Conferência homenageia professora Maria das Graças de Souza (USP) pela tradução dos verbetes da Encyclopédie

No final da tarde da quinta-feira, 20, penúltimo dia do XVII Encontro Nacional de Pós-graduação em Filosofia (ANPOF), aconteceu a conferência “A Enciclopédia: a Suma da Razão”, organizada pelo professor do departamento de Filosofia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Antônio Carlos dos Santos, e proferida pelos docentes de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), Maria das Graças de Souza, Pedro Paulo Pimenta e Pedro Fernandes Galé; este último, a pedido do professor Luiz Fernando Batista Franklin de Matos, que o substituiu e declamou um texto de sua autoria.

De acordo com Santos, o objetivo da mesa é homenagear a professora Maria das Graças e o trabalho extremamente importante que foi o projeto de tradução dos verbetes da Encyclopédie, ou dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers. “Ao meu ver, a edição desses volumes é um marco nos estudos do século XVIII no Brasil”, enfatiza.

O projeto de tradução da enciclopédia iluminista de Diderot e d’Alembert surgiu em 2014 e é coordenado por Maria das Graças de Souza e Pedro Paulo Pimenta, com colaboração de Fábio Yasoshima, Luiz Fernando Batista Franklin de Matos, Thomaz Kawauche e Luís Fernandes dos Santos Nascimento e Fulvia Moretto. Em setembro de 2015, foram lançados cinco volumes que contam com 298 verbetes de 37 autores, já o sexto será lançado em 2017, sendo considerado o maior já editado fora da França.

A professora reservou sua fala a comentar o texto de apresentação do volume 1, em que ela afirma que “a enciclopédia das luzes não se limita a apresentar de modo imparcial os saberes, mas ela avalia e julga os conhecimentos da tradição segundo o critério da sua objetividade para o gênero humano”. Exemplo disso é a tradição religiosa que, segundo ela, é exposta, direta e indiretamente, “ao crivo rigoroso da crítica”. A ambição dos autores e editores, de acordo com Souza, é que a enciclopédia se torne uma espécie de santuário no qual os conhecimentos dos homens fiquem imunes ao tempo e às revoluções.

Partindo de ideais iluministas, esse compêndio deu relevância à razão e à ciência e em virtude disso foi atacado e censurado pelos poderes instituídos da época. Foi, portanto, com a ambição de compilar o conhecimento disponível até então que Denis Diderot e Jean le Rond d'Alembert, com a contribuição de diversos autores, como Voltaire e Rousseau, lançaram no século XVIII essa enciclopédia.

Por Grace Carvalho (Monitora de Comunicação)
Profa. Dra. Michele Amorim Becker (Coordenadora da Monitoria de Comunicação da ANPOF)




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