A dessemelhança entre o verbum mentis e o verbum dei no Livro XV do Trinitate Show all records where Título is equal to A dessemelhança entre o verbum mentis e o verbum dei no Livro XV do Trinitate
Marcus Eduardo Bisset Lima Show all records where Autor is equal to Marcus Eduardo Bisset Lima
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Uma das bases centrais para a filosofia medieval, o estudo acerca da linguagem busca compreender melhor a relação entre os fenômenos linguísticos e as coisas significadas. A filosofia medieval tratou o estudo da linguagem sob diversos pontos de vista. Temos estudos acerca da obra da interpretação e das categorias de Aristóteles, a influência estoica, paralelamente há o surgimento da educação pelas artes liberais (conjunto de matérias especificas que servem de educação básica). As palavras das escrituras são interpretadas como uma verdade revelada, de deus ao homem, cabendo a ele a busca pela interpretação mais verdadeira. Essas são algumas das bases para o estudo que levou os mais diversos intelectuais a contribuírem, cada um à sua maneira, para o aperfeiçoamento da análise da linguagem como a busca do entendimento pela ordem da trindade divina. Podemos ver que muito da comunicação entre os conhecimentos dos homens sobre os signos, são imagens das relações da trindade divina. O texto se inicia com uma recapitulação da obra. Agostinho faz uso de vários exercícios racionais de leitura das escrituras para tentar compreender o que são as partes da trindade. Ao tentar limitar o conceito de trindade à nossa capacidade racional, o autor chega a certezas acerca das limitações dos homens e que eles talvez não alcancem certeza sobre nada do que há. No entanto, como que mesmo limitados os homens têm algumas ideias que por experiência não seriam possíveis? antes do exercício de dizer qualquer palavra, haverá previamente um pensamento guardado na memória que os homens tentarão reportar pelos signos linguísticos, esse pensamento é chamado verbum, tradução do logos grego. Para que esse verbum possa ser comunicado a outros é necessário o uso da fala e seus sinais. “[...] como é preciso fazer chegar ao conhecimento daqueles com que falamos, assumimos algum sinal que o signifique. Muitas vezes é um som” (Trinitate, XV, X, 19). As palavras são signos que representam pensamentos. Por serem necessários para a comunicação os signos acabam, todavia, por tornar mais distante o conhecimento do pensamento que foi dito internamente, logo mais distante daquele verbo de deus do qual o nosso seria imagem. Estudando as relações entre o que vem a ser o verbum de deus e o verbum mental, chamamos de palavra interior propriamente de verbum mental. “A palavra que soa no exterior é, pois, um sinal da palavra que resplandece em nosso interior, à qual convém, mais adequadamente, o termo de verbum” (Trinitate, XV, XI, 20). Dadas as semelhanças entre os verbum, Agostinho progride para uma análise sobre o que os diferencia e impede que o verbum do homem alcance a perfeição do verbum de Deus. Podemos colocar uma questão aqui: se o verbum mental é a voz do coração e é mais verdadeiro enquanto imagem, será que não devemos renegar os sentidos do corpo como provedores de conhecimento? Agostinho recusa essa colocação derivada dos acadêmicos céticos “[...] não tememos absolutamente ser enganados por falsa verossimilhança, pois aquele mesmo que se engana, vive, e também tem certeza” (Trinitate, XV, XII, 21). Logo, o conhecimento derivado da experiência sensível com o mundo pode ser útil por demonstrar os erros e limitações dos homens, isso no sentido que quando se enganam, os homens aprendem com isso. O verbem de Deus é verdade, pois o que existe na ciência que o gerou, existe nele. Pai e filho são mútuos, portanto, o verbum de Deus é verdade. Essa definição nos ajuda para demarcarmos mais uma dessemelhança entre os verbos. Apesar do verbum mental e do verbum de Deus serem derivados da ciência de cada um, o verbo mental poder errar quanto a realidade que apresenta e acha que está falando a verdade; e ao mentir, pois voluntariosamente dizemos algo falso (mas saber que se está mentindo é um verbo verdadeiro). “o verbum que é Deus e mais poderoso que nós, não pode mentir” (Trinitate, XV, XV, 24). O verbum de Deus é maior como vimos, pois, representa a verdade que é ele mesmo, o verbo mental é a imagem desse, mas por ser originado em um ser muito mais complexo e limitado acaba sendo mais recorrente erros e mentiras na formação e expressão de pensamentos. Mesmo quando dito verdadeiramente o verbum mental não pode ser dito como uma visão da visão, conhecimento do conhecimento, essência da essência, pois em nos homens não há identificação entre ser e saber. Prova disso é o fato de que ao esquecermos um conhecimento não morremos. Ratificando, o verbum mental verdadeiro surge quando a partir do que foi percebido na memória cria-se um pensamento que é verdadeiro quanto ao que representa, pois não tem interferência dos aspectos da comunicação. Depois esse pensamento sofre para ser falado da necessidade de palavras sejam escritas, sejam ditas. veremos que é pela vontade moral que o verbo interior do homem pode ter comunicação com o verbo de Deus. O homem pode então reconhecer no mundo representações imperfeitas da verdade perfeita, a linguagem incluída nesse percurso. Aqui percebe-se que Agostinho postula uma linguagem imperfeita, mas logo depois ele irá redimi-la, sob o aspecto da necessidade de submissão do homem as verdades eternas de deus. Essa relação será baseada no amor que a alma humana tem pela verdade.

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23/10/2018
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