A defesa de uma interpretação cética das teses de Hume sobre a existência do mundo exterior Show all records where Título is equal to A defesa de uma interpretação cética das teses de Hume sobre a existência do mundo exterior
Carlota Salgadinho Ferreira Show all records where Autor is equal to Carlota Salgadinho Ferreira
PUC-RIO Show all records where Instituição is equal to PUC-RIO

No início de t 1.4.2, Hume mantém que I) se tem (must) de assumir a existência dos corpos e, de acordo com essa premissa, II) o investigador (da ciência do homem) deve procurar apenas as causas dessa crença, ao invés de uma resposta à questão de saber se existem ou não corpos, porque esta questão é vã. Talvez estas duas premissas possam ser traduzidas da seguinte maneira: I") é obrigatório assumir a existência dos corpos; II") o papel do investigador (da ciência do homem) relativamente a esse problema é o de procurar apenas uma resposta à questão de saber o que explica essa crença; II"") o investigador (da ciência do homem) não deve procurar resposta à questão de saber se existem ou não corpos, porque se tem de assumir essa premissa desde o início da investigação. Ainda assim, talvez se possa pensar que, no decorrer da mesma secção, as considerações de Hume podem fornecer uma resposta à questão de saber se existem ou não corpos – para além de responderem à questão de saber o que explica essa crença. Se esse é o caso, existem três respostas possíveis: a) existem corpos (realismo) b) não existem corpos (idealismo/fenomenismo) c) não é possível determinar se existem ou não corpos (ceticismo). J. Wright parece pretender representar a posição a) – mantendo que, pelo menos, a crença na existência dos corpos é justificada – e J. Passmore parece ser um dos representantes da posição b). De resto, autores como D. Norton ou B. Stroud empenharam-se em dar uma resposta mais eminentemente pragmática a esse problema: o que está em questão não é se existem ou não corpos, mas se se duvida (ou pode duvidar) disso; a resposta é que não. Será que esta posição pragmática está mais de acordo com a ideia de que a questão da existência dos corpos é vã? Onde se encaixa a ideia, se se pretender responder à questão da existência dos corpos? O meu objetivo é mostrar que 1) a resposta pragmática não é oposta à resposta cética, e 2) essa questão é vã porque a resposta mais adequada à questão de saber se existem ou não corpos, de acordo com as considerações de Hume em t 1.4.2., é a do ceticismo – portanto, que essa questão é vã porque não se pode saber se existem ou não corpos.

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Dia 23 | Terça | Sala 8|08:40-09:20
IC 3
23/10/2018
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