A concepção ciceroniana de história em de Republica, II Show all records where Título is equal to A concepção ciceroniana de história em de Republica, II
Isadora Prévide Bernardo Show all records where Autor is equal to Isadora Prévide Bernardo
USP Show all records where Instituição is equal to USP

De Republica, II é um texto dialógico em que predomina a narrativa histórica. Por meio dele observamos uma concepção ciceroniana do curso da história. Há uma necessidade de ordenar o fluxo dos acontecimentos, por isso, por meio dela, conseguimos perceber como Cícero entendia o curso dos acontecimentos em Roma. Ao contrário do que pensa a tradição, não nos parece que Cícero entenda que o percurso dos acontecimentos seja circular. Dizer que a concepção do tempo na obra ciceroniana oscila entre uma visão circular e uma linear, ou que não é apenas uma ou outra, nos conduz a um problema aparentemente maior, pois não podemos afirmar que a tradição grega, indo-europeia, percebe o tempo como um círculo, e a tradição judaica como linear. Momigliano afirma que se alguém quiser entender algo sobre a real diferença entre historiadores gregos e bíblicos, a primeira precaução é tomar cuidado com a concepção circular de tempo. Seguindo Momigliano e o que ele argumenta sobre os filósofos e historiadores gregos, podemos também afirmar sobre Cícero, primeiramente, considera-se que: “até os filósofos gregos não são unânimes sobre isso [concepção circular do tempo]”. Ademais, ele assevera: “os filósofos gregos não são forçados pela raça ou pela língua a terem apenas uma visão de tempo. Nem mesmo os historiadores Heródoto, Tucídides e, claro, Políbio foram muitas vezes descritos como historiadores que tiveram uma visão circular do tempo. Eu devo tentar mostrar que não” (Momigliano. “Time in Ancient Historiography”. Pp.10-11). A sociedade romana nasce monárquica, mas a potestade é tripartida entre dois reis, os patres e o povo dividido em tribos e cúrias. Essa foi aperfeiçoada no período republicano. Assim, a grandeza não é alcançada de imediato. A ideia de amadurecimento, aperfeiçoamento, de construção durante séculos e gerações nos remete à ideia de progresso, avanço. Não seria um progresso de técnicas ou da moralidade, mas das experiências políticas. Observamos que Cícero narra o período monárquico, que é sucedido por um tirano e depois surge o governo misto. Ou seja, historicamente, Roma jamais completou um círculo. Cícero nos traz a imagem de que a república não segue caminhos sinuosos, ou seja, circulares, mas chega diretamente em um ótimo estado, como podemos analisar em de Republica, II, 33. “*e, de fato, de acordo com o início de tua exposição, a república não serpenteia, mas voa para um ótimo estado”. Ou seja, a República não serpenteia dentro dos ciclos de degeneração e regeneração, mas a república romana conhece mais o avanço; ela não faz caminhos sinuosos e lentos, mas voa. Assim, com a análise da obra observamos que Cícero se afasta do fatalismo do ciclo dos primeiros estoicos, dos ciclos de degeneração e regeneração e da anaciclose polibiana. Roma foi conduzida rapidamente à melhor forma. Dessa maneira, Cícero parece conceber o curso da história de Roma.

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23/10/2018
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