A democracia em tempos de bipolaridade: a virtual tecnocracia clickbait Show all records where Título is equal to A democracia em tempos de bipolaridade: a virtual tecnocracia clickbait
Jovino Pizzi Show all records where Autor is equal to Jovino Pizzi
UFPEL Show all records where Instituição is equal to UFPEL

O diagnóstico dos tempos atuais salienta a exasperação da bipolaridade. A noção de intersubjetividade dialógica está sendo substituída pela virtualidade tecnocrática clickbait, isto é, a conteúdos online, pois a web seduz as pessoas a favor ou contra as representações simbólicas, comerciais, publicitárias e político-ideológicas e/ou sociais. Ao despertar a curiosidade, a quantidade de clics aumenta consideravelmente, fomentando o envio de tais enlaces, através do sistema online (ou redes sociais), a uma grande quantidade de usuários da rede. O fato de despertar a curiosidade em torno a um determinado ícone tem a finalidade de conduzir as vontades das pessoas e induzi-las conforme interesses bem específicos, sem a devida comprovação ou, muitas vezes, com uma orientação falsa. Mesmo que seja em forma de marketing ou de publicidade, há sempre uma propensão ao convencimento apelativo, no sentido de incitar uma determinada compreensão em torno a ideias, pessoas, partidos políticos, religiões, tendências sexuais ou de gênero etc. Na sua interpretação mais nociva, a virtual tecnocracia clickbait evidencia a tendência à instrumentalização das vontades e, com isso, uma estimulação a seguir ditames virtualmente veiculados. O resultado dessa virtualidade tecnocrática e instrumental vai ampliando o abismo entre a vontade dos cidadãos e a falácia de uma quantidade enorme de falsas iconografias. O objetivo de atrair as pessoas com histórias, relatos ou dados falsos se insere em uma virtualidade que aviva ainda mais a bipolaridade, com grandes índices de informações manipuladas e manipuladoras. Essa escalada virtual-tecnocrática das sociedades pós-tradicionais redefine as relações. Mas o perigo da manipulação das vontades é um dos fatores que orienta a interação virtual entre os sujeitos, cuja motivação é, muitas vezes, a coerção sem qualquer compromisso moral. No caso, os indivíduos são tratados como seres isolados, na sua completa impessoalidade. Essa suposta alienação em torno aos interesses e intencionalidades efetiva uma relação mecanicista. Essa lógica da representação se contrapõe à lógica da interação, impossibilitando o reconhecimento dos demais como sujeitos coautores. Diante disso, a democracia se limita a resultados econômicos e/ou financeiros. Na verdade, o domínio virtual tecnocrático acaba por procrastinar a democratização, processo que vai minguando qualquer reivindicação por direitos, sejam eles sociais, políticos ou econômicos. Daí, então, a preponderância dos interesses das elites e do mercado financeiro. Ou seja, a tendência em negar sistematicamente a solidariedade e a justiça, a ponto de entender o significado e a efetivação desses princípios como ofensivos. Trata-se, pois, de uma tendência a consolidar o rentismo financeiro, uma democracia sem sujeitos, aumentando a abismos entre os que pensam e o assentimento passivo das massas. As orientações político-ideológicas são delineadas por tecnocratas encarregados de ditar ordens e informações virtuais. O poder das decisões se concentra em alguns políticos de profissão, playboys economistas e tecnocratas encarregados de manipular informações de acordo com os interesses de rentistas e do mercado financeiro.

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25/10/2018
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