Lançamento de livro: Coleção Filosofia em Cordel - 2ª Edição

Foto da Coleção Filosofia em Cordel

2ª edição da Coleção Filosofia em Cordel, de  Lindoaldo Campos

Trata-se de uma caixa com 11 cordéis de cunho didático, elaborados com o propósito de contribuir para a realização das aulas de Filosofia (sobretudo no Ensino Médio) e de despertar o público em geral para algumas de suas mais expressivas temáticas.

Os títulos da Coleção são os seguintes:

Cordel nº 1 – Filosofia: o que é isso? (Origem - Fundamentos - Períodos - Temas - Pensadores)

Cordel nº 2 – Espanto: o começo de tudo – Os filósofos pré-socráticos

Cordel nº 3 – “Conhece-te a ti mesmo” – A filosofia de Sócrates

Cordel nº 4 – O Banquete – Platão

Cordel nº 5 – Diógenes, o cínico – O bufão da Filosofia

Cordel nº 6 – O Conhecimento (Platão - Santo Agostinho - São Tomás de Aquino - Bacon - Descartes - Locke - Hume - Kant)

Cordel nº 7 – Como filosofar com o martelo – O pensamento de Nietzsche

Cordel nº 8 – Ética 1 – A inaudita arenga de João Grilo, Padre Panécio e Chico Pança (Hedonismo - Ceticismo - Estoicismo - Epicurismo)

Cordel nº 9 – Ética 2 – A engenhosa palestra de João Grilo e o Juiz Feliciano Morais (Aristóteles - Bentham - Stuart Mill - Kant - Espinosa - Schopenhauer - Sartre)

Cordel nº 10 – Filosofia Política 1 – A nunca vista nem ouvida peleja de João Grilo e o Coronel Pereira (Aristóteles - Maquiavel - Karl Marx)

Cordel nº 11 – Filosofia Política 2 – O fabuloso triálogo de João Grilo, o Prefeito Tomás e Lúcio Mata-Borrão (Platão - Hobbes - Locke - Rousseau - Montesquieu)

 

A título ilustrativo, seguem as primeiras estrofes do Cordel nº 2 – Espanto: o começo de tudo – Os filósofos pré-socráticos

Às senhoras, aos senhores
A todos, por cortesia
Peço licença um instante
Pra narrar, em poesia
Do “direito” e do avesso
A história do começo
De nossa Filosofia
 
Ela vem da alegria
Que sentimos ao saber
Mas também da agonia
De pouca coisa entender
É anseio, estranheza
Porque nós, por natureza
 
O que devemos fazer?
Há destino ou liberdade?
A vida tem um sentido?
O que é mal e bondade?
Filosofia vem, portanto,
Do thaumazéin, o espanto
Perante a realidade
 
Em busca de uma verdade
Procurou-se explicação
Que não fosse pelos mitos
(julgados fabulação)
Nada de Mitologia
Pois tudo se explicaria
Só pelo logos (Razão)
 
Foi uma revolução
Que ocorreu no Ocidente
Seiscentos antes de Cristo
Na Grécia de antigamente
Quando uns “cabras” pensadores
“Arrocharam os motores”
Da força de sua mente
 
Não foi coisa de repente
Mas extensa caminhada
Nem foi um “milagre grego”
Porque “nada vem do nada”
Comércio, pólis (cidade)
Navegações, liberdade
Motivaram a jornada

...

Contato: lindoaldocampos@hotmail.com

Lançamento do livro: "POLITIQUE ET MORALE CHEZ FOUCAULT" de Monica Loyola Stival

9782343130170r

Dans la sphère anthropologique ou dans la sphère politique, la manière dont Foucault élabore sa critique reste attachée à la procédure critique qui l'empêche d'échapper à la dimension transcendantale de la synthèse. Cette exigence est contraire au « nominalisme en histoire » qu'il mettrait révolutionnairement en scène, selon Paul Veyne. Ce livre analyse, à partir de cet arrière-plan, la façon dont se définit, chez Foucault, le sujet du néolibéralisme, le sujet dans l'histoire et, finalement, le sujet moral.


Monica Loyola Stival est professeur au Département de Philosophie et Méthodologie des Sciences à l'Universidade Federal de Sao Paulo (UFScar), Brésil.

http://www.editions-harmattan.fr/index.asp?navig=catalogue&obj=livre&no=58441

Nota de falecimento do Prof. Etienne Tassin

É com imensa tristeza que anunciamos o falecimento do Prof. Etienne Tassin. Tragicamente, sua partida foi provocada por um atropelamento no centro de Paris quando o professor saia do Teatro no último sábado, dia 06/01. Embora tenha sido hospitalizado, faleceu domingo, dia 7/01. Pesquisador de grande prestígio e um dos maiores especialistas da atualidade na obra de Hannah Arendt, Etienne Tassin era sobretudo um intelectual generoso e engajado, um militante que mantinha com a política o laço estreito típico daqueles que prezam pela vida na companhia da diversidade. Em seu útimo texto, "Les justes de Calais", escrito e publicado em parceria com Camille Louis, a crise migratória européia é abordada sob a ótica da exceção que corrói o estado de direito ao utilizar o terrorismo como mecanismo cínico de legitimação da violência contra minorias.

Eram notáveis seus diálogos com pesquisadores da África e America latina, especialmente Colômbia, Argentina e Haiti. Além de receber pesquisadores brasileiros no grupo de que liderava em Paris, divulgava seu trabalho no Brasil desde 2013 com publicações e participação em eventos. Em junho daquele ano, publicou o artigo "Da dominação total à dominação global: perspectivas arendtianas sobre a mundialização de um ponto de vista cosmopolítico" na Revista Argumentos n°9 e esteve no Brasil por ocasião das Jornadas Internacionais Hannah Arendt, realizadas na Unicamp em novembro, quando proferiu a conferência de abertura "La triple aporie révolutionnaire: Comment continuer ce qui commmence?", publicada posteriormente no Dossiê Arendt dos Cadernos de Filosofia Alemã em 2016. Tassin também esteve presente na I Jornada Internacional de Filosofia da Educação, realizada na Faculdade de Educação da USP em 2014, tendo proferido uma palestra mais tarde publicada no e-book organizado a partir do evento. Sob o título "Educar o cidadão: que êxito esperar de um ofício impossível", o texto pode ser encontrado online no sistema integrado de bibliotecas da USP: http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/por.../catalog/book/157

Doutor em filosofia pela Universidade Paris VIII ("La phénoménologie de l'action et la question du monde: essai sur la philosophie de Hannah Arendt" - 1996), Etienne Tassin era professor da Université Paris VII - Denis Diderot desde 2003. Dentre suas publicações mais reconhecidas, destacam-se "Le Trésor perdu. Hannah Arendt : l’intelligence de l’action politique (Payot, 1999 ; rééd. Klincksieck, 2017)", "Un monde commun. Pour une cosmo-politique des conflits (Seuil, 2003)" e "Maléfice de la vie à plusieurs. La politique est-elle vouée à l’échec ? (Bayard, 2012)". Ainda há para este ano a previsão de publicação da obra: "Pour quoi agissons-nous ? Questionner la politique en compagnie de Hannah Arendt (PUF, 2018)".

Aos familiares, sua companheira Anne-Claude e seus filhos Louise, Jean, Marie, Iris e Lys, nossa solidariedade nesse momento de perda irreparável e nossa homenagem ao intelectual que contribui apesar de sua partida precoce.

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Lançamento de livro: "Marx, Espinosa e Darwin: pensadores da imanência" de Maurício Vieira Martins

 
 
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Marx, Espinosa e Darwin: pensadores da imanência discute como cada um destes pensadores buscou, certamente com diferenças substantivas entre si, instaurar um campo de investigação que não recorre a premissas transcendentes na abordagem dos fenômenos sob exame. Com efeito, Espinosa em sua crítica vigorosa ao imaginário teológico-político, Marx no rastro dos desdobramentos mundanos da Entfremdung (alienação) e Darwin em sua divergência com um pensamento criacionista milenar, podem ser vistos como instauradores de um novo campo de investigação. Não por acaso, cada um deles enfrentou resistências enormes das ontologias religiosas então predominantes. Em nosso século 21, que assiste a um surpreendente crescimento dos adeptos da teoria da Terra Plana, revisitar o pensamento destes clássicos nos fornece preciosos subsídios para o debate laico atual. 

 

SOBRE O AUTOR:
MAURÍCIO VIEIRA MARTINS é sociólogo, doutor em Filosofia, professor do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF) da Universidade Federal Fluminense, membro do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Marx e o Marxismo (NIEP-Marx) desta universidade. Pesquisa intencionalmente na interseção da Filosofia com as Ciências Sociais - e tem vários artigos publicados em revistas das duas áreas - por entender que a atual partilha dos objetos de investigação findou por produzir mais danos do que benefícios ao saber. Interessa-se em particular pela possibilidade de atualização e renovação do marxismo no mundo contemporâneo, daí o esforço por fazê-lo dialogar com outros saberes.

Pedidos : http://consequenciaeditora.com.br/loja/index.php?route=product/product&product_id=107

Lançamento de livro: A Teoria da Justiça de Immanuel Kant: Esfera Pública e Reconstrução Social da Normatividade

A Teoria Da Justiça De Immanuel Kant

"A Teoria da Justiça de Immanuel Kant: Esfera Pública e Reconstrução Social da Normatividade", Prof. Dr. Francisco Jozivan Guedes de Lima.

Neste livro o autor estabelece uma interlocução com filósofos de relevância no âmbito das teorias contemporâneas da justiça tanto no seu viés procedimental e deontológico como é o caso de Rawls, quanto no seu viés reconstrutivo da Teoria Crítica como será feito em relação a Habermas e a Honneth. As suas investigações pretendem reatualizar a concepção de justiça e publicidade em Kant a partir de uma reconstrução socionormativa; elas tencionam ir além dos limites metafísicos apontando, sobretudo, para a necessidade de uma moral social mitigada, de uma epistemologia social e de uma opinião pública entendida como um ponto de equilíbrio entre o formal e o empírico.

 

 

Lançamento de livro: Fernando Pessoa e Pascal, de Nuno Ribeiro e Cláudia Souza

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No espólio de Fernando Pessoa encontramos importantes documentos que mostram o impacto que a filosofia de Pascal exerceu no espaço literário e artístico do autor português. Pessoa não se restringiu somente a ler os livros e textos de e sobre o filósofo francês, como testemunham significativas referências bibliográficas presentes na Biblioteca Particular de Fernando Pessoa. Com efeito, o poeta e pensador português mergulhou com profundidade nos escritos deixados por Pascal, produzindo uma série de reflexões impulsionadas pelo pensamento pascaliano. A presente edição pretende, desse modo, dar a conhecer a recepção da obra de Pascal no espaço literário de um dos maiores autores do modernismo português.

 

 Para adquirir o livro acesse o link:
https://www.amazon.com/Fernando-Pessoa-Pascal-Portuguese-Ribeiro/dp/9896185697/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1516560804&sr=8-1&keywords=Fernando+Pessoa+%26+Pascal

NOTA SOBRE A EDIÇÃO DA “COLEÇÃO ANPOF XVII ENCONTRO”

Durante o ano de 2017 foram editados junto aos coordenadores de GTs os 22 volumes resultantes do XVII Encontro Nacional da ANPOF realizado em Aracaju. A previsão inicial era de lançar os livros ainda em 2017, mas por problemas no processo de edição dos mais de 600 textos e também na consecução dos respectivos ISBNs em dezembro, os volumes serão todos lançados em janeiro de 2018 com data de 2017. Agradecemos a compreensão e em breve compartilharemos os volumes com a comunidade.

Diretoria ANPOF

Lançamento de livro: "Filosofia hermenêutica" de Leandro Sousa Costa e Leonardo Nunes Camargo

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A hermenêutica é a área do conhecimento filosófico que tem o objetivo de proporcionar um rigor metodológico necessário às investigações desenvolvidas por pesquisadores de variados campos do saber. Nesta obra, você poderá explorar o universo hermenêutico e observar as principais discussões realizadas nessa esfera. Além disso, conhecerá argumentos e métodos propostos por diversos teóricos da hermenêutica.

Acesse: https://www.livrariaintersaberes.com.br/produtos/filosofia-hermeneutica

Lançamento de livro: A Odisseia de Platão: as aventuras e desventuras da dialética (2017)

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A Odisseia de Platão: as aventuras e desventuras da dialética, de Hector Benoit
Formato: 15x22,5 cm, 564 páginas
ISBN: 978-85-391-0872-5

 

Hector Benoit, fundador da Sociedade Brasileira de Platonistas, do GT Platão e Platonismo da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia e do Centro de Pensamento Antigo da UNICAMP, apresenta aqui o resultado de sua metodologia original de leitura da obra de Platão, primeiramente publicada no livro Platão e as temporalidades: a questão metodológica (Annablume, 2015). Em um estudo de fôlego literalmente homérico, Hector Benoit se propõe a reorganizar as folhas espalhadas pelos ventos de séculos de interpretação da obra platônica, recontando o percurso dos diálogos platônicos na ordem em que foram postos fenomenologicamente em um determinado tempo pelo próprio autor, revelando de maneira elegantíssima o projeto conceitual que está plasticamente escondido por trás da obra de Platão.

Gabriele Cornelli
Presidente da International
Plato Society (2013-2016)
Universidade de Brasília

 

SITES PARA VENDA: http://www.annablume.com.br/loja/product_info.php?products_id=2216&osCsid=ih6nkjj8p3h (EDITORA ANNABLUME)
                            
                                https://www.ciadoslivros.com.br/

CARTA ABERTA AOS CONSELHEIROS E ÀS CONSELHEIRAS DO CNE

Caros conselheiros, caras conselheiras,

Gostaria de me posicionar, na qualidade de alguém que participou como parecerista da primeira versão da Base Nacional Curricular Comum (BNC), quanto à presença do Ensino Religioso na mesma, no intuito de contribuir para a análise deste aspecto polêmico da proposta. O que se segue prescinde do debate sobre a legitimidade ou não da presença do ER no texto da BNC e na Educação Básica. (1)

O primeiro ponto sensível e problemático do ER na BNC é a ampliação da presença do ER no sistema de ensino que o texto acaba por pressupor ou induzir. Trata-se do problema da definição da carga horária, questão com relação a qual o CNE já se pronunciou por diversas vezes, atribuindo sua responsabilidade a Estados e Municípios, como no Parecer CNE/CEB nº 16, aprovado em 1º de junho de 1998. Através da BNC, o ER ganha, com uma canetada, aquilo que seus defensores jamais teriam sonhado conseguir pelas vias políticas usuais: a projeção de sua ampliação para os nove anos do Ensino Fundamental em todo o território nacional.

O segundo ponto diz respeito às exigências legais para a determinação do conteúdo curricular do ER. Constata-se, de imediato, a presença exclusiva de pareceristas ligados ao FONAPER (Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso), na equipe responsável pela elaboração do componente curricular do ER. (2)  Qual a justificativa para esta formação de equipe tão limitada e coesa? Não há nenhuma. A BNC não segue a legislação neste caso, uma vez que a reformulação do artigo 33, da LDB, pela lei nº 9.475/97 (22 de julho de 1997) afirma que “os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso” (grifo nosso). Como pode o MEC convidar apenas membros do FONAPER, uma entidade católica, para representar na BNC as diferentes denominações religiosas de todo o país? Seguindo a LDB, o mencionado Parecer CNE/CEB nº 16 ratifica que a carga horária do ER só pode ser determinada em cada sistema de ensino, consultadas as mais diferentes denominações religiosas, e outros pareceres do CNE reforçam a restrição da definição de conteúdo do ER às redes locais de ensino. (3)

Pelos motivos acima, constata-se que suprimir o ER da BNC é uma exigência legal, para além do debate sobre o mérito da existência ou não do ER no currículo da Educação Básica. Não fosse, contudo, a retirada do componente curricular ER da BNC uma exigência legal, seria necessário, no mínimo, reformulá-lo integralmente, se tomamos como base a última versão do texto apresentada. Vejamos.
Em primeiro lugar, explicito minha premissa de que todos os conteúdos e objetivos eventualmente razoáveis e importantes do ER que possamos encontrar no texto apresentado na BNC (e eles são poucos) deveriam ser antes trabalhados nos componentes curriculares de filosofia, história e ciências sociais. Se o objetivo do ER, tal como defende o texto da BNC, não é proselitista, não há nada que o ER possa acrescentar às diversas abordagens antropológicas, sociológicas e filosóficas acerca do fenômeno religioso, enquanto proposta de reflexão, discussão, sensibilização, etc, visando a compreensão desse fenômeno e o respeito à diversidade. Mas a brevissíma apresentação que faço, a seguir, dos conteúdos e objetivos do ER não entra no mérito dessa questão. Destaco somente, através de alguns exemplos, o enorme grau de generalidade e vagueza dos conteúdos e objetivos oferecidos como componente curricular ER. Logo nos primeiros objetivos, lemos:

« CHER1FOA001  Perceber-se como pessoa dependente de outras pessoas e das relações que se estabelecem no coletivo familiar, escolar, na instância religiosa, comunitária e no meio ambiente. »

« CHER1FOA002  Reconhecer que o ‘eu’ estabelece relações com a natureza e com a sociedade mediadas pelo corpo, pelas linguagens e pelas especificidades histórico-sociais. »

« CHER1FOA003  Reconhecer-se como membro de um núcleo de convivência familiar e de organizações sociais, onde coexistem diferentes corporeidades, identidades, crenças, práticas, costumes, etc. etc. etc. »

Note-se que os objetivos acima são direcionados ao primeiro ano do Ensino Fundamental. Essa proposta é evidemente inaceitável para um Estado laico que tenha o mínimo de cuidado com a formação básica de suas crianças. Sua manutenção significa deixar espaço para todo o tipo de proselitismo. E esses objetivos vagos e generalistas não se restringem às crianças pequenas, eles reaparecem até no nono ano:

« CHER9FOA004 Organizar e projetar a própria vida na coletividade, considerando princípios éticos, estéticos, econômicos, políticos e socioculturais. »
Não é necessário continuar. Há, na quase totalidade do componente curricular ER, um alto  grau de generalidade e arbitrariedade que fala por si mesmo. Ainda quando aborda o conteúdo stricto sensu religioso, encontramos formulações como: 

« CHER7FOA006  Reconhecer que doutrinas religiosas embasam a manutenção de cosmovisões religiosas e a transmissão de seus conteúdos. » (!)
Pelo exposto, somos de parecer que a proposta do ER da BNC é teórica e pedagogicamente descabida, além de não obedecer aos dispositivos legais, incluindo aqueles emanados do próprio CNE. Manter o ER na BNC, ao menos tal como formulado até aqui, é um desrespeito à inteligência e à boa fé de todos os brasileiros e todas as brasileiras; é atentar contra a responsabilidade do Estado no que toca à oferta de um ensino público de qualidade, laico e gratuito, tal como determinado pela nossa Constituição.

Atenciosamente,

Filipe Ceppas (parecerista da BNC, 1ª versão)
Professor adjunto da UFRJ (FE / PPGF)
Professor colaborador no PPFEN-CEFET 
Coordenador do NuFFC e do LEFGB http://lattes.cnpq.br/9172119452015896
cel (21) 99466 2669   

Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2017
 
*

[1] Quanto à esta questão, entendo ser discutível a tese de que, prevista em lei a oferta obrigatória (com matrícula opcional) do ER na Educação Básica, seja forçoso inserir também tal conteúdo curricular no texto da BNC. A inserção do Ensino Religioso no currículo foi vitória de lobby, pressão política e estratégias oportunistas de um grupo pouco representativo dos grupos religiosos nacionais e da sociedade brasileira em geral, e entendo que devemos pressionar de todas as formas possíveis para retirar totalmente esta “disciplina” do currículo da escola pública, laica e gratuita. Para uma exposição sintética dos argumentos que subsidiam essa posição, ver o manifesto “Laicidade e Educação Pública: em Defesa da Aplicação Integral dos Limites Constitucionais ao Ensino Religioso nas Escolas Públicas Brasileiras”, disponível em http://cedes.preface.com.br/dl/1IAKWzTA0_MDA_8ca2d_ Ver, ainda, Luiz Antônio Cunha (2014), Hegemonia e confronto na produção da segunda LDB: o ensino religioso nas escolas públicas. Pro-Posições, 25(1), 141-159, disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-73072014000100008&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

[2] Ver Luiz Antônio Cunha, “A Entronização do Ensino Religioso na BNCC”, disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v37n134/1678-4626-es-37-134-00266.pdf

[3] O parecer CES 1.105/99, por exemplo, menciona "a conseqüente impossibilidade de definir diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores para o ensino religioso e critérios de avaliação dos cursos que não discriminem, direta ou indiretamente, orientações religiosas de diferentes segmentos da população e contemplem igualmente a diversidade de conteúdos propostos pelos diferentes sistemas de ensino." Aqui, é preciso levar em conta não haver diferença prática significativa entre fornecer conteúdos para a formação dos professores do ER e oferecer conteúdos e objetivos curriculares para toda a Educação Básica.

 
 

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