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Com o intuito de lançar as bases que tornariam possível o desenvolvimento da metafísica dentro dos caminhos seguros da ciência Kant publica em 1781 sua obra intitulada Crítica da Razão Pura (CRP). Quando desta publicação, Kant parece não ter ficado satisfeito com as interpretações e críticas dirigidas à sua obra. Isto o levou a, em 1787, publicar uma nova versão da CRP. A princípio, o filósofo esclarece não pretender uma mudança quanto aos objetivos, mas apenas alterações quanto à forma de exposição, visando assim tornar a obra mais compreensível (CRP B XXXIX – XLI). Uma dessas alterações está relacionada ao tema da refutação do idealismo que, de acordo com o prefácio à edição de 1787, seria através dele que o filósofo almejava alcançar uma prova contra o escândalo que, de um modo geral, assolava a filosofia de seu tempo, a qual ainda não conseguira uma prova segura e tinha que admitir apenas a título de crença a existência das coisas exteriores a nós (CRP B XXXIX). Tal foi a importância dada por Kant ao tema que a CRP trouxe a expressão “refutação do idealismo” intitulando uma nova subseção dentro da obra. Objeto de controvérsias desde suas publicações, as duas versões da refutação do idealismo causam dificuldades quanto à sua “real” compatibilidade. Apesar de Kant afirmar não haver ruptura entre elas a opinião entre os estudiosos de sua obra não é unânime, ainda que a maior parte deles concorde com a posição assumida por Kant quando da justificativa de sua nova publicação. Havendo ou não compatibilidade real entre as versões podemos verificar que, em ambas as versões da CRP, o filósofo se dedicou a tentar melhorar o “status inferior” da experiência externa em relação à interna. Entretanto os métodos adotados não foram os mesmos. Na versão de 1781 Kant considerava que tanto a experiência interna quanto a experiência externa eram experiências imediatas. Já na versão de 1787 o filósofo adotou a estratégia de mostrar uma relação de dependência da experiência interna com relação à experiência externa, de modo que não houvesse motivo para se considerar uma experiência segura (interna) enquanto a outra (externa) fosse tratada como duvidosa. Os caminhos utilizados e a dificuldade de compatibilidade entre eles podem ser afunilados na discussão sobre o comprometimento (ou não) de Kant com aquilo que é extra-representacional. Se na versão de 1781 algo “fora de nós” nada mais é que representação exterior, ou seja, representação que refere as percepções ao espaço, na versão de 1787, com a introdução de seu argumento do permanente, Kant parece se referir a um algo “fora de nós” não mais no sentido representacional-espacial da primeira versão, mas indicando que esse algo exterior é tratado como algo fora e também distinto de minhas representações. A questão acaba por pedir esclarecimentos de como pode ser possível uma compatibilização entre o teor ontologizante da segunda versão e o aspecto reducionista ou “fenomenista” da primeira versão.

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21.10 | Sexta-Feira | sala 34| 11h10
sala 34
21/10/2016
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