Edgar Lyra
PUC-Rio
14 Dez 2017

Vivemos um momento de mudanças na educação brasileira, da educação infantil aos programas de pós-graduação, decerto um horizonte de muitas inquietações. A perda da obrigatoriedade do ensino da filosofia nos três anos do ensino médio é uma dessas fontes de incerteza, especialmente para as licenciaturas e para os mestrados profissionais, ambos encarregados, cada um em seu nível, da formação de professores de filosofia capazes de atuar com êxito na educação básica.

Embora atue no programa de pós-graduação da PUC-Rio e lidere o Grupo de Estudos e Pesquisas em Filosofia da Tecnologia, certificado pelo CNPq, tendo naturalmente a pesquisa em altíssima conta, minha atuação no ensino superior está também objetivamente marcada pela preocupação com a formação de professores e com a importância da filosofia na formação dos nossos jovens. Foi com esse espírito que, por exemplo, aceitei participar da construção das duas primeiras versões da Base Nacional Comum Curricular, hoje, como se sabe, em vias de redefinição.

Por tudo isso, recebi com particular simpatia o convite do professor Ernani Chaves, primeiro colega a lançar-se neste fórum da ANPOF como candidato a representante de área. Sua proposta sinaliza, entre outras boas coisas, com a atenção aos mestrados profissionais. Minha resposta foi a de que aceitaria atuar como adjunto na avaliação desse segmento da pós-graduação, onde acho, sinceramente, que poderia hoje ser útil. É que ajudei no que esteve ao meu alcance a construir o mestrado do CEFET-RJ, onde, até hoje, com aval do meu departamento, atuo como colaborador. Participei ainda das tratativas de constituição do PROF FILO, marcadamente da reunião de Campos do Jordão na qual se deliberou pela elaboração do respectivo APCN. Dada essa proximidade resolvi, logo após o convite do professor Ernani, ouvir as coordenações desses programas, nas vozes do professor Edmílson Paschoal e da professora Taís Pereira, de modo atualizar-me de seus horizontes e problemas, o que ocasionou inclusive a demora desta postagem. Me parece que, independentemente de quem venha a contar com a preferência dos diversos programas de pós-graduação, este fórum constitui-se já como espaço apropriado ao reconhecimento e formulação preliminar dos problemas a futuramente enfrentar.

Fato é que os mestrados profissionais não podem ser avaliados da mesma forma que os acadêmicos e que há mesmo diferenças entre o PROF FILO, em rede, que recebe suporte e fiscalização também da Diretoria de Educação a Distância do MEC, e o mestrado do CEFET-RJ, inteiramente presencial e, neste momento, sem qualquer subsídio ou apoio formal, mesmo da rede estadual do Rio de Janeiro. Como seja, o mestrado profissional do CEFET tem aberto editais semestrais desde o final de 2015; o PROF FILO fez a primeira chamada para seus quinze polos no final de 2016;  e ambos precisam de especial atenção.

A tarefa de definir critérios adequados de avaliação para cada um desses mestrados se afigura, em suma, de enorme importância para sua sobrevivência, consolidação e desenvolvimento qualitativo. Deve ainda fazer-se acompanhar de esforço de caracterização da sua importância para o crescimento geral da área, de modo que possam existir em simbiose com os programas acadêmicos, juntos zelando pelos seus necessários espaços de produção, pluralidade e liberdade criativa, enfim, de diálogo filosófico com os contextos quais existem – locais, nacionais e internacionais.

Tanto pela complexidade dessas tarefas, quanto por pendor democrático, o caminho mais aconselhável parece ser a conversa oportuna e atenta com o pessoal mais diretamente atuante nos programas. Sem outras promessas, desejo à nossa comunidade uma feliz escolha da sua coordenação de área, parabenizando a ANPOF pela abertura desse espaço de pensamento e deliberação.


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