A dedução dos gêneros supremos no sofista (250a-260a): identidade, diferença e contradição na construção da ontologia platônica Show all records where Título is equal to A dedução dos gêneros supremos no sofista (250a-260a): identidade, diferença e contradição na construção da ontologia platônica
Marcio Soares Show all records where Autor is equal to Marcio Soares
UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL - UFFS / CAMPUS ERECHIM-RS Show all records where Instituição is equal to UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL - UFFS / CAMPUS ERECHIM-RS

O diálogo sofista tem por tema inicial (217a) caracterizar e diferenciar mutuamente três gêneros (géne) de falantes públicos, e suas respectivas práticas discursivas, que atuavam na Hélade: o sofista, o político e o filósofo. Essa tarefa, proposta por Sócrates e levada a cabo por um estrangeiro de eleia com auxílio das respostas do jovem geômetra Teeteto, parece apontar, de forma metafórica e por analogia, o ponto central do diálogo para efeito da construção da ontologia platônica, a saber, a descrição da estrutura fundamental da realidade através da dedução dos gêneros supremos (mégista tôn genôn, 254d), tal como a encontramos em uma passagem adiantada desse mesmo diálogo (250a-260a). Inicialmente, o estrangeiro empreende uma série de tentativas de definir o sofista (232a-235a), valendo-se de um método de divisão (diaíresis) de espécies e gêneros – o que, aliás, já parece apontar para a questão da estrutura fundamental da realidade. Entre as cinco ou seis definições alcançadas, uma delas, a que considera o sofista um controversista (antilogikón, 232b) profissional, levará à afirmação de que o mesmo é um imitador (mimethés, 235a) e um produtor de imagens (eidolopoiòn, 239d) de saber e de sabedoria. A essa acusação, afirma o estrangeiro de eleia, o sofista se defenderia alegando que imagens não existem, já que, por serem algo que são e não-são, suporiam a existência de não-seres. Há um duplo problema aqui: (a) sob o ponto de vista ontológico, a admissão da possibilidade do não-ser; (b) sob o ponto de vista lógico, a contradição explícita na afirmação de que algo é e não-é (a imagem). Essas assertivas contradizem justamente a filosofia eleático-parmenídica e empurram o estrangeiro a enfrentar seu próprio pai intelectual, o grande Parmênides de eleia. Desse modo, tentativas infrutíferas de apontar o não-ser na realidade (237b-239c) levam os dialogantes à revisão de teorias anteriores sobre o que é o real – o ser (246a-250a): unitaristas e pluralistas, mobilistas e imobilistas, materialistas e amigos das formas (tôn eidôn phílous, 248a). Então, do embate dentre todas essas tentativas teóricas de explicar a realidade emerge a dedução dos gêneros supremos. E esse precisamente é o ponto que nos interessa na presente comunicação: queremos compreender se e como tal dedução é fundante da ontologia platônica. Para tanto, investigamos as seguintes questões: (1) de que modo o exame revisionista de todas aquelas tendências teóricas citadas acima condiciona os dialogantes a deduzirem os cinco gêneros estabelecidos no diálogo, isto é, movimento (kínesis), repouso (stásis), ser (ón), mesmo (tautón) e outro (tháteron, héteron)? (2) como identidade, diferença e contradição operam na dedução desses gêneros? (3) que impactos tais resultados do sofista representam para a hipótese platônica das ideias, no sentido de ser essa última uma ontologia? Procuraremos responder essas questões através da reconstrução cuidadosa e da análise minuciosa do próprio texto platônico.

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Dia 24| Quarta | Sala 308|14:50-15:30
BW
24/10/2018
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