Ericson Falabretti e Cesar Candiotto
PUCPR

Salvo engano, temos, pela primeira vez, um debate público em torno de nomes de “candidatos” e, mais timidamente, sobre algumas propostas para a construção prévia da próxima avaliação quadrienal. Tudo isso representa um avanço. Todavia, a discussão de um processo de indicação como esse também deveria refletir como chegamos e estamos ao final da última avaliação. O quase silêncio em torno do resultado da quadrienal diz muito a respeito da nossa timidez em discutir publicamente os processos e, acima de tudo, em lidar com o nosso retrato. Mas ele está aí, constituído e publicado pela atual coordenação. Se ainda persiste o problema da instauração de processos que espelhem cada vez mais a diversidade da área, então é fundamental – acompanhando, em parte, os argumentos de Lia Levy – que incorporemos ao debate uma certa memória crítica sobre o resultado da última quadrienal e, fundamentalmente, sobre os processos avaliativos coordenados por Vinícius Figueiredo. Pudemos, pela primeira vez, contar com uma efetiva avaliação da produção de livros e capítulos. Todavia, precisamos continuar envolvendo a mesma quantidade de pesquisadores – aproximadamente 150 – como avaliadores? Ademais, critérios mais objetivos sobre o nem sempre evidente tema da internacionalização apareceram de maneira mais clara nessa quadrienal: mobilidade discente e docente, publicação em coletâneas estrangeiras e, principalmente, convênios. Entretanto, isso define a internacionalização? O qualis foi, como deveria ser, reformulado, e aumentamos substancialmente o número de revistas da área nos extratos mais elevados, atendendo assim a uma demanda geral. Entretanto, para pensar o qualis devemos continuar computando a quantidade de pesquisadores produtividade do CNPq que publicaram nas revistas da área? Essa consideração – presença de pesquisador PQ – também está diretamente ligada à percepção geral sobre a qualidade do corpo docente, item essencial da ficha de avaliação. Assim, levando em conta os argumentos do colega Érico Andrade, sobretudo quando pensamos na morosa dinâmica do CNPq, qual o alcance e a legitimidade de contar com PQs para avaliar a qualidade das revistas e do corpo docente? E quanto à inserção social? Temos clareza sobre esse item que compõe a avaliação e a proposta de todo PPG? E a avaliação da produção discente? Nesse ponto, não deveríamos considerar a produção bibliográfica dos discentes? Ou a avaliação deverá ficar restrita à análise da qualidade das teses e dissertações? Mas como fazer isso? Parece que sobre esse tema ainda temos muito que avançar. Além do mais, temos ouvido e lido muito sobre a necessidade de antecipar os futuros nomes das comissões. Entretanto, não corremos o risco de submeter parte dos colegas a uma certa pressão prévia e desnecessária?

Muito oportuno também é discutir de maneira mais aprofundada a forma geral do processo avaliativo. Hoje sabemos que a avaliação de um programa, muito em função da política avaliativa da CAPES, acaba ficando concentrada em poucos avaliadores, sendo realizada de maneira praticamente autoral. Precisamos continuar reproduzindo isso? Se a legislação permite (paira uma dúvida sobre isso), por que não criamos comissões mais amplas para analisar os diferentes itens da ficha de avaliação, seguindo o exitoso modelo participativo de avaliação de livros implementado na última quadrienal? Por exemplo, uma mesma comissão emitiria um parecer acerca da qualidade da produção discente de todos os programas. Aí sim teríamos uma avaliação comparativa, um mesmo olhar, ainda que plural, sobre a totalidade da produção discente.  Não sabemos bem qual é o real alcance dessa ideia e se há a possibilidade efetiva de passarmos de um processo de avaliação “autoral” para um mais “plural”. Também não pretendemos receber respostas definitivas sobre todos esses temas, até porque eles merecem ser pensados coletivamente e em momentos distintos. Mas seria bom ouvir dos nossos “candidatos” a coordenadores e de outros colegas o que eles pensam para o futuro, considerando o nosso retrato atual. Quem já foi coordenador de PPG bem sabe disso: nunca podemos perder de vista o fator indutivo de todo processo avaliativo e o fato de que estamos sempre correndo atrás do passado.    


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