A existência no limiar silencioso do paradoxo: traços da antropologia pascaliana em Kierkegaard Show all records where Título is equal to A existência no limiar silencioso do paradoxo: traços da antropologia pascaliana em Kierkegaard
Jose da Cruz Lopes Marques Show all records where Autor is equal to Jose da Cruz Lopes Marques
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Estudos sobre as relações entre Pascal e Kierkegaard são ainda pouco frequentes entre os pesquisadores brasileiros. Tal fato chega a ser surpreendente considerando que há inúmeros pontos convergentes entre estes dois filósofos, ainda que separados tanto geográfica quanto cronologicamente. Pascal e Kierkegaard, como se sabe, são pensadores religiosos, autores cujos pensamentos floresceram a partir do solo da teologia cristã. Tal elemento já poderia justificar um diálogo entre o filósofo francês e o autor de Temor e tremor. Acrescente-se a isso o fato de Kierkegaard ter sido um leitor cuidadoso de Pascal, de quem conhecia, pelo menos, os Pensamentos e as Provinciais. Diante de tal cenário, o objetivo desse trabalho é estabelecer um diálogo entre Pascal e Kierkegaard tendo como referência a noção de Paradoxo. Nossa tese é que nos dois autores o Paradoxo não é apenas aquilo que identifica as questões próprias da esfera religiosa, mas uma característica fundamental da própria existência. Existir é sempre encarar a contradição entre a revelação e o mistério, entre a razão e seu limite, entre a angústia e a consolação, entre a finitude e a infinitude. Em suma, em Pascal e Kierkegaard o paradoxo teológico é também um paradoxo antropológico. É conhecida a máxima pascaliana segundo a qual o homem é a síntese da miséria e da grandeza. De fato, o pensador jansenista vê a própria razão como expressão do paradoxo existencial. Ela é, ao mesmo tempo, a marca da dignidade do homem em relação às outras criaturas e a expressão de seus limites. Em resposta à pergunta sobre o que é o homem, Pascal é bastante expressivo nos Pensamentos: -Que novidade, que monstro, que caos, que fonte de contradição, que prodígio? Juiz de todas as coisas, verme imbecil, depositário da verdade, cloaca de incerteza e erro, glória e rebotalho do universo- (PASCAL, 2005, p. 46). Esta compreensão antropológica será retomada no pensamento kierkegaardiano. Basta consideramos a definição de homem apresentada por Anticlimacus no início de Doença para morte: -O homem é uma síntese de infinito e de finito, de temporal e de eterno, de liberdade e de necessidade, é, em suma, uma síntese- (KIERKEGAARD, 1979, p. 318). Outro exemplo da condição paradoxal da existência em Kierkegaard pode ser encontrado na emblemática definição de angústia pelo pseudônimo Vigilius Haufniensis para quem a angústia é uma antipatia simpática e uma simpatia antipática-. Portanto, considerando esta noção comum, procuraremos aproximar os dois filósofos, tendo o cuidado, não obstante, de considerar eventuais pontos divergentes entre o filósofo francês e o pensador nórdico.

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Dia 22 | Segunda | Sala 14M| 15:00-15:30
IC4
22/10/2018
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