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Esta comunicação examina a relação entre ação e emoção no contexto d’As duas fontes da moral e da religião (1932), última obra de Bergson na qual o autor estabelece uma oposição entre a moral fechada e a moral aberta. Se a primeira moral é característica das sociedades fechadas, isto é, fruto da pressão social que recai sobre os indivíduos levando-os a obedecer quase naturalmente: a abertura da segunda moral deve ser entendida como uma ruptura com os padrões estabelecidos e institucionalizados por essas mesmas sociedades. Trataremos de assinalar, portanto, as condições de possibilidade dessa abertura que se sobrepõe à obrigação moral. Bergson chamará nossa atenção para uma ação direta sobre o querer que é a sensibilidade. Nesse sentido, a propulsão exercida pelo sentimento assemelha-se bastante à obrigação, mas a diferença entre essa emoção e a obrigação moral é que a ação decorrente dela não encontra resistência. Assim como a obrigação, a emoção também nos impõe alguma coisa, porém ela é consentida. Estudar a teoria bergsoniana das emoções exige, de antemão, um aprofundamento da crítica que o filósofo dirige ao intelectualismo, porquanto este opera a supressão do sentimento pelo objeto e, assim, transforma a emoção numa representação intelectual. Essa crítica, como veremos, levará nosso autor a formular sua teoria das emoções, na qual distingue duas espécies de emoção. De um lado, a emoção infra-intelectual, que pode ser assimilada à representação ou entendida como um reflexo desta. Nessa acepção, a emoção é consecutiva a uma idéia ou a uma imagem representada. Mas Bergson reconhece ainda um segundo tipo de emoção, agora supra-intelectual. Essa emoção supõe uma anterioridade no tempo, que estabelece uma relação entre aquilo que engendra (causa) e aquilo que é engendrado (efeito), relação inversa a que se concebe habitualmente no caso da emoção infra-intelectual. Nesta segunda acepção, a emoção é geradora de idéias, tão presente na invenção científica quanto na criação artística. Trata-se de uma emoção estimulante, que incita a inteligência geradora de pensamento. As palavras “emoção”, “sentimento” e “sensibilidade” remetem sem dúvida ao conceito de “feeling”, tão caro a William James, psicólogo norte-americano com quem Bergson se correspondeu amplamente e do qual tornou-se um grande amigo. Para além dessa amizade e para concluir a nossa apresentação, tentaremos mostrar que a proposta de Bergson é fazer precisamente uma gênese sociológica da dualidade criticada pela teoria jameseana das emoções. Isso nos permitirá equacionar os dois tipos de emoção mencionados acima com o tipo de sociedade correspondente, justificando a oposição entre fechado e aberto da qual partimos.

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21.10 | Sexta-Feira | sala 43| 09h30
sala 43
21/10/2016
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