A biopolítica como paradigma de governo: uma genealogia do mercado econômico em Michel Foucault Show all records where Título is equal to A biopolítica como paradigma de governo: uma genealogia do mercado econômico em Michel Foucault
Rodrigo Diaz de Vivar Y Soler Show all records where Autor is equal to Rodrigo Diaz de Vivar Y Soler
UNISINOS Show all records where Instituição is equal to UNISINOS

Michel Foucault dedicou grande parte de sua produção intelectual, sobretudo a partir da década de 70, a problemática do governo compreendida por ele como uma experiência ética voltada para a produção de distintos modos, ou melhor, práticas refletidas de gerenciamento estratégico das condutas na nossa sociedade ocidental. Dentre essas experiências, a noção de biopolítica ocupa um espaço central nas suas reflexões no sentido de sublinhar os traços pelos quais a partir do século XVII criou-se todo um estilo voltado para a governamentalização da vida que se ocupa em não mais assegurar o crescimento e, o consequente fortalecimento do Estado, mas sim empreender um esforço para limitar o seu campo de ação. Dentre esse conjunto de estilos destaca-se a noção de mercado econômico desenvolvido no interior das reflexões liberais e na esteira de uma crescente onda de proliferação do que o próprio Foucault chama de Estado mínimo. Mas, o que Foucault compreende por mercado econômico? No sentido de estabelecer uma genealogia dessa prática, o intelectual francês apresenta-nos a tese de que a emergência de tal conceito remete ao exercício de governo praticado pelo poder pastoral. Na Idade Média o mercado era compreendido como uma questão de justiça proveniente de um triplo efeito. Primeiramente por conta da sua atenta regulação desde a fabricação de seus produtos até a sua posterior comercialização. Do mesmo modo, havia também a fundamentação jurídico-normativa da busca pela aplicação de um preço justo orientado por uma perspectiva redistributiva, ou seja, devia-se levar em conta a necessidade de se fomentar o acesso, senão a todos, mas pelo menos de grande parte do povo. Por fim, o mercado era excessivamente regulamentado objetivando favorecer o combate as possíveis formas de fraudes. Com a emergência da biopolítica, esse conceito de mercado passa a se configurar a partir de um duplo aspecto: de um lado, emerge uma noção de mercado econômico duramente atrelada aquilo que os fisiocratas denominavam leis dos mecanismos naturais, isto é, em nenhum momento a razão de Estado deveria intervir sobre os aspectos espontâneos das regras de oferta e de procura. Do outro lado, o mercado torna-se um lugar de verdade, expressão esta empregada por Foucault para aproximar o máximo o custo da produção da demanda e, nesse contexto, tem-se início a oscilação que desdobra o sentido originário de um preço justo para a incessante busca por um preço verdadeiro. Estamos diante pois de um modelo de gerenciamento estratégico difundido pela biopolítica no qual o mercado econômico ganha os contornos de uma prática de veridicção. Isto é, um modelo de governamentalidade que não se amparará na justiça, mas no cambiante fluxo dos instrumentos de governamentalização da vida, ou seja, a partir do século XVII será o mercado quem estabelecerá as regras do que se considera um bom ou mau governo e não mais os dispositivos jurídicos normativos. Nossa comunicação tem por finalidade, portanto, rastrear nessa leitura promovida por Foucault os desdobramentos necessários para compreendermos como a biopolítica enquanto paradigma de governo, torna-se com a modernidade debitaria da perspectiva liberal de mercado econômico cujas ressonâncias fazem parte de um longo projeto que liga a economia aos modos de veridicção.

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23/10/2018
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