Presidente da Anpof participa de reunião com Presidente da CAPES

Presidente da Capes enfatiza que não haverá a ponderação por área de conhecimento na distribuição de bolsas da instituição

No último dia 11 de outubro, o Prof. Adriano Correia, presidente da ANPOF, participou de uma reunião com o Presidente da CAPES, o prof. Anderson Correia. Também estiveram presentes os diretores de avaliação, de programas de bolsas e de relações internacionais da entidade, além de outros representantes de entidades de humanidades. Na ocasião, o presidente Anderson Correia afirmou que “da CAPES não haverá nenhuma política para prejudicar alguma área”, e que nenhuma área será priorizada em detrimento de outras. O presidente se referia à possibilidade, como veiculado meses atrás na imprensa, das humanidades não estarem entre as áreas prioritárias para o órgão. Segundo Anderson Correia, apenas se o MCTIC ou o MEC indicarem “que se reduzam bolsas na área de filosofia” isto será discutido na CAPES. Foi indicado que serão cortadas bolsas apenas de programas que estejam com nota três há mais de dez anos.

Em meados de agosto o presidente da CAPES afirmou em entrevista à imprensa que o MEC usará IDH, nota de curso e área prioritária para conceder bolsas de pós-graduação. Além disto, haveria prioridade na concessão de bolsas de doutorado, em detrimento das de mestrado. Na entrevista ele também haveria dito que áreas prioritárias como Saúde e Engenharias seriam favorecidas na política de distribuição de bolsas da CAPES.

Ao ser interpelado sobre estas afirmações na entrevista ao jornal O Estado de São Paulo e reiteradas em um vídeo recente divulgado pelo presidente da CAPES, o presidente da CAPES sustentou, nesta reunião, que não se deveria levar a sério suas afirmações no vídeo sobre os produtos, uma vez que seriam falas retóricas para “apimentar” o vídeo.

Na reunião, Anderson Correia insistiu em que as políticas da CAPES são sempre definidas em diálogo com a comunidade e que jamais são implementadas de modo açodado. Foi enfatizado explicitamente que as políticas da CAPES – como a avaliação multidimensional, que vem sendo implementada há vários anos – são sempre de longo prazo e não visam prejudicar nenhuma área específica.

Encontro com as Humanas

A reunião foi convocada pelo Fórum de Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Linguística, Letras e Artes (FCHSSALA) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Estiveram presentes o presidente do Fórum, Prof. Mário Cezar Silva Leite, e a vice-presidente da SBPC, a Profa. Fernanda Sobral, além de representantes de dez associações vinculadas ao FCHSSALA e à SBPC.

O objetivo da reunião era ouvir dos representantes da CAPES sobre as políticas da instituição para a área de humanidades e sobre informações veiculadas na imprensa relativas à definição de áreas prioritárias para a distribuição de bolsas e recursos para a pesquisa. De acordo com o noticiado, a área de humanidades seria diretamente prejudicada, uma vez que não estaria entre as áreas prioritárias e teria um peso 30% menor.

Outro tema relevante para a área de filosofia foi a indicação de que a avaliação da produção em livros e capítulos de livros será valorizada e que não se imporá às áreas da filosofia e das ciências humanas a definição de um peso maior para a publicação em periódicos. A Profa. Sônia Bao, diretora de avaliação, mencionou uma pesquisa realizada por uma grande editora científica internacional. De acordo com a diretora, esta pesquisa teria constatado que “a publicação de livros da área de filosofia do Brasil não fica atrás do que acontece na Europa. Os livros são publicados em excelentes editoras, com uma grande infiltração mundial”.

De acordo com professor Adriano Correia, a reunião foi bem amistosa e o tom institucional adotado pelo presidente da CAPES esteve muito distante do tom adotado pelo MEC e pelo próprio Prof. Anderson Correia na imprensa e em nos vídeos que vem divulgando. Ele recomendou que não se levasse a sério o que é divulgado na imprensa e disse que tem havido muita “fake news”.

A Anpof, as demais associações da área de humanidades e a SBPC permanecerão atentas à atuação do MEC, da Capes, do MCTIC e do CNPq e buscarão intensificar os canais de diálogo nestas instituições e no parlamento brasileiro.

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