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Uma das questões mais importantes da teoria feminista contemporânea é o debate em torno do essencialismo no que concerne ao sujeito político do feminismo. Essa questão é central sobretudo devido a sua relação direta com o ativismo feminista: a dificuldade que surge é como superar a ideia essencialista sobre o que é ser mulher e quem são as mulheres e, ao mesmo tempo, não diluir completamente a possibilidade do feminismo enquanto movimento político, uma vez que organizações políticas, para reivindicar suas pautas, partem justamente de políticas identitárias. Tendo essa problemática como base, pretendo apresentar em linhas gerais como surgiu a posição anti-essencialista no feminismo, em um primeiro momento devido a uma reação à leitura masculina sobre a suposta essência da “feminilidade”, circunstância na qual a obra de Simone de Beauvoir tem um papel fundamental. Outra frente de crítica anti-essencialista surge internamente ao próprio movimento feminista, principalmente através de mulheres negras, latinas, lésbicas, periféricas e com diferentes especificidades, as quais, sobretudo a partir do fim dos anos 60, passam a questionar até que ponto um movimento feminista organizado somente a partir da ideia vaga e problemática de “mulher” realmente contempla as especificidades de suas vivências. Nessa linha, é possível citar feministas como bell hooks, Audre Lorde, Cherríe Moraga, Gloria Anzaldúa, entre outras. Outras abordagens da crítica anti-essencialista também se conectam com as objeções já mencionadas, mas surgem principalmente a partir de teóricas influenciadas pelo pós-estruturalismo e pela fenomenologia, como as autoras feministas Joan Scott, Julia Kristeva, Luce Irigaray e Judith Butler. Apesar desse posicionamento, há também uma série de argumentos que em alguma medida defendem uma posição essencialista. Esse é o caso de certas autoras ligadas ao eco-feminismo, que sustentam haver uma essência própria da mulher, a qual, marcada pela conexão com a natureza, deveria ser resgatada, como Mary Daly e Susan Griffin. O posicionamento que gostaria de apresentar e defender, porém, sustenta um “essencialismo” apenas estratégico, justamente com o intuito de resolver o impasse inicialmente mencionado: manter alguma estrutura fixa para “mulher” como categoria política seria necessário justamente para a garantia de efetividade do movimento feminista, uma vez que todas as políticas públicas dependem de tal categoria. A defesa do essencialismo estratégico não desconsidera a diversidade de experiências femininas, mas reconhece que mesmo entre essas especificidades é necessário identificar estruturas comuns que justamente permitam sua nomeação e a luta por políticas que levem em conta peculiaridades, como no caso do feminismo negro, do feminismo lésbico, etc. Dentro dessa linha, destacam-se autoras recentes como Linda Alcoff, Tania Modleski, Ellen Rooney, Denise Riley, Sheila Jeffreys, entre outras.

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21.10 | Sexta-Feira | sala 22| 08h50
sala 22
21/10/2016
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