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Diferente de outras teorias normativas, já aprofundadas e popularizadas no Brasil, o utilitarismo ainda sofre com as excessivas deturpações e caricaturas preconizadas por autores como John Rawls e Bernard Williams. Ao longo dos anos, inúmeros ataques vêm sendo desferidos contra a teoria da felicidade geral, embora a grande maioria consista apenas numa total falta de precisão conceitual e careçam, entre outras coisas, de suporte textual. Não são poucas, portanto, as incompreensões geradas sobre alguns elementos essenciais do utilitarismo, em especial, a noção de “sacrifício”, tema que será discutido com mais detalhe neste trabalho. É deveras sabido que, no utilitarismo, a ação correta é aquela tende a promover a felicidade, e a incorreta, por sua vez, aquela que tende a promover o reverso da felicidade. Mas de que modo devemos entender a ideia de “promoção da felicidade”? O utilitarismo apregoa, num de seus sub-princípios, a saber, o agregacionismo, que a soma da felicidade de A + B é maior que a felicidade de A ou B. Em outras palavras, a felicidade do todo tem primazia sobre a felicidade de cada uma de suas partes. Sendo assim, o utilitarismo reconhece que tanto o bem estar da maioria, como o sacrifício de alguns em prol do bem geral, são coisas boas. A partir dessa tese, uma série de experimentos mentais surgiram com o intuito de mostrar que o utilitarismo seria demasiado exigente. Tais experimentos tinham o objetivo de explicitar o caráter impraticável do utilitarismo, pois, em vários casos, os sacrifícios necessários para a promoção do bem geral seriam absurdos. Meu objetivo neste trabalho, portanto, é desmistificar tal leitura caricaturada. Pretendo fazê-lo a partir da elucidação de alguns elementos-chave contidos no Utilitarianism (1861) de J. S. Mill, como as noções de dever de obrigação perfeita e imperfeita e a distinção entre utilidade pública e privada. Com isso, concluirei não só que as demandas do utilitarismo são muito menores do que normalmente se pensa, mas também que a noção de “sacrifício” é totalmente incompreendida pelos críticos da teoria.

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21.10 | Sexta-Feira | sala 25| 09h00
sala 25
21/10/2016
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