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De início, nossa comunicação visa articular e discutir criticamente duas teorias da ciência empiristas que se destacam atualmente: o empirismo contextual de Helen Longino e o empirismo social de Miriam Solomon. Assim, a apresentação e o debate dessas formulações de empirismo podem ser fecundos, uma vez que trouxeram novos subsídios para questões tradicionais de filosofia da ciência. Por exemplo, objetividade científica, racionalidade científica, sucesso empírico, consenso e dissenso, subdeterminação, valores epistêmicos e sociais etc. Ademais, Longino e Solomon destacaram-se ao criar uma ponte viável entre a filosofia da ciência e a recente epistemologia social - a partir dos trabalhos de Alvin Goldman, ao sustentarem a tese de que o conhecimento científico possui um caráter eminentemente social, mas sem caírem nas dificuldades - em especial, o relativismo - da chamada sociologia do conhecimento científico. Isto é, o Programa Forte e os estudos microssociológicos de laboratório. Posto isso, Longino elabora seu empirismo contextual a partir de duas mudanças importantes na filosofia da ciência atual, a saber, o crescente reconhecimento tanto da dimensão social da investigação científica como da pluralidade explicativa e metodológica em vários campos científicos. Também desenvolve uma concepção de conhecimento que considera os aspectos normativos das análises usuais deste termo, bem como as condições sociais nas quais o conhecimento é produzido. No mais, a autora argumenta contra a dicotomia racional-social, que seria partilhada por autores como Larry Laudan e Philip Kitcher, propondo uma nova noção de objetividade em graus. Em suma, a denominação de empirismo contextual crítico deve-se ao tratamento da experiência como base para o conhecimento científico e dos contextos sociais, culturais e cognitivos para a construção deste. Já o empirismo social de Solomon contrapõe-se aos conceitos padronizados de racionalidade científica, às análises individualistas do conhecimento, à ideia positivista de unidade da ciência em torno de um método universal e à noção convencional de que o consenso, sendo a resolução natural do dissenso, é o objetivo da pesquisa científica. Solomon sustenta que a racionalidade científica é socialmente emergente, embora os cientistas individuais não sejam completamente racionais, dado que o mais relevante é a distribuição social dos esforços de investigação – ou divisão do trabalho cognitivo, para Kitcher – em uma comunidade científica. Trata-se, portanto, de uma abordagem normativa para o processo de tomada de decisões na ciência, na qual o dissenso seria o estado típico de ciência normal, não o consenso. Por fim, nossa comunicação tratará detidamente dessas teorias empiristas da ciência, a fim de encontrar pontos convergentes e divergentes, procurando articular uma filosofia da ciência empirista de caráter social que combine as duas propostas.

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21.10 | Sexta-Feira | sala 18| 09h40
sala 18
21/10/2016
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