A dedução do repertório musical na crítica da faculdade do juízo de Kant. Show all records where Título is equal to A dedução do repertório musical na crítica da faculdade do juízo de Kant.
Ricardo Miranda Nachmanowicz Show all records where Autor is equal to Ricardo Miranda Nachmanowicz
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O séc. XVIII foi para a música europeia um importante momento de transição. Inicialmente, o contexto cultural exprimiu a máxima hegemonia do barroco, incluindo essa sua denominação, ainda não utilizada no século anterior (Hauser 2003, p.443-444). Ainda assim, o século XVIII deu lugar ao fim de seu prestigiado movimento, dando espaço ao que seria o equivalente ao rococó em música, possuindo como uma de suas características formais e harmônicas a antecipação do classicismo, e assim, representando mais um contraste do que uma simples continuidade com o barroco. A principal razão se encontra no desenvolvimento da forma sonata por Carl Phillipp e Johann Christian Bach, que impulsionou definitivamente a conformação da música clássica e o discurso da autonomia da forma musical. É também do século XVIII a primeira dissidência estético/poética da conhecida teoria dos afetos [affektenlehre] barroca. O sentimentalismo pré-romântico [empfindsamkeit] das duas décadas finais do século entendeu que os conceitos de “sublime”, “sensibilidade” e “natureza” (Dahlhaus 1989, p.61) conjugados na música de expressão instrumental prescindia de qualquer expressividade semântica. Desse ponto em diante dominam as estéticas musicais puramente instrumentais de base clássica e romântica (Dahlhaus 1989, p. 72). Por fim, o mesmo século XVIII pôde acomodar diversas tendências musicais como o barroco, o rococó, o clássico, o empfindsamkeit, o Surm und Drang e o romântico, todos movimentos influentes e que coexistiram. É portando nesse contexto que perguntamos e buscamos responder qual seria a filiação musical que estaria mais próxima das descrições estéticas de Kant reservadas para a arte musical, em sua crítica da faculdade do juízo. Questões como o julgamento da música enquanto bela arte, o discurso da autonomia do juízo de gosto, a relação entre o moral e o estético, e sobretudo, a concepção kantiana de ideia estética musical, servem de guias para buscarmos um paralelo entre a concepção estético-teórica adotada por Kant e as características de um repertório musical que lhe é condizente. O trabalho consiste portanto em traçar um método que forneça algum tipo de triangulação, uma vez que Kant não é explícito em suas referências, que demonstre algum vínculo entre as teses de kant e um repertório específico. Desse modo figuras como Karl Phillip Moritz, Johann Friedrich Reichardt, Johann Triest e Michaelis são cruciais para estabelecer uma relação entre repertório musical e suas defesas estéticas mais típicas naquelas décadas finais do séc. XVIII.

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Dia 25 | Quinta | Sala Auditório |14:00-14:30
CT I
25/10/2018
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