A experiência do alheio e o problema da fenomenalidade pura enquanto tal: uma leitura de Michel Henry à quinta meditação de Edmund Husserl. Show all records where Título is equal to A experiência do alheio e o problema da fenomenalidade pura enquanto tal: uma leitura de Michel Henry à quinta meditação de Edmund Husserl.
Symon Sales Souto Show all records where Autor is equal to Symon Sales Souto
UFSM Show all records where Instituição is equal to UFSM

Edmund Husserl, a fim de encontrar um fundamento seguro cuja os alicerces de nosso conhecimento pudessem se estabelecer livre de pressupostos, colocou a existência efetiva do mundo exterior entre parênteses. Consequentemente, ego transcendental assume-se como condição essencial e necessária da prima filosofia, isto é, um fundamento seguro que além de possibilitar a solidificação dos demais conhecimentos, imputa-se como modo essencial de acesso para tal, haja vista que, tudo isto que vale para mim o é em virtude de minha consciência: é o percebido de minha percepção, o pensado de meu pensamento, o compreendido de minha compreensão, o -intuído- de minha intuição. A essência do fenômeno, sob esta perspectiva, caracteriza-se por uma descrição da estrutura invariável daquilo que é apreendido no plano empírico e constituído livre de pressuposições no plano transcendental, no entanto, ainda que ego transcendental seja o único a priori essencial, esta subjetividade monadológica depara- se com o outro que, apesar de ser constituído por ela, não o é em sua plenitude. Destarte, a fenomenalidade da subjetividade alheia é apenas mentada como existente por uma relação videre-mundum. Neste sentido, Michel Henry observa que a essência da subjetividade imanente é dependente do transcendente para vir a ser e, portanto, enseja seu veredicto: Husserl confundira os dois modos de aparição como sendo de uma mesma consciência intencional. O ponto chave de suas considerações, extraídas a partir do §7 de Ser e Tempo, se dá pela confusão ontológica entre aquilo que de alguma maneira se dá - phenomenon - e sua própria condição de ser - phaynesthai -. A vista disto, visando uma superação do monismo ontológico, Henry se debruça em responder se seria possível tratar da diversidade e -alteridade- do que vem à receptividade -aquém da unidade do fluxo dos vividos, da unidade monádica e da objetividade - sem cair nos perigos de uma subjetividade escrava da razão egológico-universal, bem como, sem aprisionar-se no solipicismo. Ademais, se a experiência do estrangeiro trata- se de uma transferência de sentido do ego cujo conhecimento é certo e indubitável para outro ser que se presentifica em sua esfera primordial de pertença, é válido inferir, por sua vez, que o outro é dependente de -minha- egoídade, logo, o -como- de fenomenalização da fenomenalidade subjetiva em si e por si mesma permanece, aos olhos de Henry, indeterminado. Eis pois, a singularidade e radicalidade de seu pensamento: seu objeto de elucidação fenomenológica é um convite para repensar de novo os fundamentos da fenomenologia à luz de uma nova concepção do campo transcendental como imanência radical de um Si que se afeta a si mesmo, e constitui, por esta via, a interioridade da vida egológica. Em suma, o problema da alteridade sob os moldes da relação ôntica-noemática não dão contam de decifrar deste uma ontologia, o que é o ser do homem. Para nosso filósofo, antes de passarmos pelo crivo da razão, já somos. Neste segmento, ego e alter-ego, mesmo antes da epoché, já são ser-com-o-outro na vida. Assim, defenderemos em consonância com o pensamento de Henry, que o sentido a alteridade pensado sob a relação de parificação acarreta, em última instância, na exclusão da essência do fenômeno outro, sendo preciso repensar uma nova fenomenologia capaz de falar do outro, da vida, sem com isso afastar-se do real, sem encarcerá-lo à subjetividade ou a uma constituição mediante emparelhamento, esquecendo-se da sua condição imanente: sua auto afecção de si na vida.

FENOMENOLOGIA E HERMENÊUTICA Buscar Grupo igual a FENOMENOLOGIA E HERMENÊUTICA
Dia 22 | Segunda | Sala 714| 14:30-15:00
CCJE
22/10/2018
FaLang translation system by Faboba