Religião e Inteligência
PUC São Paulo

A Comissão Organizadora do 7º Congresso Brasileiro de Filosofia da Religião convida pesquisadores, professores e estudantes de pós-graduação nesta área de estudos, no Brasil e em outros países da América Latina, a inscrever resumos de textos a serem apresentados no evento. Os textos devem lidar com o tema central ou um dos seguintes subtópicos:

  • religião e sensatez
  • racionalidade da crença em Deus
  • religião, formas de inteligência e subjetividade
  • religião e ciência
  •     religião e naturalismo

 

Um dos objetivos principais da parceria da ABFR com a Fundação John Templeton é estimular a comunidade filosófica da América Latina a pensar as grandes questões relacionadas à religião de modo ao mesmo tempo rigoroso, profundo, crítico e criativo. Por essa razão, será dada preferência aos trabalhos que tentam dar uma resposta ao problema ligado ao tema e subtemas do evento. Em outras palavras, trabalhos que têm como ponto de partida a história da filosofia são bem-vindos, desde que a abordagem histórica não seja um fim em si mesmo na comunicação, mas um meio para pensar o assunto em pauta.

 

Religião e Inteligência como Problema para a Filosofia Hoje

 

Na sequência da crítica à religião do século XIX de filósofos como Feurbach, Nietzsche, Marx e Comte, o século XX começou com uma visão negativa acerca da religião em círculos acadêmicos e científicos do ocidente. Uma das principais teses daqueles críticos era de que a fé religiosa mostrava uma falta de inteligência que era incompatível com uma era científica. Obras como History of the Conflict Between Religion and Science (1874) de John Draper e A History of the Warfare of Science with Theology and Christendom (1896) de Andrew White reforçavam a tese de que havia essencialmente um conflito entre ciência e religião.

Contudo, embora essa posição ainda pareça ser a mais popular em círculos científicos, argumentos fortes em favor de uma posição bem diferente desta têm sido apresentados mais recentemente (ver Barbour 1998 e Plantinga 2011). Além disso, a filosofia da religião, que começou o século 20 com um tom bastante cético a respeito da racionalidade da crença em Deus, também parece estar mudando. Observa-se nessa área – especialmente na abordagem analítica, mas também em outras tradições filosóficas – um importante movimento de resposta aos ataques críticos, apresentando novos argumentos em favor do teísmo e apontado para problemas conceituais relevantes no naturalismo (ver Copan e Moser 2003, e Rea 2002). Tudo isso parece indicar que a opinião difundida nas comunidades acadêmicas e científicas de que falta inteligência à religião vem sendo seriamente questionada.

Por outro lado, críticas ao naturalismo têm apontado para um “empirismo enriquecido”, como sugeriu John Haught (2006). Nesse sentido mais amplo de experiência, o conhecimento científico é suplementado por outras fontes de informação, proporcionando uma possibilidade de explicação em vários níveis. Desse modo, a inteligência crítica pode incluir a subjetividade e suas formas não teóricas de conhecer o mundo. Desse modo, religião e teologia deixam de ser uma barreira para a inteligência e se mostram como importantes contribuições para a busca humana pela verdade e o significado (ver também Bonder 2011).

Todavia, nem toda religião é igual com respeito à razoabilidade. Algumas tendências recentes no cristianismo, muito ativas na América Latina, por exemplo, encaram a ciência e o debate acadêmico com suspeita, juntando-se ao chamado movimento do novo ateísmo na tese da centralidade do conflito entre ciência e religião. Por um lado, o caráter fortemente emotivo de sua pregação e sua atitude anti-intelectual com vistas à relação entre razão e fé são também causas relevantes de preocupação para muitos e não deveriam ser esquecidas pela filosofia da religião.

Por conseguinte, o 7º Congresso Brasileiro de Filosofia da Religião, promovido pela Associação Brasileira de Filosofia da Religião – ABFR e o GT de Filosofia da Religião da ANPOF, propõe discutir algumas das principais questões envolvidas na relação entre religião e inteligência. Existe realmente um conflito entre as ciências naturais e a religião cristã? As tentativas recentes de defender a racionalidade da crença em Deus são realmente fortes? O naturalismo pode responder as críticas que têm sido feitas contra ele? Que naturalismo é possível em vista dessas críticas? Considerando os problemas do cientificismo, a subjetividade teria um novo lugar na busca humana de significado e verdade? Quais deveriam ser os critérios para se considerar como razoável uma fé religiosa?

Essas são algumas das questões que o 7º Congresso Brasileiro de Filosofia da Religião espera ver sendo discutidas.

 

Agnaldo Cuoco Portugal

Secretário da ABFR


24 Out 2017 > Ocorrido há 29 dias
24 Out 2017 - 27 Out 2017

Conferencistas Principais:

Susannah Heschel – Dartmouth College

Kelly Clark – Grand Valley State University

Joshua Rasmussen – Azusa Pacific University

Charity Anderson – Baylor University


PUC São Paulo

Resumos podem ser escritos em português ou espanhol, devem conter um mínimo de 250 e um máximo de 500 palavras e devem incluir o título do trabalho, o nome do autor, bem como o título acadêmico mais alto deste e a instituição da qual faz parte, além de e-mail para correspondência.

No congresso, o tempo destinado à apresentação de pós-graduados não doutores e estudantes de pós-graduação é de 20 minutos, com 10 minutos para debate. Pesquisadores e professores disporão de até 45 minutos para apresentação e 15 minutos de debate. Não serão aceitos trabalhos de graduandos ou de graduados que não sejam estudantes de mestrado ou doutorado.

Graças ao apoio da Fundação John Templeton, a Comissão Organizadora dispõe de recursos limitados para custear passagem e hospedagem dos expositores dos trabalhos selecionados.


FaLang translation system by Faboba