Lia Levy
UFRGS
13 Dez 2017

Os recentes textos publicados no Fórum de Debates da ANPOF tematizam a importante questão da indicação, pelos Coordenadores de Programa e pelas Associações, de nomes a serem eventualmente indicados pela CAPES para desempenhar a função de Coordenador da Área pelos próximos quatro anos.

Não tenho, a esse respeito, declarações ou opiniões relevantes para esse debate. No entanto, tenho uma pergunta e um pedido a fazer, motivados pela leitura dos textos aqui publicados (incluindo o do colega Erico Andrade), cujas respostas contribuiriam para melhor esclarecimento das posições aqui defendidas.

Um dos problemas essenciais levantados pela maioria dos textos é a significativa expansão, quantitativa e qualitativa, da nossa área nos últimos anos. “Não cabemos mais em uma van”, foi a analogia utilizada para ilustrar essa situação e para dirigir uma crítica velada, mas não muito, à atual coordenação que encerra seu mandato. A esse respeito, minhas colocações são as seguintes.

Em primeiro lugar, a proposta para lidar com essa expansão, que tem ganhado força no fórum, nas redes sociais e nos debates entre colegas, tem sido formulada quase que exclusivamente na indicação prévia de nomes que seriam mais tarde indicados como coordenadores adjunto e do mestrado profissional, bem como no compromisso com procedimentos para a indicação de nomes para a composição das diversas comissões a serem formadas ao longo do mandato. Essa proposta, sem qualquer sombra de dúvida, tem por objetivo ampliar o comprometimento do futuro coordenador com a nossa comunidade de professores e pesquisadores e, sobre esse objetivo, não tenho questões pois, tomado em si mesmo, saudado por todos como um aprofundamento da política do atual coordenador.

Minhas dúvidas surgem quando percebo, nas diversas instâncias desse debate, a expressão da expectativa de que essas indicações seriam – por si só – suficientes para assegurar esse comprometimento. Essa expectativa, se de fato existe, parece-me temerária e mesmo flertar como a ameaça de transitar entre um formato de tipo “presidencialismo de coalizão” para o fisiologismo, como temos visto acontecer de forma especialmente aguda nesses dois últimos anos na política brasileira.

No contexto da pós-graduação brasileira em filosofia, com uma comunidade e produção tão múltipla, diversa e rica, o silêncio sobre a necessidade de se trabalhar com dados quantitativos qualitativamente analisados me levou a trazer a público essa minha primeira pergunta. A importância desse elemento para a concretização do republicanismo nas instituições e políticas públicas brasileiras parece-me há muito ter sido reconhecida pelos estudiosos do assunto e teve, na recente iniciativa da Diretoria de Análise de Políticas Públicas Fundação Getúlio Vargas (da qual não faço parte – insisto em frisar), uma excelente contribuição, que convido todos os colegas a conhecer (http://dapp.fgv.br/).

Ora, essa me parece ter sido a principal contribuição da atual coordenação: dar os primeiros passos para que possamos conhecer melhor a nossa própria área, oferecendo, pela primeira vez, esses dados no relatório da avaliação, construindo, pela primeira vez um processo de qualificação da nossa produção em livros, e discutindo com a ANPOF e com os coordenadores os critérios e parâmetros das avaliações da área, do Qualis Livros e do Qualis Periódico. Sem dúvida alguma, todas essas iniciativas estão longe de terem sido levadas a cabo de maneira perfeita e precisam ser continuamente aperfeiçoadas pela área em suas diversas instâncias de debate.

Ora, e é essa a minha primeira pergunta, como a proposta defendida em especial pela atual direção da ANPOF, de “fechar uma chapa” para a indicação, contribui para aperfeiçoar essas iniciativas? E, para os que estão se apresentando como candidatos, quais são exatamente suas críticas a essas iniciativas e o modo como foram levadas a cabo? Quais são, nesse sentido, suas propostas para sanar as falhas apontadas?

Em segundo lugar, tenho um pedido, mais do que uma pergunta: como a analogia da “van”, associada à proposta defendida pela atual direção da ANPOF e retomada pela recente contribuição ao Fórum, tem no horizonte uma crítica à composição das comissões formadas pelo atual coordenador, eu gostaria que fosse publicada neste Fórum a lista completa de todos nomes que compuseram essas comissões para me assegurar de que elas foram formadas desrespeitando, como foi diversas vezes alegado, os critérios de composição ora propostos (como os de diversidade regional, desconcentração regional, uma diversidade étnica, etc). Essa é, a meu ver, uma informação crucial para os que acompanham o debate possam apreciar por si mesmos a correção dessa alegação.

Esperando ter contribuído de alguma forma para esse debate, parabenizo a atual direção da ANPOF pela abertura dessa discussão, que me parece essencial em todos os sentidos para a nossa área.


FaLang translation system by Faboba