"cada vez único, o fim do mundo": um ensaio sobre violência política, dever de luto e fantasmas Show all records where Título is equal to
Diego Dos Santos Reis Show all records where Autor is equal to Diego Dos Santos Reis
UFRJ/PPGF Show all records where Instituição is equal to UFRJ/PPGF

“Quando o homem contempla, necessariamente contempla ao mesmo tempo algum fantasma”, escreve Aristóteles em uma passagem do de anima (432a). Do Hamlet, de Shakespeare, ao manifesto comunista, de Marx, os espectros não cessaram de se fazer presentes como figurações-problema, seja na literatura dramática (as múltiplas aparições em Shakespeare, Beckett, Müller, Duras etc), na filosofia (os “espectros da história”, de Marx, e os espectros de Marx, de Derrida) ou na psicanálise (os “espectros da alma” e os “fantasmas do desejo”, de Freud e Lacan). Este trabalho tem por objetivo analisar, filosoficamente, a função, as operações e o lugar do fantasma em uma política/poética da memória. Pensar estas figurações espectrais e suas operações fantasmáticas talvez seja interessante como exercício, simultaneamente, filosófico/político e crítico/historiográfico. Nesse sentido, partiremos de algumas reflexões de Jacques Derrida, com o objetivo de pensar de que modo o fantasma em sua ambígua ausência-presença – isto é, em um lugar fronteiriço que tensiona a diacronia histórica, a identidade e a plenitude do tempo presente –, pode ajudar a problematizar a tarefa de uma política da memória como zona de tensão atravessada pelo encontro com a alteridade e pelo dever da justiça. Dever este irredutível ao direito e à lei, pois estaria sempre porvir [à-venir]. Daí a afirmação de Derrida em espectros de Marx: “se eu estou prestes a falar longamente de fantasmas, de herança e de gerações, de gerações de fantasmas, isto é, de certos outros que não estão presentes, nem vivendo atualmente, nem para nós, nem em nós, nem fora de nós, é em nome da justiça.” Nesta comunicação, portanto, serão discutidos o imbricamento entre memória e responsabilidade; bem como a questão dos arquivos, do tempo e da justiça a partir de narrativas que trazem para o primeiro plano o diálogo sobre e com o fantasma desde um viés notadamente político.

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Dia 25 | Quinta | Sala 17|10:45-11:15
IC3
25/10/2018
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