"É preciso aprender a amar": uma educação heroica entre uma guerra e uma paz. Show all records where Título is equal to
Sérgio de Oliveira Santos Show all records where Autor is equal to Sérgio de Oliveira Santos
UNESP/RIO CLARO Show all records where Instituição is equal to UNESP/RIO CLARO

O presente trabalho tem como objetivo trazer à baila que desde os textos do início de sua obra, Nietzsche destacou a indissociabilidade entre educação, civilização e cultura. No entanto, problematiza que no que tange ao aumento da abrangência e das capacidades sensíveis e cognoscíveis dos seres humanos, o psicólogo/filósofo alemão designou uma disparidade entre os processos de formação (Bildung) e educação (Erziehung) ao pressupor que estes tenham no seio da civilização e da cultura finalidades e utilidades também díspares que, por sua vez, mobilizam disposições afetivas (psicofisiologias) distintas que fazem eclodir nos seres humanos, em seus processos de subjetivação, distintas necessidades e, assim, diferentes modos de pensar, conhecer e se relacionar com outrem. Assim, apesar de semelhantes em alguns aspectos, formação e educação são processos desiguais, pois a gama de afetos ou o sentimento predominante em cada um deles é diferente: na formação, o medo; na educação, o amor. E, nesse sentido, a formação visaria ao fomento e/ou à manutenção da civilização enquanto que a educação alargaria o espírito humano e propiciaria o (des)envolvimento da cultura (Kultur) e o cultivo (Zucht) de afetos diversos que condicionam a economia global da Vida – algo para além do “sentimento” de moralidade. Desenvolve-se, então, o pressuposto de uma educação heroica que neste tipo de cultivo se apresentaria como a arte e o poder de assimilação e de transfiguração de um corpo – de um ser humano e suas necessidades – frente a um impulso à verdade e a sua capacidade de incorporação de erros fundamentais. Assim, ao educador heroico, tal como em uma das principais canções do Clube da Esquina, Caçador de mim, se faz necessário “abrir o peito à força numa procura”, pois somente assim é possível cuidar de si e impedir que o gérmen de uma “primeira natureza” não se resseque. Em linhas conclusivas vê-se aparecer uma psicofisiologia que, pautada em uma Psicologia Trágica, aos moldes de uma “teoria da evolução da vontade de poder”, é o campo de batalhas no qual da química entre pares tidos como opostos, na consideração daquilo que foi moralmente desprezado, de boas e salutares doses de veneno, uma guerra e uma paz podem ser artística e singularmente cultivadas. Ou seja, vividas e escritas com sangue!

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