Special Topic—Realism and Anti-Realism in Philosophy of Medice: Health, Disease, and Diagnosis
Universidade do Vale do Rio dos Sinos
mazevedogtalk@gmail.com

Realismo e Antirrealismo em Filosofia da Ciência. Realistas científicos defendem que as teorias amadurecidas das ciências são verdadeiras ou ao menos aproximadamente verdadeiras, e que as entidades não observáveis postuladas pelas melhores teorias científicas existem de fato. A visão se opõe à atitude antirrealista segundo a qual não há razões para acreditar que as teorias são verdadeiras ou próximas da verdade, nem que as entidades não observáveis existem. Dessa perspectiva antirrealista, o empirismo construtivo sustenta que acreditemos nos enunciados científicos na medida em que se mostrem empiricamente adequados. Por sua vez, o realismo científico representa uma atitude epistêmica positiva com respeito ao conteúdo das melhores teorias ou modelos científicos, recomendando ao contrário que acreditemos não apenas naquilo que somos capazes de observar ou naquilo que se mostra empiricamente adequado, mas também naquilo que a ciência descreve como constituintes reais do universo, em que pese não tenhamos ou possamos ter acesso empírico direto a tais entidades, fatos e eventos. O debate entre realistas e antirrealistas vem dominando parte do cenário da filosofia da ciência contemporânea. Trata-se de um debate ainda em curso. É possível que a discussão em torno desses temas possa iluminar a questão do diagnóstico em medicina.

Realismo dependente de valores e a medicina. Um problema particular para os realistas diz respeito à extensão dessa atitude geral ao domínio particular da moral. Práticas profissionais, como a medicina, exigem de seus agentes não apenas atitudes cognitivas adequadas, mas também morais. Nem todos os realistas científicos estendem sua visão para a moral. Porém, segundo alguns realistas, médicos e profissionais de saúde empregam conceitos mesclados a valores. Contudo, alguns antirrealistas consideram que patologias e doenças não representam entidades ou fatos biológicos reais, e sim construções valorativas cultural ou socialmente influenciadas. Outros defendem que a doença (ou a enfermidade é um fenômeno apenas subjetivo, talvez até mesmo idiossincrásico. Essas visões parecem alimentar alguma modalidade de antirrealismo moral, comprometida com alguma versão do antirrealismo científico. Mas alguns filósofos da medicina (dentre eles William Stempsey) têm argumentado que há um equívoco nessa posição. Parte do equívoco deve-se, diz Stempsey, a uma visão simplista e ingênua sobre o chamado hiato lógico entre fatos e valores. Uma das consequências da adesão acrítica à tese da separação entre fatos e valores é uma forma de dogmatismo que isola valores morais da prática diagnóstica. Ocorre que, em sendo verdadeiro o contrário, isto é, que as concepções médicas sobre o que é normal ou patológico são intrinsecamente dependentes de valores, a atitude dogmática redunda numa visão míope, desfocada, equívoca e, eventualmente, moralmente desrespeitosa [por exemplo, quando um médico diagnostica estado de mal asmático ele não está apenas descrevendo uma ocorrência biológica; ele está concluindo que se trata de uma emergência médica, o que envolve uma apreciação de valor. Outro exemplo. A conclusão diagnóstica de que certo paciente sofre de “ansiedade generalizada” envolve o reconhecimento de que os sintomas do paciente não podem ser menosprezados ou estigmatizados como meras reações subjetivas. Em outras palavras, seu sofrimento é real e objetivo. É plausível, portanto, que o ideal científico de objetividade seja melhor beneficiado por uma atitude diversa da atitude dogmática, por uma atitude, enfim,  que reconheça que ao menos parte da realidade que é objeto da prática diagnóstica envolve valorações.

O II Simpósio. Neste II Simpósio em Filosofia da Medicina e das Práticas Profissionais em Saúde trataremos de temas em filosofia da ciência (realismo e antirrealismo científico) aplicados ao caso da medicina, em especial, ao tema do diagnóstico médico. A presença do professor William Stempsey nos permitirá avaliar sua defesa de um realismo dependente de valores. Os professores Rodolfo Gaeta e Nélida Gentile são exímios conhecedores do debate atual sobre realismo e antirrealismo em ciência. O convite estendido a pesquisadores de programas de pós-graduação em diferentes áreas da medicina e da saúde coletiva tem como objetivo avaliar a adequação dessas diferentes abordagens em filosofia à prática clínica, em diálogo com filósofos do programa de pós-graduação em filosofia e saúde coletiva da Unisinos. Nesta edição, pretende-se abrir espaço para submissão de trabalhos, dirigido a estudos de pós-graduação.


14 Out 2015 > Ocorrido há 1758 dias
14 Out 2015 - 15 Out 2015
03 Ago 2015 - 14 Set 2015
01 Set 2015 - 14 Out 2015

14/10 – Quarta-Feira

14:00 – Abertura – Alfredo Culleton (Coordenador do PPG Filosofia Unisinos),

Adriano Naves de Brito (Decano da Escola de Humanidades)

14:30 – Conferência de Abertura: William Stempsey (College of the Holy Cross, Massachussets, USA).

15:30 – Comentadores: Rodolfo Gaeta (Universidade de Buenos Aires) e Nélida Gentile (Universidade de Buenos Aires)

16:30 – Debate

17:30 – Intervalo

17:45 – Mesa Redonda: Ontologia e epistemologia médicas. Marco Antonio Azevedo (Unisinos), Tudor Baetu (Unisinos). Comentador: Ricardo Xavier (UFRGS)

19:00 – Debate

19:30 – Encerramento do primeiro dia

 

15/10 – Quinta–feira

14:30 – Mesa Redonda: O diagnóstico médico em Psiquiatria. Flávio Kapczinski (UFRGS) e Luiz Fernando Streb (GHC). Comentador: Marcelo Pio de Almeida Fleck (UFRGS)

15:30 – Debate

16:30 – Intervalo

17:00 – Mesa Redonda: Fenomenologia e Hermenêutica da Saúde. Luiz Rohden (Unisinos) e José Roque Jungues (Unisinos).

19:00 – Encerramento do evento


Sala Conecta, Unisinos, São Leopoldo, Brasil

Marco Antonio Oliveira de Azevedo

Submissão de resumos

Os resumos devem conter: título em português e inglês, texto de até 500 palavras, 4 palavras-chave.

Devem ser encaminhados ao email mazevedogtalk@gmail.com

As apresentações serão no período da manhã do dia 15/10, das 9h às 12 horas, no Campus da Unisinos São Leopoldo.

Aceitam-se submissões de resumos sobre qualquer tema em filosofia da medicina (ética, ontologia ou epistemologia)


CAPES


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