A dialética da alienação histórica em Marx Show all records where Título is equal to A dialética da alienação histórica em Marx
Vinícius Dos Santos Show all records where Autor is equal to Vinícius Dos Santos
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Trata-se de explorar a concepção marxiana da história, à luz de certo deslocamento materialista e não-teleológico das categorias dialéticas herdadas de Hegel, e cujo eixo estruturante é o conceito de alienação (ou estranhamento). Com efeito, o que se busca descrever é aquilo que se poderia denominar de uma “dialética da alienação histórica”, através da qual o modo de produção burguês surge como elemento dissolutivo de todas as formações econômicas que o precederam, unificando-os indistintamente enquanto seu outro, ou seja, como sua negação determinada. Essa interpretação se ampara na mudança significativa do caráter do trabalho (enquanto metabolismo mediador do ser humano e da natureza) operada na modernidade. Pois, se nos modos de produção não-capitalistas, voltados para o atendimento das finalidades humanas, há uma relação de unidade entre aqueles polos – embora a unidade exija, pelo baixo desenvolvimento das forças produtivas, submissão humana às forças naturais, isto é, às condições objetivas do trabalho (logo, um estranhamento pressuposto) –, o capital dissolve aquela unidade em favor de uma relação de dominação instrumental – voltada à valorização do valor – do ser humano sobre a natureza. Logo, de separação e, por conseguinte, de posição de uma forma mais radical de alienação do homem em relação a seu ser natural, objetivo, que se revela em um sujeito esvaziado, mero portador de uma força de trabalho abstrata. Ocorre que, por essa lógica histórica – advinda a posteriori –, é possível vislumbrar um segundo movimento dialético, no qual a negação histórica representada pela emergência da sociedade burguesa engendraria, por sua vez, os pressupostos de sua superação dialética. Não, porém, como necessidade inexorável, ao modo da aufhebung hegeliana, mas enquanto possibilidade real inscrita nas contradições que aquela própria negação forçosamente engendra; notadamente, aquela entre capital e trabalho assalariado. Esta, conquanto manifestação decisiva da alienação típica da sociedade burguesa é, ao mesmo tempo, produtora imanente da possibilidade de uma reunificação do ser humano com a natureza em uma relação de unidade dialética superior: superação do caráter alienado do trabalho, reapropriação humana das condições objetivas do trabalho. Essa possibilidade, porém, não se efetiva como uma necessidade inelutável, mas depende do concurso das forças que, no âmbito daquela negação macro-histórica, servem de propulsor dialético imanente – ou seja, de negação determinada no interior do próprio movimento de efetivação do capital – de sua superação. Numa palavra, a classe trabalhadora. Por isso, a “dialética da alienação histórica” de Marx aponta, finalmente, para o problema da produção das subjetividades, produção essa que se, de um lado, forma sujeitos para o capital, por outro, também abre lacunas espaço para a realização de um ideal emancipatório decifrável nos meandros da própria realidade atual.

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23/10/2018
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