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Nesta proposta partimos da noção de campo apresentada por Giorgio Agambem em sua obra, dedicada à investigação do estatuto da vida na política moderna. Campo vem da noção de campo de concentração, lugar da mais aguda experiência política do ocidente. Aqui, campo surge como paradigma biopolítico, o próprio nómos da política contemporânea – e não mais a cidade que, até meados do início do séc.XX dava corpo ao paradigma político da modernidade. Neste jogo, surge o estado de exceção como a regra da política a partir do campo, o paradigma político estrito. É na sua geografia que o homem em sua vida nua - na zoé dominada - só encontra referência na figura do homo sacer. Como veremos, neste cenário a indeterminação geral entre direito e fato é a regra e a política se reduz à vida, perdendo o paradigma da experiência de vida indicada pela noção de biós. Resta aqui um deserto de experiência, tema benjaminiano que se desenrola em consequência da realidade do campo. Dados os necessários cuidados investigativos, a forma política do campo passa por metamorfoses quando identificamos seu arquétipo de exclusão delimitando espaços de desenvolvimento da vida, como nas prisões, como regra nas periferias e, ainda, como regra no espaço escolar. Walter Benjamin, como sabemos, aponta o desaparecimento da verdadeira experiência no mundo contemporâneo. Esta seria algo próximo de uma experiência coletiva que é compartilhada pela palavra contada. Neste diagnóstico social, vemos a expressão crítica de um abismo geral entre o indivíduo e o sentido coletivo e individual do mundo. Isto se torna ainda mais problemático se pensarmos que a experiência legitima e fundamenta a ação educativa, entendendo que a transmissão da experiência é uma ligação entre gerações que compartilham do mesmo mundo e que atua pela mediação de determinado conjunto simbólico. Assim, o narrador é aquele que porta a memória da experiência comum. Narrador e experiência são impossibilitados no mundo regido pelo poder totalitário direcionado à vida. Na vida moderna do final do século XIX, Benjamin identificou o início deste recrudescimento da experiência, vislumbrou o vazio de sentido do século XX nas formas políticas de organização do poder. Esta mudança encontrada por Benjamin na origem da modernidade europeia acompanha a forma política do estado de exceção permanente. Pensando nosso caso, podemos dizer que, lendo Guimarães Rosa, Graciliano Ramos ou José Lins do Rêgo, tal decadência do sentido formador da experiência acompanha o movimento tardio do desenvolvimento econômico industrial na primeira metade do século XX. Neste espaço, à medida que as formações sociais burguesas ganham espaço na cidade e no campo, há, por outro lado, uma derrocada do sentido da experiência.
É a partir deste cenário que pretendemos discutir o trabalho da filosofia na educação a partir de tais paradigmas políticos que configuram a escola contemporânea como campo.

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21.10 | Sexta-Feira | sala 42| 11h10
sala 42
21/10/2016
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