A democracia numa casca de noz: ou do indivíduo como fronteira Show all records where Título is equal to A democracia numa casca de noz: ou do indivíduo como fronteira
André de Paiva Bonillo Fernandes Show all records where Autor is equal to André de Paiva Bonillo Fernandes
UNIFESP Show all records where Instituição is equal to UNIFESP

Os estudos sobre a liberdade, o estado, a filosofia e a ciência políticas costumam fazê-los pela óptica do governante, e não do indivíduo. Quando muito, o cidadão, reunido abstratamente no povo, serve de princípio formal para legitimar a estrutura do estado, ainda que descrito como detentor, sujeito e destinatário do poder, inclusive em regimes democráticos. Entretanto, crises econômicas, desigualdade, terrorismo, racismos, discriminações e desrespeito a direitos diversos suscitam questionamentos sobre as fronteiras da democracia e, dentre eles por que não são adotadas e, onde o são, por que não são eficazes. Frente a esse cenário, deve-se buscar recolocar o problema, talvez não no campo da reflexão tradicional, mas pesquisar se não há uma razão mais profunda para o aparente insucesso da democracia. Por meio da articulação do pensamento de Éttiene de la Boétie e Henri Bergson, foi possível distinguir a moral, a religião e a sociedade fechada, saída das mãos da natureza, muito próxima do instinto, recurvada sobre si, pressionada pelo dever, pela crença e pronta para a guerra, da aberta, que é apelo que arrebata, coincidência com o impulso vital criador da vida e irmanada com toda a humanidade. Porém entre as duas imagens ideais da alma fechada e da alma aberta, há aquela que se abre, em que os conceitos se confundem. A passagem entre uma e outra devia ser feita por um esforço de ultrapassar a si mesmo, saindo do campo representacional da inteligência e do eu social, para adentrar nos estados de consciência do eu profundo, que é o contato com o próprio élan vital, com a própria duração na consciência, mas esse esforço raramente era empreendido. Concluiu-se que haviam, então, dois conceitos de liberdade: aquela do eu superficial, dependente das circunstâncias políticas, ligada ao instinto, mas, sobretudo, à inteligência, enquanto a do eu profundo independe de quaisquer circunstâncias, porque, ligada à intuição, é contato direto com o impulso criador da vida. Assim, a fronteira e o limite da democracia eram apenas um: o homem, ou melhor, a casca de noz do eu superficial que recobre o eu profundo, pois depende apenas do indivíduo a decisão de permanecer no primeiro ou reencontrar-se no segundo.

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IC 3
23/10/2018
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