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Revista Eleuthería

ELEUTHERIA

A Revista Eleuthería é um periódico científico vinculado ao Curso de Filosofia da Universidade Federal de Mato Grosso do SulA revista tem como propósito o incentivo ao debate científico e à investigação na área de filosofia moderna e contemporânea em seus diversos aspectos e linhas de pesquisa, prestando-se como um instrumento de divulgação do conhecimento e colaborando com o processo de informação, inserção política e cultura e a manutenção de intercâmbio acadêmico.

Neste intuito, a revista abre espaço para o debate qualificado em filosofia nos seus diversos temas e questões voltados à Filosofia Moderna e Contemporânea, a fim de receber diversos artigos de pesquisadores do Brasil e de outras partes do mundo. A revista receberá artigos inéditos de doutores em filosofia ou áreas afins e os artigos poderão ser enviados em língua portuguesa, inglesa, francesa, italiana e alemã. Além de artigos, o periódico publica resenhas, entrevistas e traduções originais.

Novo Número: V.3 N.5

A presente edição começa com o artigo de Delamar José Volpato Dutra, intitulado “A constituição brasileira e a crise da democracia”. Neste texto o autor defende que o constitucionalismo brasileiro tomou um viés mais jurídico-liberal do que propriamente democrático. Para defender a sua tese o autor mostra como o seu diagnóstico, embasado num diálogo com Neumann, Habermas e outros autores, está de acordo com o papel desempenhado pelo Supremo Tribunal Federal no cenário politico brasileiro contemporâneo. Jordan Michel-Muniz assina o artigo “Povo Impopular”. Neste trabalho o autor traz a superfície as tensões não resolvidas (ou irresolúveis) explicitas no conceito de ‘povo’ e associadas às suas instanciações práticas. A partir de uma provocação lançada pelo próprio título, Michel-Muniz avança a tese de que o Brasil tem um sistema de ‘apartheid social’ que mantém e sustenta a segregação (visível na falta de igualdade política) ao mesmo tempo que constrói uma narrativa de ‘apoio popular’ às teses neoliberais contrárias ao ideal igualitário implícito nos paradigmas democráticos contemporâneos. A exposição do paradoxo, captado pela expressão “povo impopular” orienta as camadas de argumentação do artigo, obrigando o leitor a rever suas próprias concepções de democracia, inclusão, povo, cidadania, igualdade e opinião pública. Rui Pereira Gomes contribui para a exploração desse outro olhar sobre a condição da democracia brasileira, a partir de uma reflexão sobre o real papel dos mecanismos participativos, nomeadamente o orçamento participativo, na estrutura geral do Estado burguês. Gomes defende que ao contrário do que a narrativa dominante propaga, a saber, que o orçamento participativo é um mecanismo de inclusão e participação significativa das massas populares e classes trabalhadoras, na verdade ele se reduz a um instrumento que perpetua a lógica de dominação, garantindo a materialização dos objetivos da classe dominante em detrimento dos dominados. Luiz Raposo e Fransmar Costa Lima escrevem “São Manuel Bueno, mártir: o homem sacro em uma vida desprovida de fé e futuro”. Neste artigo, os autores analizam a novela de Miguel de Unamuno “São Manuel Bueno, mártir”. Através de uma leitura crítica deste trabalho de ficção, Raposo e Costa Lima identificam os fios condutores da narrativa de crucial importância filosófica, como por exemplo a questão do suicídio, o porquê de existir e a existência de Deus. No artigo intitulado “A dialética d’O Capital enquanto crítica ao Idealismo” Viviane Fernandes oferece uma reflexão acerca da relação de Marx com o idealismo hegeliano. Para isso, a autora concentra-se na questão do começo científico em Marx, contrapondo-se à Ciência da Lógica de Hegel. Logo de seguida Ricardo Pereira de Melo contribui com a tradução da recensão do volume 1 de O Capital para a Revista “Die Zukunft” de Friedrich Engels. Como Ricardo Pereira de Melo bem nota, esta é a primeira de nove resenhas publicadas por Engels sobre a primeira edição de 1867 do livro I de O Capital de Marx. A resenha é publicada numa revista ‘democrático-burguesa’ sem assinatura, e visava despertar a curiosidade da academia alemã sobre a obra de Marx. Hyury Pinheiro, por sua vez, traduz um outro texto de Engels, intitulado “Como não traduzir Marx”. Ambas as contribuições são de enorme valia para a ampliação de bibliografia de Engels na língua portuguesa. Este número da Eleutheria termina com uma resenha de Carlos Prado do mais recente livro de Jadir Antunes, dedicado ao tema “Marx e o fetiche da mercadoria: contribuição à crítica da metafísica”. 

http://seer.ufms.br/index.php/reveleu/issue/view/488/showToc

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