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Esse trabalho se propõe a tecer uma análise sobre discursos e personalidades autoritárias na web, através das palavras de Adorno e do estudo de um caso particular, o fenômeno tecnológico chamado TAY, uma inteligência artificial em formato de perfil no Twitter. É imprescindível, em primeiro lugar, considerar os fatos: o número dos usuários de internet ultrapassa três bilhões. O Twitter, rede social interessante neste trabalho, tem 320 milhões de usuários espalhados pelo mundo. A adesão tecnológica é massiva, viral. No entanto, a sociedade tecnológica diante de nós parece não produzir indivíduos racionais, mas o oposto disso. O ciberespaço é definitivamente irracional, palco de satisfação narcísica e realização de desejos humanos (jogos, entretenimento, pornografia). Esse novo mundo se apresenta ao homem como uma droga particularmente irresistível. Convém lembrar agora, antes do estudo de caso que se propõe adiante, que Adorno também usa a metáfora do uso de drogas, mas para se referir ao discurso autoritário. TAY representa prova concreta da presença e ação do discurso autoritário pela World Wide Web. TAY é uma criação pioneira da Microsoft, parte dos estudos da empresa sobre inteligências artificiais. A chatbot (robô para conversação) veio ao mundo em um perfil na rede social Twitter, e deveria ser jovem, divertida e casual. Após um dia de “aprendizagem” com dados gerados por outros usuários da rede, TAY transformou-se em racista e xenófoba convicta. Retratações públicas da Microsoft à parte, TAY é especialmente sintomática porque seu desenvolvimento foi e é manifestação espontânea e imprevista do sistema, online. Além disso, ela foi exposta a dados privilegiados, que certamente não são divulgados a público pela própria rede social na qual TAY nasceu. Após análise da configuração atual do ciberespaço e um resgate cuidadoso dos diversos aspectos do discurso fascista segundo Adorno, é inevitável concluir que a combinação internet e discurso autoritário pode gerar resultados variados, mais ou menos passíveis de previsão e mapeamento. Existem alguns pontos de contato interessantes, como: a repetição de conteúdo, elemento chave na internet e procurado pelo autoritário: o ganho narcísico, como recompensa em comum: a oportunidade de popularidade rápida, incentivando da transmissão do discurso: e a aparente impunidade no ciberespaço, que pode catalisar desejos até então reprimidos no autoritário. Após explorar algumas possibilidades de diálogo entre esses dois elementos presentes na sociedade moderna, é praticamente inevitável concordar com a importância de uma visão crítica sobre a técnica, removendo o “véu tecnológico” que dissocia a criatura (técnica) de seus criadores (humanos). Mesmo uma visão alarmista e inerentemente pessimista da tecnologia parece ser contaminada com certa transferência de responsabilidade, e essa transferência não passa despercebida ao pesquisador atento. Há de se lembrar que não foram máquinas as criadoras do Holocausto.

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21.10 | Sexta-Feira | sala 25| 11h20
sala 25
21/10/2016
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