"O filósofo, o retórico e a liberdade (eleutheria) no diálogo Górgias de Platão" Show all records where Título is equal to
Henrique Nascimento Guimarães Show all records where Autor is equal to Henrique Nascimento Guimarães
UFSCAR Show all records where Instituição is equal to UFSCAR

O trabalho pretende investigar o modo de vida defendido pelos retóricos interlocutores de Sócrates no diálogo Górgias, buscando entender o lugar que ocupa o valor da liberdade (eleutheria) e a exaltação do modo de vida do tirano que pode “fazer o que quer” indiferente ao postulado pela obediência às leis, marcada no diálogo pela defesa socrática da justiça (dike). O trabalho lê o diálogo a partir da questão formulada por Sócrates a Górgias: qual é a função (dynamis) da retórica (447c). Górgias, parece entender o bem garantido pela retórica como a liberdade e “ao mesmo tempo” domínio sobre os concidadãos (452d). A função, o poder e o bem garantidos pela atividade retórica norteará a argumentação retórica no texto, enquanto Sócrates defende, por sua vez, a filosofia como verdadeiro bem para o homem na cidade. O trabalho busca a unificação da argumentação dos interlocutores de Sócrates, para tentar entender o que seria essa atividade retórica, o que seria a liberdade e o que seria a virtude como domínio do outro. Para isso foi necessária a observação de elementos dramáticos do texto. A estratégia atual do trabalho é ver uma gradação de decisão pela franqueza (parresia) por parte dos retóricos diante de Sócrates. Isso permitiria explicar a sucessão dos interlocutores: polo sucedeu a Górgias na discussão dizendo que o mestre se envergonhara de dizer o que realmente pensa (461b), mas também polo parece sofrer da mesma paixão, ao menos é do que lhe acusa seu amigo Cálicles, que o sucede então (482e). A argumentação do diálogo mostra a retórica como atividade que coloca o homem livre de sofrer injustiça, e Sócrates leva seus interlocutores a reconhecer (mediante avanço da franqueza) que promover a justiça não está entre suas prioridades. O domínio do outro e a manutenção da própria liberdade dá lugar na fala de polo e Cálicles à defesa do modo de vida hedonista do tirano, que pode fazer o que quer, assim como há passagens que Cálicles coloca a obediência à lei como empecilho para felicidade do homem (484a). A retórica é colocada não como uma arte (tekhne), mas uma atividade cujo o cerne é a lisonja (kolakeia 463a-b). Sócrates, parece problematizar a liberdade que buscam através da retórica: o poder obtido do deleite dos ouvintes é mesmo um bem para quem o possui? Vemos na argumentação socrática uma crítica dessa liberdade defendida pelos retóricos apartada da franqueza. Porém, também para Sócrates é um mal sofrer injustiça (469c1; 480e; 509c), e a retórica é colocada no diálogo como atividade que livra o homem de ser injustiçado, impedindo, baseado no diálogo, destituir de toda importância a retórica defendida pelos retóricos.

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Dia 23| Terça | Sala 308|10:45-11:15
BW
23/10/2018
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