A era da pós-verdade a partir do conflito entre a realidade e a percepção, sob a perspectiva da filosofia de Wittgenstein Show all records where Título is equal to A era da pós-verdade a partir do conflito entre a realidade e a percepção, sob a perspectiva da filosofia de Wittgenstein
Alexandre Ribeiro Martins Show all records where Autor is equal to Alexandre Ribeiro Martins
PUC/PR Show all records where Instituição is equal to PUC/PR

A pós-verdade é um tema de fundamental relevância à contemporaneidade. Uma prova disso é que, atualmente, o site de busca Google registra aproximadamente 3 milhões de páginas, em língua portuguesa, e quase 17 milhões de páginas em língua inglesa, relacionados ao tema. De acordo com o dicionário Oxford, a pós-verdade, eleita pelo mesmo como a palavra do ano em 2016, é um discurso relativo a circunstâncias em que fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que emoções e crenças pessoais, isto é, um discurso em que a realidade não condiz com a percepção. No entanto, discutir o fenômeno da pós-verdade como algo inédito, como propõem alguns autores contemporâneos que estudam este fenômeno, é um equívoco para a Filosofia. Ludwig Wittgenstein, filósofo do século XX, foi um dos pensadores que tratou da questão da verdade, de seu acesso e suas implicações no campo da linguagem e da mente. Inicialmente, em sua primeira fase, delineada a partir da obra -Tractatus Logico-Philosophicus- (1921), o filósofo vienense acreditava que, de alguma forma, o mundo interno identificava o mundo externo. Por isso, na figuração e no afigurado deveria haver algo de idêntico, a fim de que um possa ser, de modo geral, uma figuração do outro. Assim, a percepção corresponde à realidade, o que nos permite inferir que é possível o acesso à verdade. No entanto, em sua segunda fase, a partir das -Investigações Filosóficas- (1953), Wittgenstein abandonou esta identificação entre figurado e afigurado, para defender a impossibilidade desta relação, entendendo que, ao invés da lógica como modelo da realidade, a linguagem constitui-se como jogo, sem qualquer fundamento que garanta a sua validade. Assim, a suposta tensão existente entre a realidade e a percepção não é, de fato, um problema filosófico. Isto porque toda realidade não passa de uma forma de percepção, o que sustenta a hipótese deste trabalho, qual seja, a de que a pós-verdade e a verdade, a partir da filosofia de Wittgenstein são, em última instância, equivalentes.

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