a vida. O presidente da ANPOF afirmou que a associação tem se posicionado fielmente contra a MP, como também contra possíveis cortes de verbas para pesquisas e pós-graduação.

Por Taís Cristina (Monitora de Comunicação)
Profa. Michele Amorim Becker (Coordenadora da Monitoria de Comunicação da ANPOF)


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