A Escola de massa e o eterno retorno do mesmo no Ensino de filosofia no Brasil Show all records where Título is equal to A Escola de massa e o eterno retorno do mesmo no Ensino de filosofia no Brasil
Wanderley José Cardoso Amorim Show all records where Autor is equal to Wanderley José Cardoso Amorim
PROF-FILO Show all records where Instituição is equal to PROF-FILO

O presente projeto de pesquisa surge em um momento de inquietação diante da crise instaurada atualmente na política do país e dos seus efeitos na educação. Parece estranho um trabalho na área educacional, voltado para o ensino de filosofia, ser precedido por uma preocupação no campo político. Geralmente, a maioria dos trabalhos acadêmicos ou artigos sobre o ensino de filosofia no Brasil versam sobre as dificuldades de ensinar, a importância da filosofia para o ensino médio ou sobre temas filosóficos que podem ser adequados para a realidade do Brasil ou que consigam chamar a atenção dos alunos para a importância do pensamento crítico. Vale lembrar que a maioria desses trabalhos traz uma visão pessimista acerca do ensino de filosofia, permeada pelo desinteresse dos alunos pela disciplina e dificuldade dos professores em ministrar conteúdos filosóficos em sala de aula. Mas faz-se necessário, antes de um debate acerca do ensino, refletirmos sobre as origens que levaram as condições que a disciplina de filosofia possui hoje nas escolas brasileiras, uma vez que essas condições estão intimamente ligadas a decisões políticas e ideológicas voltadas para uma escola de massa. Nos mais de quinhentos anos de história da educação no Brasil, o ensino de filosofia ficou à mercê de decisões tomadas por políticos profissionais. Apesar das discussões entre intelectuais, especialistas, professores universitários, professores e alunos do ensino médio, a palavra final se concentrou e ainda se concentra nas mãos de uma elite política que sempre determinou os rumos da educação no país. Neste momento, depois de exatos oito anos da obrigatoriedade por lei do ensino de filosofia no ensino médio nacional e das tantas reformas pelas quais já passou a educação brasileira, mais uma mudança é sugerida e novamente querem retirar a obrigatoriedade da disciplina de filosofia; levando com ela as disciplinas de Artes, Educação Física e Sociologia. A história não pode ser contada, pois ainda permanece em curso, mas o enredo é o mesmo das reformas e dos reveses da educação brasileira anteriores, norteados por ideologias estrangeiras, discursos de crises econômicas, instrumentalização dos mais pobres para mão de obra barata e os sucessivos golpes que a democracia sofreu e ainda sofre por uma elite dominante que não tem interesse no desenvolvimento intelectual e critico do cidadão. A figura de Sísifo carregando sua pedra ao alto da montanha é a alegoria perfeita para ilustrar os reveses do ensino de filosofia no Brasil, permeado por idas e vindas, inconstância e por um trabalho quase improdutivo diante das situações que foram dadas aos professores, alunos e escolas para o ensino de filosofia. Diante desta situação, faz-se necessário repensar a história do ensino de filosofia no Brasil, suas constantes -crises- e sua relação estreita com a política. Proporcionar o debate sobre o passado e o momento que o ensino de filosofia perpassa atualmente será importante para lançarmos luzes sobre o futuro do pensar filosófico nas salas de aula das escolas brasileiras e sobre a necessidade de uma formação cidadã crítica da relação entre educação e política no país.

ENSINO MÉDIO Buscar Grupo igual a ENSINO MÉDIO
Dia 22 | Segunda | Sala 109| 13:30-14:00
CCJE
22/10/2018
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