A existência pacificada: Marcuse e a crítica a heteronomia introjetada Show all records where Título is equal to A existência pacificada: Marcuse e a crítica a heteronomia introjetada
Giovane Rodrigues Jardim Show all records where Autor is equal to Giovane Rodrigues Jardim
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-Hoje, a luta pela vida, a luta por Eros, é a luta política-. Esta afirmação com a qual Herbert Marcuse (1898-1979) encerra o Prefácio Político de 1966 à obra Eros e Civilização não só enseja a recusa organizada contra a sociedade administrada, como fundamentalmente reflete sobre o continuum ofuscamento das possibilidades históricas de uma organização social não repressiva. A crescente polarização das questões morais e sociais na sociedade brasileira, sobretudo no que concerne ao aplainamento do âmbito político e consequente paralisia da crítica em uma sociedade aparentemente sem oposição, fazem com que as perspectivas de Marcuse sobre o -homem unidimensional- sejam retomadas como atuais. Concomitantemente ao seu engajamento com os protestos estudantis no âmbito de uma luta mais propriamente imediata de revolta ou revolução, Marcuse nas obras Eros e Civilização e O Homem Unidimensional desenvolveu uma defesa da dimensão transcendente de potencialidades alternativas a sociedade existente, uma oposição dialética a uma realidade onde os seres humanos estão perdendo sua individualidade, sua liberdade, sua capacidade de diálogo e de fazer escolhas. Em um momento histórico em que tendências totalitárias retornam ao discurso corrente, em que o medo e a insegurança ensejam o questionamento de conquistas importantes como os direitos humanos, quando renovadamente os detentores do capital econômico manipulam os que nada possuem, quando o combate a corrupção também significa sua naturalização frente ao comodismo e a apatia mascarada por movimentos pseudo sociais, torna-se imperativo a retomada de pensadores como Marcuse. Neste horizonte, a presente investigação procura delinear a relevância filosófica, integrada a teoria social e a política, do Prefácio Político de 1966. Nesse escrito, Marcuse refuta a possibilidade de liberdade humana, e o pleno desenvolvimento de suas potencialidades, como resultado do progresso tecnológico da sociedade industrial avançada, e aponta para algo que contemporaneamente tem sido pontuado pelos chamados pensadores decoloniais, ou seja, a urgência de uma pacificação da luta pela existência, de uma nova relação entre seres humanos e a natureza nos termos de um modelo de vida mais simples que interrompa a produção de bens supérfluos e destrutivos. Na defesa de um modo de vida mais simples, que tem sido por exemplo uma bandeira política de luta do ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica, Marcuse rejeita a associação entre vida e produção, entre trabalho e repressão, atacando o obsoleto fundamento da sociedade administrada sobre um logos de dominação. Trata-se de uma luta política pelo estabelecimento de uma forma de vida e de conhecimento em que a ignorância e a impotência ¬ -heteronomia introjetada- ¬ não sejam mais o preço pago pelos seres humanos por sua aparente vida em liberdade.

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22/10/2018
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