A descrição da experiência do corpo subjetivo na fenomenologia constitutiva de Husserl. Show all records where Título is equal to A descrição da experiência do corpo subjetivo na fenomenologia constitutiva de Husserl.
Adelar Conceição dos Santos Show all records where Autor is equal to Adelar Conceição dos Santos
PUC/RS Show all records where Instituição is equal to PUC/RS

O objetivo do presente trabalho é fazer uma aproximação inicial da abordagem da fenomenologia husserliana à experiência do corpo. Para tanto nos concentraremos sobretudo no texto do segundo volume das Ideias para uma fenomenologia pura e uma filosofia fenomenológica (1913-22), onde temos uma apresentação mais sistemática do problema da constituição do corpo próprio dentro do programa de investigação estabelecido pela fenomenologia transcendental. As investigações deste volume se detém na descrição da constituição dos elementos fundamentais do horizonte da experiência em geral, e é assim que nas análises da esfera da natureza material revela-se um traço fundamental: a dependência da experiência da coisa material (Ding) com relação ao corpo subjetivo. Isso porque, tudo o que diz respeito a sensação no sentido geral em que pode ser experienciado, -todo a coisa-real do mundo circundante-, encontra nele sua referência. Por isso o corpo é o -ponto de orientação zero- (Nullpunkt), ou seja, o ponto de orientação e referência sensorial a partir do qual todo dado no meu mundo circundante se constitui, precisamente, em meu entorno. Mas, para além disso, o que se diz do corpo estético como referência para a constituição da experiência da natureza material pode se estende para outros níveis. É assim que como correlato do mundo material, se constitui uma subjetividade que não é nem inteiramente corpo subjetivo nem coisa material. Explica-se assim que a corporeidade pode ser vista tanto do lado material quanto da sensação, e isto porque o corpo se constitui originariamente de maneira dupla. O corpo não é portanto apenas um objeto físico mas também suporte de todo complexo de sensações que remetem à natureza material e ao mundo anímico. Assim, a descrição do papel do corpo nos permite compreender como a experiência do corpo possui um estatuto peculiar na medida em que ele é, precisamente, o ponto de referência tanto dos objetos do mundo físico material, das meras coisas (Ding), porquanto é ele também um -corpo físico- (Körper), quanto por outro lado dos objetos do mundo anímico, portanto de coisas (Sach) portadoras de um sentido que remete a um -corpo vivo- (Leib), que não é apenas coisa material mas também uma unidade subjetiva que posso referir como portadora de um eu psíquico e psicofísico. Nesta perspectiva, podemos dizer que a experiência do corpo descrita por Husserl nas Ideias II comporta: 1. a experiência do corpo físico (Körper), 2. a percepção do corpo vivo (Leib), e por fim, 3. a apreensão desse complexo de experiências como corporeidade (Leiblichkeit). Por fim, através destas descrições, procuraremos mostrar em que medida tais análises do corpo na fenomenologia constitutiva se situam no limiar entre a natureza anímica e a constituição da esfera personalista da consciência, ou seja, da referência propriamente dita a uma subjetividade.

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22/10/2018
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