Verinotio - Revista de Filosofia e Ciências Humanas - n. 16

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Verinotio - Revista de Filosofia e Ciências Humanas entrega à leitura e ao exame criterioso do leitor, em seu número 16, um conjunto de artigos e materiais históricos que tem por objeto a já hoje clássica obra lukacsiana História e Consciência de Classe, a completar no presente ano nove décadas de sua primeira aparição.

Obra plena de potenciais, meritórios e problemáticos, que pelas tramas de seus argumentos influenciou, e ainda tem ascendência sobre, de modos bastante variados, diversas postulações filosóficas, seja em confluência, seja em oposição a ela.

Por certo, todo um veio de perspectivas dentro do marxismo se nutriu dela como de um manancial crítico que se distinguia da soi-disant ortodoxia, enrijecida em vulgata, assim como das tendências cientificistas que reduziam o legado marxiano ao exercício de mais uma versão da economia, da sociologia ou da politologia, como "ciências normais".

O alcance da tentativa de determinação das categorias de Marx na forma de aproximações globais da totalidade social lançou toda uma série de debates e discussões que se estendem até o presente. Os pensadores de Frankfurt e herdeiros são, de certo modo, uma das ilustrações das reverberações multitonais que ecoaram na direção de renovar, sem entrar aqui na avaliação do caráter e amplitude desta tentativa, os rumos do pensamento filosófico que tem o humano por material de trabalho. Para não falar das demais correntes e autores propriamente marxistas que a ela se filiaram, buscando ancorar a reação ao mal-estar dos tempos modernos a alguma, ainda que mínima, compreensão da produção e da vida sociais, sem cair nas fórmulas prontas que transmutaram os enunciados marxianos numa quase coleção de lemas e epígrafes vazios.

Disto é exemplo marcante a delimitação de Lukács de que "ser ortodoxo" não é necessariamente ater-se às formulações de Marx como um puro resultado acabado, mas sim ao "método" que teria possibilitado ao pensador alemão chegar àquelas. Não obstante a insuficiência desta propositura – seu acento demasiadamente gnosioepistêmico –, há que reconhecer, no entanto, o valor de pretender afastar-se da preguiça intelectual que converte o produto de teses e investigações em fraseologia revolucionária; o conhecidíssimo ethos político-partidário de "resolver" contendas, reais ou imaginárias, referindo-as abstratamente à "luta de classes" ou mesmo à danada da "dialética".

 

SUMÁRIO

Editorial - A Batalha (da) Crítica contra Lukács e a Ontologia

Antônio José Lopes Alves

 

ARTIGOS

A metateoria da filosofia: a formulação de Lukács Andrew Feenberg

A noção de imagem visual e sua recepção na teoria do reflexo do Lukács tardio Manuel Bonilla

As duas almas de um livro. História e Consciência de Classe entre o marxismo tradicional e o marxismo heterodoxo Vladimir Puzone

O debate filosófico sobre um Lukács hegeliano Claudinei Cássio de Rezende

Depois de Outubro: o Lukács protomarxista Guido Oldrini

Em defesa de História e Consciência de Classe Antonino Infranca

György Lukács: leitor de Alexandre Soljenítsin Leandro Candido de Souza

György Lukács's History and Class Consciousness in the Context of the 1919 Hungarian Proletarian Dictatorship Gábor Gángó

O intelectual como militante revolucionário em História e Consciência de Classe Ricardo Musse

Podemos pensar uma concepção da responsabilidade em György Lukács? Chantale Pilon

Ele [Brecht] soube provocar crises salutares György Lukács

 

RESENHAS

Marcos Nobre e sua análise de História e Consciência de Classe Claudinei Cássio de Rezende

O Direito em História e Consciência de Classe Vitor Bartoletti Sartori

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