Anpof em Movimento - Afroperspectividade: por uma filosofia que descoloniza

ANPOF EM MOVIMENTO - 20.11.2017 (Dia da Consciência Negra)

O prof. Dr. Renato Noguera, do departamento de Filosofia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, falou no dia 14/11/2017 no Auditório da Unifesp sobre "Afroperspectividade: por uma filosofia que descoloniza". Trata-se da possibilidade de um trabalho de filosofia que formula conceitos a partir das tradições indígenas e afro-brasileiras. Para isso, recorre a figuras como a mãe de santa e conceitos como de drible. Ele ainda faz um balanço da aplicação da lei 10.639, que prevê ensino das culturas e histórias indígenas, africanas e afro-brasileiras em nossas escolas.

Acesso ao vídeo no link: https://www.youtube.com/watch?v=ybzlhKESsdo&feature=youtu.be

Dia mundial da filosofia: a sua necessidade diante de um tempo cheio de perigos e esperanças

Neste dia 16 de novembro celebra-se o Dia Mundial da Filosofia da UNESCO. Apresentamos, neste dia, três textos que reforçam a importância da Filosofia em nosso mundo e também os desafios contemporâneos. O primeiro texto é uma carta do Ex-Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Federico Mayor, no qual ele indica a importância do papel da Filosofia para compreender o presente e construir a sociedade do amanhã. Através de seu patrimônio mundial, de sua capacidade educacional de formar seres capazes de julgarem por si e nutrindo a esperança de sermos livres.

O segundo texto, de Agemir Bavaresco (PUCRS), consiste em uma análise dos estudos da Unesco que, em 2007, publicou um informe sobre o ensino da Filosofia denominado: A Filosofia, uma escola de liberdade (2007). Este estudo é o resultado de um questionário, composto de questões qualitativas e quantitativas da situação do ensino da Filosofia entre os 192 Estados membros da ONU. Nesta análise, ele indica a abertura progressiva da Filosofia com os problemas de nossas sociedades e o papel que ela tem na formação dos cidadãos. “Pois através de sua vocação crítica, ajuda a superar o etnocentrismo dogmático, os condicionamentos éticos, culturais e sociais para liberá-los ao diálogo intercultural”, comenta. Neste trabalho ele suscita questões e desafios e conclui que a Filosofia leva a compreender a complexidade do agir humano, depois, possibilita a aprender a linguagem racional universal, superando cristalizações históricas. “Para que esta função possa desenvolver-se, é necessária a liberdade acadêmica, a liberdade do ensino e da aprendizagem da Filosofia”.

Por fim, indicamos a leitura da “Declaração de Salvador a favor da Filosofia Salvador”, publicada em abril deste ano. A carta foi elaborada durante o I Encontro da Rede Iberoamericana de Filosofia, realizado em Salvador na Bahia. Neste documento reforça-se que a Filosofia é uma parte consubstancial de todas as civilizações, é uma escola para liberdade e para paz, e que deve ter um lugar específico e diferenciado no sistema educativo. Também se afirma não ser possível haver democracia sem cidadãos educados para pensar de maneira livre e autônoma e ainda a necessidade de haver sistema público de investigação e de criar espaços para que cidadãos tenham acesso à reflexão crítica e debate público. Por fim, o documento rechaça os cortes orçamentários que muitos governos iberoamericanos aplicam ao sistema educativo nos últimos anos e defende o cultivo e a difusão da Filosofia nas línguas portuguesa e espanhola, nas demais línguas hispânicas e dos povos originários.


Texto 1:
http://www.ufjf.br/pensandobem/files/2009/10/Uma-escola-de-liberdade-Federico-Mayor-%E2%80%93-ex-diretor-geral-da-UNESCO.pdf

Texto 2:
http://www.abavaresco.com.br/images/stories/filosofiaescoladeliberdade.pdf

Texto 3:
http://www.anpof.org/portal/images/Declarac%C3%A3o_de_Salvador_em_favor_da_Filosof%C3%ADa-PORTUGU%C3%8AS-ESPALHOL.pdf

Prêmio recebido por aluna do PPG da UNIFESP

Parabenizamos Sandra Regina Benato, doutora formada pela UNIFESP em 2017, por ter ganhado,  sob a orientação do Prof. Ivo Skandar, o prêmio de melhor tese de 2017 na categoria Tarjumán Novel -  sobre Ibn Arabi da MIA Latina (Muhiyydin Ibn Arabi Society Latina), órgão da Muhiyydin Ibn Arabi society de Oxford. Trata-se de prêmio outorgado pela mais importante instituição voltada aos estudos sobre Ibn 'Arabi no mundo.

Título da Tese: O despertar do Lótus. Terceira coisa e vivência de si em Ibn  'Arabi.


Segue o atalho para a página da instituição que outorgou o prêmio na internet.
http://ibnarabisociety.es/index.php?pagina=83&lang=&ms=editok

Lançamento do livro: Poder e representações da sexualidade na Grécia Antiga: Corpo, vida e os usos dos prazeres

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Acaba de ser lançado, pela editora Novas Edições Acadêmicas, o livro "Poder e representações da sexualidade na Grécia Antiga: Corpo, vida e os uso dos prazeres" do professor Leandro Alves de Martins Menezes.

"Neste estudo assumimos como objetivo a análise das relações de poder e representações da sexualidade na Grécia Antiga, a partir da utilização de documentos primários e das proposições teóricas de estudiosos como Michel Foucault, Friedrich Nietzsche e Pierre Vernant. A pesquisa tem enfoque nas diversas noções referentes ao amor e às relações com o sexo construídas pelo pensamento grego do período arcaico e clássico, incorporadas nas narrativas mitológicas e na literatura filosófica da época. Propõe-se refletir sobre os significados atribuídos às experiências sexuais, à relação com o corpo e com o prazer, com ênfase nas práticas dionisíacas."

Adquira o exemlar em: https://www.amazon.com/Poder-representa%C3%A7%C3%B5es-sexualidade-Gr%C3%A9cia-Antiga/dp/6202036249

 

O professor Leandro Alves de Martins Menezes também é autor do livro A trajetória das artes de governar em Michel Foucault

Lançamento do livro: "O que é lugar de fala?" de Djamila Ribeiro

 

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SINOPSE
Muito tem se falado ultimamente sobre o conceito de lugar de fala e muitas polêmicas acerca do tema têm surgido. Fazendo o questionamento de quem tem direito à voz numa sociedade que tem como norma a branquitude, masculinidade e heterossexualidade, o conceito se faz importante para desestabilizar as normas vigentes e trazer a importância de se pensar no rompimento de uma voz única com o objetivo de propiciar uma multiplicidade de vozes. Partindo de obras de feministas negras como Patricia Hill Collins, Grada Kilomba, Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, Sueli Carneiro, o livro aborda, pela perspectiva do feminismo negro, a urgência pela quebra dos silêncios instituídos explicando didaticamente o que é conceito ao mesmo tempo em que traz ao conhecimento do público produções intelectuais de mulheres negras ao longo da história. Em Aprendendo com o outsider within: a significação sociológica do pensamento feminista negro, Patricia Hill Collins fala da importância das mulheres negras fazerem um uso criativo do lugar de marginalidade que ocupam na sociedade a fim de desenvolverem teorias e pensamentos que reflitam diferentes olhares e perspectivas. Pensar outros lugares de fala passa pela importância de se trazer outras perspectivas que rompam com a história única.

 

DADOS
título: O QUE E LUGAR DE FALA?
isbn: 9788595300408
idioma: Português
encadernação: Brochura
formato: 12 x 16
páginas: 96
coleção: FEMINISMOS PLURAIS
ano de edição: 2017
edição: 

 

Lançamento do livro "Parvae Notitiae de Medio Aevo: Estudos de Filosofia Medieval"

Parvae Notitiae de Medio Aevo

Título: Parvae Notitiae de Medio Aevo: Estudos de Filosofia Medieval
Organizadores: William Saraiva Borges  e Sérgio Ricardo Strefling

Link (para baixar e/ou comprar): http://www.editorafi.org/187wiliam

Resumo: A obra organizada por William Saraiva Borges e Sérgio Ricardo Strefling reúne uma série de textos que foram apresentados e discutidos ao longo dos anos de 2016 e 2017, no Grupo de Estudos sobre Filosofia Medieval – um projeto surgido em 2003 e que está vinculado ao Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pelotas. A presente publicação vem na esteira de dois livros anteriores, também eles, reunindo textos emergidos do Grupo de Estudos. Parvae Notitiae de Medio Aevo traz a público trabalhos que são um reflexo do que é estudado e produzido pelo Grupo, reunindo contribuições não apenas de pesquisadores mais experientes, mas também de jovens que, com entusiasmo e disciplina, vão aprimorando suas pesquisas. Além de dar visibilidade à produção bibliográfica interna, as publicações oriundas do Grupo de Estudos sobre Filosofia Medieval pretendem ser um incentivo a todos que, na academia ou fora dela, desejam conhecer um pouco mais do interessante e singular pensamento filosófico produzido na Idade Média.

 

 

A ANPOF NO PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO E DO MATERIAL DIDÁTICO – PNLD

No último dia 17 de outubro o Ministério da Educação divulgou a lista instituições e entidades da sociedade civil aptas a indicar “especialistas a serem considerados na composição das comissões técnicas das edições de 2019 e 2020 do PNLD”. A diretoria da ANPOF tomou conhecimento no mesmo dia do fato de que a ANPOF não constava entre as “instituições e entidades da sociedade civil responsáveis pela indicação de especialistas a serem considerados na composição das comissões técnicas das edições de 2019 e 2020 do Programa Nacional do Livro e do Material Didático – PNLD”, conforme texto da portaria.

Contatamos no dia 19 de outubro a Coordenação Geral de Materiais Didáticos da Secretaria de Educação Básica solicitando que a ANPOF, que representa a área de filosofia no Brasil, constasse entre as entidades participantes do processo. Ainda que o PNLD 2019 abranja as séries iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) e o PNLD 2020 as séries finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), e a filosofia como disciplina apareça apenas no Ensino Médio, julgamos que deveríamos buscar nossa inclusão nesta fase não apenas para poder contribuir na concepção dos chamados “projetos integradores”, mas também para criar um precedente no sentido de garantir nossa presença na discussão do Ensino Médio.

No dia 26 de outubro recebemos correspondência da Coordenadora Geral de Materiais Didáticos, Mariana Almeida de Faria, informando que nossa solicitação foi acatada e que nossa presença no processo está assegurada não apenas nos PNLD 2019 e 2020 – como requisitamos, em acordo com a portaria –, mas também no PNLD 2021, quando deverá ser definida a comissão técnica que pensará o material didático para o Ensino Médio. É algo que comemoramos, mas é claro que, dada a fragilidade e a indefinição atual sobre a natureza da presença da filosofia no nível médio, não supomos que esta presença no PNLD 2021 esteja assegurada de uma vez por todas, mas temos o compromisso assumido pela atual Coordenadoria Geral de Materiais Didáticos e a possibilidade de disputar este compromisso no futuro.

O processo de seleção do livro didático foi alterado pelo MEC nesse ciclo atual do PNLD. Até a última edição, a avaliação do PNLD era atribuição de uma Universidade-sede rotativa, feita por professores especialistas reconhecidos e independentes. No último dia 30 de outubro o Ministério da Educação publicou uma nova portaria convocando professores interessados em participar como avaliadores do PNLD. Pretendem compor um banco de 600 avaliadores avulsos de todas as áreas que tenham ao menos mestrado e que receberão treinamento para participar diretamente da avaliação dos livros didáticos.

Algumas entidades consideram que as regras do processo são bastante vagas e que este novo formato retira das universidades a prerrogativa de avaliar os livros didáticos, abrindo espaço, ao mesmo tempo, para interferências políticas externas no processo de seleção do material. Consideramos que este risco é flagrante e que, de fato, o Ministério da Educação envolveu no processo várias entidades que podem abrir portas para o cerceamento da liberdade de ensino e da pluralidade na formação. Muitas entidades, como a própria ANPOF, ficaram inicialmente excluídas e as entidades acadêmicas que permaneceram tem sua capacidade de avaliação em sua própria área limitada pela presença de associações bastante suscetíveis a pressões políticas no sentido do cerceamento da liberdade de ensino e também pela extrema vagueza nos parâmetros que definirão quem de fato participará do processo.

Várias entidades, como a ANPED, consideram boicotar o processo, por sua falta de legitimidade. Em nosso caso, é algo que podemos debater. Não obstante, até para boicotarmos dependíamos de ser incluídos entre as entidades responsáveis pela indicação de especialistas para a comissão técnica. Também por isto, convocamos os professores da nossa área que possuem ao menos mestrado a se inscreverem para participar da etapa de avaliação pedagógica das obras inscritas no Plano Nacional do Livro Didático (PNLD) 2019. Os interessados terão até o dia 27 de novembro de 2017 para se inscrever (confira notícia na seção CLIPPING da página da ANPOF na internet).

Diretoria ANPOF 2017-2018

A favor de Butler e da liberdade, contra a violência!

Nota de repúdio à agressão sofrida por Judith Butler e Wendy Brown no aeroporto de
Congonhas em São Paulo em 10/11/2017

 

Recentemente vimos a diretoria da ANPOF manifestar-se em desagravo a uma petição  pública a fim de impedir a participação da filósofa no seminário "Os Fins da Democracia" promovido pelo Sesc Pompéia, em São Paulo, no início de novembro de 2017. Segundo a nota, estava em questão a “liberdade de pensamento” de pesquisadoras e pesquisadores que “desenvolvem um trabalho intelectual cuja premissa é a liberdade de pensamento, a possibilidade de crítica, e a capacidade de colocar em debate questões relevantes para o conjunto da sociedade”. Uma liberdade, conclui a nota, que se encontrava ameaçada “por grupos que pretendem impedir a vinda de Butler ao Brasil”. Diversas outras associações acadêmicas, como a Anpocs, a SBC e a Abraco, também se manifestaram em desagravo à petição pública.

Os grupos que associam a filósofa à decantada “ideologia de gênero” possuem uma articulação política que vem atacando intelectuais, professorxs, mas não apenas essxs. Longe de ser um conceito propriamente enunciado, trata-se de uma bandeira política que faz emergir um pânico moral em torno das discussões sobre diversidade de gênero dentro e fora das escolas, em nome da “família”, da "salvação das crianças". Uma bandeira erguida também contra o aborto sob a máscara da “defesa da vida”. Violência contra filósofas que se engajam com liberdade nas discussões políticas sobre essa questão não são recentes, como mostra o ocorrido em 6/08/2015, em audiência no Senado Federal sobre a possibilidade de legalização do aborto até a 12ª semana de gravidez. Na mesa de debatedores a convite da Comissão de Direitos Humanos (CDH), encontrava-se Márcia Tiburi, defrontada por um público majoritariamente contrário a sua presença, sendo frontalmente ameaçada por pessoas furiosas, ironizada por pastores, padres conservadores de batina e redes de televisão religiosas. Vimos nesta semana o retrocesso a essa questão com a PEC 181, chamada de Cavalo de Tróia, ao camuflar a proposta de criminalização total ao aborto sob o pressuposto de que "a vida começa desde a concepção", contrariando o texto constitucional, mas apesar disso já aprovada na comissão especial da Câmara dos Deputados.

O GT de Gênero da ANPOF, em 1/11/2017, ocupou o espaço da coluna da ANPOF, em texto intitulado “Para ler Butler como alvo e pensadora dos discursos de ódio”, detalhando os motivos raivosos que atacavam a filósofa em sua vinda e de como a própria teoria de Butler os detecta dentro da seguinte perspectiva: uma “rodada nova de violência colonial, na produção de precariedade, das massas de excluídos (exército de reserva sempre necessário para acumulação de capital), de “crises” que justificam ações sobre os corpos, pelo controle do tempo de trabalho, da reprodução sexual, do alimento, da água, enfim, de toda a rede de sustentação da vida, incluindo a memória, conhecimento e a cultura, e ataques do qual professores das redes públicas de ensino fundamental e médio já são alvo, como os relatos publicados aqui (https://apublica.org/2016/08/ameacas-ofensas- e-sindicancias/)”.

As poucas pessoas que acabam de atacar Judith Butler e Wendy Brown no aeroporto de Congonhas em 10/11/2017 pertencem ao mesmo grupo, utilizam os mesmos insultos, desta vez contra a notória filósofa norte-americana, sobre a qual pouco sabem e sobre cuja importante teoria para o momento, de amplo reconhecimento intelectual, ignoram. Butler, felizmente, foi recebida em Salvador, no teatro Castro Alves, em 5/09/2015, por 1.500 entusiasmadxs pesquisadorxs. O que mudou de 2015 para cá em sua recepção no Brasil? O que teremos pela frente? Respostas que fogem ao escopo desta nota, mas que mostra a diminuição diária de nossa liberdade e o avanço de uma ideologia – em sentido forte e crítico – que se alastra de uma maneira midiática planejada, tendo em vista levantar a poeira do ódio, obstruir a visão e elevar paixões violentas.

Há paralelos com um passado recente. Atacar filósofas e filósofos de maneira explícita, com ameaças físicas e verbais de extrema violência, como as que foram insufladas contra Marcuse no período em que lecionava na Universidade de San Diego, soavam ingênuas há poucos anos. Como pensar que um professor de filosofia amado por seus alunos, entre eles a militante black-panther Ângela Davis, pudesse ser frontalmente combatido pelo poderoso governador do Estado da Califórnia à época, Ronald Reagan? Quem poderia imaginar que a despretensiosa Judith Butler, corajosa e anti-estelar em sua aparência, pudesse precisar de tal proteção para tomar um simples voo no aeroporto de São Paulo? Devemos considerar a expressão de defesa assustada de Wendy Brown ao ataque como medida de reação possível?

Butler e a Teoria Crítica amparam as nossas reflexões sobre os tipos de violência que nos acometem no momento. É árdua a tarefa de pensar sobre os problemas de seu próprio tempo, mas enquanto buscamos ferramentas para compreensão de fenômenos tão intensos quanto surpreendentes, não podemos deixar de nos manifestar veementemente contrárixs a toda forma de violência física, verbal ou simbólica contra o pensamento filosófico que Judith Butler e Wendy Brown representam.

GT Filosofia e Gênero da Anpof
Professorxs e estudantes do PPGFIL/UnB

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