"Teatro artístico: o coro trágico em Schiller" Show all records where Título is equal to
Bárbara Ferrario Lulli Show all records where Autor is equal to Bárbara Ferrario Lulli
UNESP/MAR Show all records where Instituição is equal to UNESP/MAR

O ensaio intitulado Sobre o uso do coro na tragédia foi escrito por Friedrich Schiller como prefácio para a peça A Noiva de Messina, após sua estreia em 1803 em Weimar, na Alemanha, com o intuito de esclarecer a inserção do uso do coro na tragédia. A importância do coro nas considerações schillerianas acerca da arte trágica se insere no projeto de imitação da antiguidade grega no Classicismo de Weimar, o qual condensou o ideal neohumanista de formação [Bildung] plena das potencialidades humanas. A intenção de Schiller era, pois, resgatar este elemento natural da tragédia antiga e adaptá-lo à tragédia moderna, utilizando-o como órgão capaz de exercitar igualmente as esferas antagônicas que compõe o homem deste novo mundo. Segundo Schiller, somente assim o homem poderia retornar “[...] àquela época pueril e àquela forma simples de vida” (SCHILLER, F. 2004. p. 191), onde não estava em conflito consigo mesmo nem com a natureza. Em sua função, o coro se impõe emocionalmente, e sua exacerbada sensibilidade é o que o permite estar presente em todos os espectadores. Esse caráter o faz exercitar e cultivar a sensibilidade provocada pela tragédia, uma vez que elimina as distinções culturais, sociais e históricas que circundam as noções humanas, atingindo-nos em nossa mais íntima natureza, através de sua musicalidade. Todavia, é responsável também por fazer os espectadores recobrarem a reflexão, uma vez que interrompe o poder cego dos afetos, fortalecendo-o moralmente. Assim, o coro permite momentos de serenidade e reflexão ao espectador, evitando seu demasiado sofrimento diante das representações trágicas. Desse modo, na tragédia schilleriana, o coro desenvolve seu aperfeiçoamento, pois, a verdadeira arte dramática é aquela que mantém seus agentes ativos e preza por sua liberdade mesmo diante de suas exacerbadas representações de sofrimento: seu espectador deve permanecer capaz de refletir diante da peça. Por essa característica, Schiller se distancia dos preceitos da teoria teatral do século XVIII, em prol de um teatro artístico, que deve apreender o “espírito do todo” (IBID. p. 189) que não se revela integralmente aos sentidos e ligá-lo a uma “forma corpórea” (IBID). Desse modo, a tragédia atingiria seu propósito de reluzir os anseios da alma humana, invisíveis à realidade. Em sua estrutura ideal, o coro schilleriano tem capacidade de apreender o conteúdo subjacente ao cotidiano e apresentar a verdade. Portanto, este trabalho tem como objetivo apresentar as características do coro schilleriano, bem como suas características e os efeitos que ele reclama à teoria da tragédia e a filosofia estética de Schiller.

ARTE, ESTÉTICA, LITERATURA Buscar Grupo igual a ARTE, ESTÉTICA, LITERATURA
Dia 25 | Quinta | Sala 12D| 15:45-16:15
IC4
25/10/2018
FaLang translation system by Faboba