Temporal, v 1, n 2, dez 2017

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Comunidade acadêmica, o que é, como se faz

Em sua resposta ao debate sobre o positivismo nas ciências sociais, Adorno assim classifica a noção de comunidade científica tal como proposta por seus interlocutores:

“Popper esclarece a objetividade científica que sustenta: ‘Esta pode ser explicada somente mediante categorias sociais tais como: competição (tanto dos cientistas isolados, como das diversas escolas); tradição (a tradição crítica); instituição social (como por exemplo publicações em diferentes periódicos concorrentes e por meio de diferentes editoras concorrentes; discussões em congresso); poder do Estado (a tolerância política das discussões livres)’ [Popper, A Lógica das ciências sociais]. Estas categorias são notoriamente problemáticas. Assim, a categoria de competição encerra todo o mecanismo da concorrência, inclusive aquele funesto, denunciado por Marx, conforme o qual o sucesso no mercado tem primazia frente à qualidade das coisas, mesmo tratando-se de formações espirituais. A tradição em que Popper se apoia tornou-se indubitavelmente , no interior das universidade, em freio das forças produtivas [...].” (ADORNO, Positivismo na sociologia alemã)

Frente às proposições de Popper e às críticas de Adorno, este dossiê visa pensar a legitimidade científica em várias áreas do conhecimento humano, das ciências às artes. E visa pensar por dentro das suas práticas legitimadoras, qual seja, a instituição dos periódicos acadêmicos, em uma crítica imanente ao próprio sistema.

Entrevistas com Renato Janine e com os editores Helton Adverse (Kriterion) e Filipe Campello (Perspectivas filosóficas)

Chamada para artigos
Temporal, v 2, n 3, jul 2018
Justiça

Walter Benjamin, em um texto de 1921, cujo teor de complexidade já se enuncia na difícil tradução de seu título Zur Kritik der GewaltPara uma crítica da violência ou Crítica da violência – crítica do poder, pensa como se institui a ordem do direito:

"A justiça é o principio de toda instauração divina dos fins, o poder é o princípio de toda instauração mítica do direito". (Para uma crítica da violência, In: Escritos sobre mito e filosofia, 2011).

A Justiça, ordem divina dos fins, não se estabelece por um código de direito, ordem violenta e mítica dos meios. Direito, poder e violência estão, portanto, imbricados. E a relação entre Justiça e Direito é problemática. Claro que a leitura é polêmica, e aberta a contraposições, mas não deixa de ser atual pensar qual a potência/poder – Gewalt – do Direito e da Justiça nos dias atuais.  O dossiê de nosso próximo número propõe investigar esse poder em suas múltiplas facetas.
Aceitamos contribuições até 25 de maio.

Execpcionalmente, como a BCE UnB está em processo de mudança de plataforma, enviem os artigos  também para nosso email e não apenas pelo sistema.

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