A experiência da carne na genealogia da subjetividade de Foucault Show all records where Título is equal to A experiência da carne na genealogia da subjetividade de Foucault
Malcom Guimarães Rodrigues Show all records where Autor is equal to Malcom Guimarães Rodrigues
UFBA Show all records where Instituição is equal to UFBA

Nosso objetivo é interrogar como e por que Foucault se vê diante da noção de experiência da carne e defender a centralidade desta noção em sua genealogia da subjetividade. Com a publicação de As confissões da carne, torna-se imprescindível compreender que a experiência da carne possui uma ‘história e um papel central tanto na ‘fase genealógica quanto na produção foucaultiana dos anos de 1980. Pretendemos concluir que tal experiência, tal como o filósofo a compreende, pressupõe a análise de um conjunto de noções que aparecem, pela primeira vez, nas cartas de São Paulo. Por que Paulo? Na aula 25 de fevereiro de 1981, Foucault nos diz que, na experiência antiga dos aphrodísia, há uma incompatibilidade entre verdade e atividade sexual; mas, a partir do século II, e especificamente nos séculos IV e V, o acesso à verdade dependerá da descoberta do desejo sexual nas profundezas do indivíduo. Nasce aí a “experiência cristã da carne”. Sem dúvida, o problema do desejo não era ignorado na Antiguidade clássica, mas era tratado no campo dos atos, por assim dizer: imperativo era o autodomínio sobre o comportamento cotidiano. O estoicismo tardio se encarregará de realizar uma mudança aí, como mostra Foucault na aula de 1 de abril de 1981: para Epitecto e Marco Aurélio, por exemplo, a enkratéia estará realizada não quando eu renunciar ao ato sexual, mas quando eliminar todo o desejo. O cristianismo herda deste mundo pagão todo um regime de austeridade em relação ao desejo sexual, mas, como nos mostra Foucault, introduz novos elementos. Por exemplo, a necessidade de interrogar os pensamentos impuros para descobrir a verdade de um eu ao qual, daí em diante, deveríamos renunciar. Os autores centrais aí são Agostinho e Cassiano. Ora, se indagarmos “onde” estes e outros autores dos séculos IV e V vão buscar a carne que carrega a libido, a vontade e o mal, veremos que é necessário voltar 400 anos para encontrar nas Epístolas de Paulo a matéria carnal em que se movimenta, em que se constitui, nesta espécie de errância, nas “cogitações da carne” (para usar um termo do próprio Paulo), uma linguagem própria: algo passível de ser conhecido, e que será, então, chamado de verdade. Defendemos que a introdução da carne, por Paulo, caracteriza o tecido, a interioridade, a profundidade, daquilo que, mais tarde, será a experiência cristã e, enfim, a subjetividade ocidental. Por um lado, isso não é difícil de ser corroborado em qualquer bom manual de teologia. Impressiona-nos, por outro lado, que é à beira deste abismo da carne que a genealogia foucaultiana da subjetividade pode nos deixar.

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Dia 24 | Quarta | Sala 4|14:30-15:00
ED
24/10/2018
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