A ética estética de Descartes Show all records where Título is equal to A ética estética de Descartes
Edgard Vinícius Cacho Zanette Show all records where Autor is equal to Edgard Vinícius Cacho Zanette
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Descartes jamais escreveu uma obra tratando, especificamente, do tema “estética”. No entanto, é certa a influência do pensamento cartesiano nas composições artísticas e literárias de sua época. Em sua obra “L"Esthétique de Descartes”, Émile Krantz (1898) relaciona a doutrina cartesiana com a literatura clássica francesa do século XVII, e tal aproximação se dá sob o viés da estética. O intérprete aponta duas dificuldades imanentes à obra do filósofo, a saber: a) a ausência de uma teoria estética; b) a perspectiva moral, que seria pouco desenvolvida e até mesmo inconsistente ao sistema cartesiano. Em relação à última, na visão de Krantz, o filósofo teria escrito, com relevância filosófica, tão somente as três regras da moral provisória tratando do conceito de “Bem”. Tendo em vista a estética, o tratamento do “Belo” se manifestaria através de comentários pouco originais, rebuscando a antiga filosofia estóica e se limitariam a abordar “en passant” a obra de Sêneca - “De Vita Beata” (Da Vida Feliz). Krantz considera que Pascal, Malebranche e Espinosa, se esforçaram por preencher as lacunas da moral, em referência direta à Descartes e ao tema da estética como elementos de uma tradição a ser continuada e aperfeiçoada. De todo modo, a ausência da estética no coração da obra do filósofo permaneceria latente, trazendo dificuldades que, inclusive, contestariam sua tão aclamada organicidade metódica. Como pode o “grande Descartes”, filósofo da dúvida, do “ego” (eu), do método, ter escorregado ao ponto de não vislumbrar uma teoria estética - “sua”? Tal temática não é tão simples, como pode parecer, a partir da abordagem de Krantz. Não podemos esquecer, como Krantz o faz, que o “Compendium Musicae”, escrito em 1618 e dedicado ao matemático e físico Beeckman, remete a um estudo de teoria musical, o qual problematiza, em diversas partes, a relação entre a razão e a música. Nesta obra, Descartes trata dos “afetos”, e como estes nos causam prazer ou desprazer. O prazer é universal, pois todos os homens o têm, e todos os sentidos são capazes de algum prazer (AT, X, p. 92-93). Devemos considerar que em algumas cartas (por ex. Cartas a Mersenne de 04 e de 18 de março de 1630), nelas também se expressa a problemática do deleite do som, em relação ao juízo estético, e como o juízo estético sobre o belo não possui nenhuma medida determinada . Dentro deste quadro investigativo, optamos por abordar a noção de estética não pela primeira obra, o Compendium Musicae (1618), mas sim pela última, o Tratado Paixões da Alma (1649), com o intuito de mostrar o quanto a filosofia madura de Descartes, pautada na ética, explicita uma teoria do fenômeno passional que retoma o tema dos afetos e que pode ser pensada a partir de elementos estéticos.

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Dia 23 | Terça | Sala 101 |11:15-12:00
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23/10/2018
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