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Emmanuel Lévinas é um filósofo contemporâneo que propõe pensar a ética a partir do outro. Não enquanto tematização, mas é a visitação do Rosto do outro que significa, que dá seu tema ao ordenar: “Não matarás!” A alteridade se apresenta aos meus cuidados, se entrega à minha responsabilidade, me retira de mim, me escava o desejo de cuidado, me desordena na ordem dada. A relação que traz essa desordem do Eu é feita em plena luz do dia: ela é social. Na relação ética do um-para-o-outro, a linguagem é a possibilidade de relação: ao ‘Não matarás!’ o sujeito responde: ‘Eis-me aqui!’. No rosto que me olha está toda a humanidade. A relação com o rosto já é social, e traz consigo uma profecia. Todavia, o outro não está sozinho. A entrada do terceiro causa um problema, abala a responsabilidade. O outro do outro, o outro do próximo, também pede por socorro. É necessária uma inteligibilidade do sistema. Apesar de o dito não dar conta do que se passa no encontro do Eu com o Outro, a entrada do terceiro faz o Dito necessário. O Dizer deve ser transformado em Dito, vira livro, Direito, constituição, Política. Tal passagem se dá pela justiça. Notamos, assim, que o autor faz uma recuperação do tema da Justiça, caro à tradição clássica e moderna, ressignificando-o pela tradição filosófica judaica. Tal conceito sofre modificações ao longo do percurso filosófico de Lévinas. Focaremos nossa pesquisa na obra De outro modo que ser ou para lá da essência, onde a responsabilidade pelo outro aparece perturbada a partir do aparecimento do terceiro, o outro do outro. Justiça é a ‘comparação do incomparável’, a partir da contemporaneidade com o outro e o outro do outro. Diferente da tradição política, sobretudo alemã, a política é pensada aquém de um conjunto de regras que regem um grupo de pessoas, aquém da minha luta por meus direitos, aquém da autonomia e da liberdade individual. Tudo isso é colocado em questão ao ser pensado outramente, ou, de outro modo que o ser: nada escapa à relação com o rosto do outro. A lei, em vez de um ditame impessoal, encontra-se no seio da proximidade. Então, pensar o político em Lévinas é perceber que há uma intriga com a ética. Inicialmente, a responsabilidade, o Dizer, é não tematizar o rosto que se diz e escapa. Mas o terceiro introduz uma contradição no Dizer. A responsabilidade se vê perturbada e torna-se um problema. O Dizer pode ser tematizado a partir da justiça. É um dito após o Dizer que será desdito pelos filósofos para se tonar um redizer. A política deve ser pensada a partir da sincronia, da contemporaneidade, que é a justiça.

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21.10 | Sexta-Feira | sala 19| 08h30
sala 19
21/10/2016
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