A crítica formalista de Roger Fry sobre Amedeo Modigliani Show all records where Título is equal to A crítica formalista de Roger Fry sobre Amedeo Modigliani
Isabela de oliveira salinas Show all records where Autor is equal to Isabela de oliveira salinas
UNICAMP Show all records where Instituição is equal to UNICAMP

Essa comunicação tem como objetivo expor, a partir da crítica de Roger Fry sobre o artista italiano Amedeo Modigliani (1884-1920), alguns aspectos de sua interpretação histórico-filosófica do desenvolvimento da arte, principalmente, sua concepção da relação entre modernidade e a tradição como continuidade, em detrimento da noção de ruptura que marcou muitas das teorias sobre arte moderna. O inglês Roger Fry (1866-1934) foi um dos poucos críticos que se dedicou a examinar o estilo de Modigliani enquanto o artista era vivo. O primeiro ensaio em que trata das obras de Modigliani intitula-se Line as a mean of expression in modern art, de 1918 e início de 1919, portanto, apenas um ano antes do falecimento do artista. Ainda em 1919, Fry escreve outro ensaio para a revista, Desenhos no Burlington Fine Arts Club, no qual comenta o papel de Modigliani no desenvolvimento da arte moderna. Fry sugere que a revolução na arte que seu século testemunhava só foi possível pela libertação do artista de certas -regras- impostas à sua visão, estabelecidas desde a Renascença. O artista moderno, livre dessas imposições do que seria, por exemplo, o -desenho correto-, teria uma nova atitude frente à realidade, aceitaria mais da visão total. A consequência dessa libertação é a retomada da arte do desenho, do contorno linear. A noção de desenho estrutural vai estabelecer a relação de Modigliani com com artistas modernos de seu tempo. Os desenhos em aquarela de Modigliani, Caryatid e Retrato de Mlle. G., são introduzidos por Fry a fim de exemplificar um estilo marcado pela predominância desse elemento estrutural, colocando Modigliani na esteira dos desenvolvimentos modernos da arte, ao lado de artistas como Picasso e Matisse. Modigliani compartilharia com esses artistas das principais vanguardas francesas a atitude de considerar o desenho como um estouro quase inconsciente de uma experiência estética vívida e não como performance de técnicas, tal como na arte antes do Renascimento. Fry destaca elementos formais das obras de Modigliani que para ele são índice da adesão de Modigliani aos esforços modernos para se chegar aos princípios fundamentais da arte: a capacidade de reduzir cada forma a um denominador comum, a noção de plasticidade uniforme e invariável, uma concepção deliberadamente matemática da natureza da forma que, no entanto, não resulta na secura de uma forma com significados intelectuais abstratos. Seu comentário ecoa a base formalista de sua crítica, a importância dada à forma como qualidade mais essencial da obra de arte, linhas e cores seriam combinadas de um modo particular criando certas relações formais que suscitam a emoção estética. Fry é herdeiro das teorias formalistas de Fiedler, Wölfflin e Riegl, que prenunciam os princípios e irão orientar a crítica modernista do século XX. Tais teorias sobre a arte moderna delimitam sua especificidade e autonomia colocando em primeiro plano a potencialidade da forma.

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22/10/2018
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