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DO MAL RADICAL À BANALIDADE DO MAL: UM PROBLEMA ÉTICO? Alessandra Peixoto. PALAVRAS-CHAVE: MAL: MAL RADICAL: BANALIDADE DO MAL: ÉTICA. Para pensarmos o mal, confrontaremos três pensadores de diferentes fases do pensamento, os filósofos, Kant e Hannah Arendt, com as suas respectivas formulações de “mal radical” e de “banalidade do mal”, respectivamente, e, reforçaremos o embate tomando o ponto de vista de Freud e a psicanálise. O problema do mal em Kant aparece como do âmbito de uma concepção da natureza do homem, entendendo-se “natureza” não o indivíduo isolado, mas o gênero humano, por isso, o mal deverá ser entendido como uma realidade universal: e também como uma propensão inata, porque não pode ser extirpada da natureza humana. Mas, nem por isso deverá ser entendido como algo absoluto. Aqui, o mal é inato, é quase como um pecado original do homem. Ao mesmo tempo que não aceita a “malignidade”, aceita a “perversão”, uma falha no livre arbítrio, o suficiente para se entender o mal radical. Confirmando a tese kantiana do mal radical, Freud afirmará a existência de uma destrutividade autônoma no Homem, o que corresponderia à aceitação do mal radical conforme tenha sido primariamente formulado por Kant. A ideia de “natureza” em Kant, como se disse, é a de gênero, universal, Freud a conceberá como sendo o aspecto natural/ não-natural, do mal, na concepção por ele estabelecida no binômio “pulsão de morte" e “pulsões sexuais”, a libido. A questão freudiana fundamental do mal radical estaria, assim, antes de tudo, no próprio homem, ponto de vista a ser buscado por nós. Já em relação a Hannah Arendt, o conceito de mal radical é sugerido pela primeira vez em sua obra Origens do Totalitarismo (1950), no sentido de negá-lo. O mal radical segundo Kant, de certa forma, conforme o concebamos como uma “vontade pervertida” ainda é possível de ser explicado, o que já não acontece com o evento do totalitarismo na modernidade. Em síntese, a nova concepção de mal inserida no pensamento de Hannah Arendt através do conceito de” banalidade do mal”, elaborado justo na obra Eichmann em Jerusalém, servirá não apenas no sentido de negar a noção de mal radical, como será também um ponto de partida para se pensar o fenômeno do mal em outras bases na realidade. O que é banal o é não em consequência de ser algo sem importância, mas por sua ausência de profundidade. Em realidade, no entendimento de Arendt, o pensamento representaria uma condição necessária, embora não suficiente, para que a faculdade do juizo pudesse resistir ao mal. Enfim, o grande perigo da banalidade estaria na ocorrência do “vazio do pensamento” nos agentes pensantes, antes do que no aspecto da sua “monstruosidade” propriamente dita.

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21.10 | Sexta-Feira | sala 57| 11h10
sala 57
21/10/2016
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